3 de fevereiro de 2007

Como diria... (Machado de Assis)

"Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um tanto agastada(...)Sim, talvez, lá no fundo de si mesma me chame cínico. Eu, cínico alma sensível?Pela coxa de Diana!Esta injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue lavasse alguma coisa neste mundo.Não, alma sensível, não sou cínico, eu fui homem; meu cérebro foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a comédia louçã, a desgrenhada farsa, a bufoneria, um pandemônio, alma sensível, uma barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver tudo, desde a rosa de Esmina até a arruda do teu quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o recanto da praia em que o mendigo tirita o seu sono.(...)Retira ,pois, a expressão, alma sensível, castiga os nervos, limpa os óculos - que isso às vezes é coisa de óculos - e acabemos de uma vez com esta flor da moita."
(In: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Cap. XXXIV)

Um comentário:

Luana disse...

Eba eba! Ela atualizou as escrivnhações! E agora tá tudo novo! Qbom, q bom!
Pronto. você me fez pegar o livro na estante e ler o capítulo o qual vc reescreveu aí. Agora terei que ler o livro desde o começo! Com este já são três! xD
E, sua cartenha está aqui, com seu lacinho preto, sua cor amarela e sua letrinha fofa, sendo lida e respondida com muito carinho! Logo logo ela chega pra vc!
Bjao
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