22 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Sobre Closer,corações de gengibre e sorvete)

Leia ouvindo aquela maldita música que o Demien Rice fez pro Closer...=]

Acabei de assistir Closer.E pra completar, antes disso assisti quase toda a segunda temporada de Dawson's Creek.É meu caro leitor, que por não ter mais o que fazer, ou que sofre de insanidade e lê isso aqui ocasionalmente,é uma situação de desespero...
Saí de casa ontem com o pensamento fixo em locar Closer.Sabe-se lá porquê...Talvez porque fazia muito tempo que eu não assistia, ou então porque o Thon o assistiu recentemente e eu quero poder conversar com ele sobre o filme, enfim, Murphy se infiltrou nas minhas vontades...
O filme é lindo.Humanamente lindo.E o que o torna mais incrível é como ele pode ser tão real.E por isso mesmo, tão dolorido.
Não vou ficar aqui comentando o fato de o Jude Law ser o cara com quem eu teria um filho(se um dia na vida eu cogitasse essa idéia maluca...afinal, acho mais fácil cuidar de plantas...), afinal, vai ser bonito assim no inferno.Ou então de eu ficar amaldiçoando o tal do deus por eu não ser a Natalie Portman.
Na crise em que me encontro agora esses são os detalhes mais irrelevantes do filme.
O pior de tudo, e eu estou aqui num dilema filhodumaputa de falounãofalo,é que eu chorei.No final, ouvindo aquela porra daquela música do Damien Rice que sempre me faz chorar.
Dilema porque não é fácil admitir que choro, aliás, não me lembro da última vez em que chorei assim.Um choro tão sincero, tão dolorido, tão soluçado.Tão meu.
Porque sempre que tenho tpm choro.Ou quando corto cebola(sim!aquela maldita sempre trava uma guerra fidumaputa comigo, e se infiltra sorrateiramente nos meus olhinhos!humpft!).Ou então quando assisto a filmes que são tristes ou passíveis de choro.Não!Não choro em comerciais de margarina...=]
Dessa vez chorei por mim mesma...
Muitas vezes guardamos tanta coisa dentro de nós, que vão se amontoando ali, no princípio quietinhas, depois mais reclamonas(bem parecidas com a segunda-feira),mas chega um dia em que elas se tornam uma bateria de escola de samba do Rio(é!tem que ser do Rio!Ou vai me dizer que a bateria da escola da vila carvalho dessa porra desse fim de mundo presta?!).
Esses dias um aluno me perguntou se eu não tinha coração.E eu disse a ele que ao invés do coração, tinha pedido pro tal do deus dois cérebros...E sempre brinco que tenho um coração de gengibre...Afinal, é amargo pra cacete aquela porra...
(ps:desculpas pela "boca suja" de hoje...sei que é feio e mamãe ensinou a não falar coisas feias...mas, sempre que choro fico totalmente fora do controle, como se isso ativasse o meu modo "personagem neurótica assassina by Tarantino")
Não racionalizei a respeito do tal do choro.Aliás...Despejei-o da minha vida por atraso no aluguel...Mas eu já sei bem quando é que o maldito aparece...Sempre que tá precisando de abrigo, dinheiro ou algum livro emprestado.¬¬
Se bem que acho que pedi(mesmo que inconscientemente) pra ele vir me fazer uma visitinha...
Comi feito uma criança da etiópia dentro de um McDonalds.Sim! Apenas coisas engordativas.Tomei dois litros de Coca,mais um pouco de café.Quase uma caixa de Bis foi pra dentro de minhas celulites(que agradecem a festinha).Só esqueci do sorvete...
É uai...Sempre que alguém em algum filme de Hollywood tá em crise aparece com um puta pote de sorvete de creme na mão...
E dá-lhe lágrimas e dá-lhe sorvete...
Há quem diga que é melhor "afogar as mágoas" com a cerveja...Mas eu prefiro a companhia dela pra me alegrar.Afinal, uma companheira tão querida não pode ser lembrada apenas em maus momentos...
Mas...A grande questão é!Eu não queria afogar as lágrimas...Aliás...Eu nem sabia que tinha alguma coisa pra afogar(talvez o governador...ia ser divertido afogá-lo em uma banheira com gelo,álcool e giletes!)(ps:não...não posso ser presa por isso...não citei nomes....=]).
Mas elas vieram,lépidas e faceiras ao meu encontro...Malditas!
Sabe...Meu coração de gengibre vezemquando reclama,mas eu dou um chocolate pra ele e um pouco de rockn roll e logo ele se aquieta.Mas estou mesmo cansada.De não saber o que diabos é amar.Aliás,pra mim isso é uma mentira muito da mal contada.
Ops...Desculpem ex-namorados que estão lendo isso aqui...Agora vocês devem estar achando que sou uma mentirosa, que disse eu te amo.Devo ter tido meus motivos.E se nãos os tive, fuckoff...
Não é agora que vou me importar com os seus hipotéticos sentimentos(se já não me importava antes, imagina agora que tenho mais o que fazer...).
Ops denovo...Imagina se meus prováveis paqueras lêem isso aqui...Danou-se mermão...=] É meninos...Já vou lhes avisando, este aqui é um parque de diversões no qual sempre acaba a luz no meio da festinha.Então a diversão é rápida e instantânea.Aproveite enquanto é tempo...=]

É...Meu(minha)caro(a)leitor(a) (sim!estou viciada em Machado =]), infelizmente eu sou assim...E não, não estou fazendo pose, apesar de ser frequentemente chamada de poser, afinal, não tem porquê eu ficar fingindo uma coisa que não sou nas palavrinhas que são a continuação de minhas veias cafeinadas...

