1 de setembro de 2008

A grandeza de um ano...

Hoje (1° de setembro de 2008) faz um ano que pisei pela primeira vez nas calçadas tortas de Curitiba. Há pouco, enquanto observava o pôr-do-sol, (que hoje está azul e rosa, calmo e melancólico como uma Bossa Nova) me lembrei daquele 1° de setembro, no qual a neblina e o frio me impediam de enxergar a próxima quadra. Pode parecer bobo, mas sinto como se o tempo destes dois dias indicassem meu estado de espírito. Naquele sábado eu chegava em Curitiba cheia de medos, de ansiedades, de rascunhos de sonhos. Meu futuro era como aquele céu, nublado, à espera de um novo dia.
Não posso negar que Curitiba City me recebeu de braços abertos. Apesar de seu ar frio, e da lenda das pessoas hostis, encontrei entre os paralelepípedos (além de muitas pedras) uma resposta no meio do caminho. Quando vim pra cá só pensava em mudar. Sabia que havia algo de errado em minha vida, e sabia que tinha que ir embora. Só não sabia o que estava errado, e nem como eu consertaria. E no fim das contas, depois do nevoeiro encontrei as respostas.
Depois de muito choro, de muita saudade, de muito "I want my mamy!", me sinto uma pessoa feliz. Feliz porque encontrei um caminho, porque consegui descobrir e consertar o que estava errado, porque consegui me encontrar comigo mesma.
Talvez eu tivesse encontrado todas as respostas no conforto da minha família (que é o que mais me faz falta, e, que no fundo, é o que mais me dá força); talvez eu não precisasse ter deixado grandes amigos pra trás; talvez eu não precisasse saber o que é solidão. Mas foram esses talvez que me fizeram crescer. Hoje, mais do que há um ano atrás, sei o que é crescer...
Claro que não fiz isso sozinha. Se não fosse a companhia do Thon e da Cacau. As ligações semanais de papai e mamãe e Gigi. As conversas no msn com os pedaços distantes. A insistência da Magali em me fazer sorrir. As cartas carinhosas recebidas, quando o Correio "gentilmente " não estava em greve. As viagens, mesmo que curtas, pra dar um abraço na família e reabastecer as forças. O sorriso da minha orientadora do mestrado. As conversas nerds e interessantíssimas com a galera do mestrado. Tudo isso foi essencial pra que eu crescesse, e para que hoje, um ano depois da chegada, eu possa dizer que não sou a mesma, que cresci e me sinto bem assim crescida.
Não foi fácil; e sei que o próximo ano também não será. Como sei que haverá mais perguntas e mais respostas pra procurar. Mas é assim que nos tornamos fortes. Como diria o genial Coringa (em Batman - O Cavaleiro das Trevas), "O que não nos mata ,nos torna mais estranhos". Naquele dia, há um ano atrás, quando eu via Campo Grande ficar pequena e distante, minha vontade de voltar era maior que a de continuar. Se não fosse a presença de meus pais, que vieram até aqui dar os primeiros passos comigo, numa cidade até então estranha, talvez eu não tivesse conseguido. E se não fosse sua presença constante, através de todos os meios de comunicação possíveis, talvez eu não tivesse caminhado tanto.
Mais uma vez tenho que citar Machado: "Vida é luta!Vida sem luta é um mar morto no meio do organismo universal!", pois desde que cheguei aqui, esse pedaço de genialidade do Bruxo do Cosme Velho me acompanha e me protege de tentar desistir.
Ao som de Beatles termino essa divagação. Que talvez não tenha relevância pra quem lê, mas que reflete a alma de quem escreve.


Ps: Seu Gilberto e Dona Maria (e maninhas), se não fosse por vocês eu não teria e não seria nada. Obrigada! Amo vocês!

4 comentários:

Daniela Filipini (: disse...

Adooooreii!
Me emocionei com essas simples palavras tão bem usadas.
Me fez refletir, liindo blog.

Nanna disse...

Q orgulhooo
Q orgulho de ti.
É garota, te encontrei qdo vc estava para partir. Mesmo assim foi demais. É mto bom ser tua amiga. Crescer dói. Mas ser semente a vida inteira não dá. Vc já venceu, Girl.
besos

silvioafonso disse...

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Muito bom e bonito é o seu Blog, mas nada se compara ao seu perfil transcrito no profile, ninguém se viu da maneira como você se enxerga; absolutamente diferente e corajoso. Quanto ao texto uma dúvida mexeu com os meus conhecimentos: Bruxo do Cosme Velho? Acho que você não se referia ao "Machado", uma vez que este nasceu no subúrbio da Central do Brasil, mais precisamente em Bento Ribeiro, Rj.

Eu sei que você não me perguntou nada, mas eu, atrevido, tinha de dar o meu pitaco. Desculpas...

silvioafonso.




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silvioafonso disse...

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Você foi maravilhosa comparando a sua vida a "maximoro", que é uma expressão frequente na poesia mística e na poesia amorosa por tratar-se de uma figura de linguagem que harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão formando assim um terceiro dependendo da interpretação de cada um.
Eu me lembro de alguns exemplos:
- Inocente culpa,
Lúcida loucura,
Silêncio eloquente,
Gelo fervente e entre outros;
Ilustre desconhecido.
Sem nenhuma pretensão eu afirmaria que se você não fosse maximoro, certamente seria pleonasmo.

Adorei o perfil e a maneira como você o descreveu.

Beijos,

silvioafonso.





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