Fico imaginando se um dia terei um relacionamento pelo qual chorarei e me jogarei no chão pedindo pra criatura não me deixar.Se vou devotar tanto amor a alguém quanto devoto pros meus livros,ou pra minha imagem no espelho.Se vou querer dividir a cama.Enfim, todas essas coisas que vêm de brinde com o tal do amor...

Manuel Bandeira uma vez disse que "amar é perder a própria alma"(ou uma coisa assim...estou com preguiça de procurar a citação ipsis literis...)...Se for assim, não quero ficar sem a minha não!Humpft...Até porque já está penhorada com o senhor demo...
Talvez daqui a algum tempo isso mude...Talvez não...Mas não quero ficar pensando nisso agora...
Prefiro voltar a pensar em porquê demônios não sou tão linda quanto a Natalie Portman, ou então quando vou achar um cara tão lindo quanto o Jude Law pra me divertir na montanha russa...
Afinal, a senhoradonaincrível Clarice já me sussurrou uma vez aqui nos meus ouvidinhos "não se preocupe em entender...viver ultrapassa o entendimento"...

Então vivamos...Mas rápido viu.E com paixão.Já que a qualquer hora a luz do parquinho pode acabar...

14 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (ai meus cabelos...)

Leia ouvindo: Com que Roupa (Noel Rosa na voz de Chico Buarque)

Hoje estava falando pra Karlinha(a irmã mais nova do Thon que também é minha irmã porque a amo) que ela deveria cortar um pouco o cabelão...
A menina tem aquele cabelo compridérimo,liiiiiiiso e totalmente adolescente.Reluta até o último fio daquelas madeixas em cortar a tal "força de sansão".Mas...Depois de uma conversinha ela disse que ia pensar...(se é verdade não sei...às vezes ela disse isso só pra eu parar de encher o saco né? =]).
Fiquei pensando em como o tal do cabelo pode ser tão importante nesse nosso mundo.Principalmente no mundo adolescente.Diga a uma adolescente pra cortar o cabelão Alanisnafasedojaggedlittle e você ganhará uma inimiga temporária!E parece que essa é uma das muitas coisas que não mudam nessa fase da vida(além dos diários, que hoje se tornaram mais virtuais e menos cheios de códigos pra esconder das mães; das fases de usar roupas terríveis só pra quando ficar mais velha pensar "meu deus!como tive coragem de usar isso!" e outras cositas más...).
Me lembrei de quando tinha lá meus 12 anos, e um cabelo gigaaaante,quase batendo na bunda, tão liso quanto um pedaço de seda e de um loiro que não tinha em marcas de tinta naquela época(por falar nisso...como os nomes e os tons das tintas evoluíram nesses últimos tempos mininu!em dias que não tenho muito o que fazer, e já cansei de passar vontade olhando os dvds na Americanas, vou dar uma espiadinha nas tintas.tá!isso é realmente não ter o que fazer...mas pode até ser um passatempo terapêutico se você der graças aos deuses de nunca ter tido o cabelo da cor "acajuflamejante".=]).Um maldito dia resolvi deixar o cabelereiro cortar meu cabelo além dos tais dois dedinhos de sempre(outra coisa a questionar!porque diabos eles não entendem o que são dois dedos?!nesse dia aí saí do salão com quase um palmo de cabelo a menos!humpft!).Lembro bem que o tal corte da moda era igual ao da Sandy...Afff...Sim!Já tive o cabelo igual ao da Sandy..=]
Passado um bom tempo, lá pelas minhas 16 primaveras(urgh!que brega esse negócio de primaveras né?!mas vai ficar assim mesmo...pra eu poder ver que vezemquando posso ser brega!) resolvi pedir pra cortar uns três dedos(quem sabe dessa vez eles me entenderiam...).Pra quê?!Entrei no salão com o cabelo na cintura e saí de lá com ele no ombro!!!Lembro da cabelereira falando "mas assim você vai parecer mais jovem!é mais moderno" e eu saindo com os olhos cheios de lágrimas e com uma puta vontade de xingar o cara que inventou os cabelelreiros!!!
Pronto!Estava iniciada minha odisséia capilar!Sim!Porque daí em diante meus caros, a coisa só piorou...Aliás...Minha cacholita virou "laboratório de testes"...
Logo depois dessa tragédia resolvi pintar o cabelo de azul.Mas...Naquela época não eram tão divulgadas as lindíssimas tintas Jeans Color...Então, eu e umas amigas (da onça, diga-se de passagem...) resolvemos passar um tal de "azuldemetileno" no cabelo!É...Depois que cresci e descobri o que era fiquei com essa mesma cara estupefata que você está fazendo agora!Mas...
O pior, é que o tal do metileno lá, depois que desbotava ficava roxo e logo depois verde...Pensa que bunitu!
O pior de tudo é que eu era a única loira(psiu..não espalhem esse negócio de eu ser loira por aí oká...=]) logo o trem só pegou no meu cabelo!!!Elaiá viu...
Mas...Não pára por aí não minha filha...
Quando entrei na faculdade botei na cabeça que devia me "libertar do materialismo", ou sabe-se lá demônios o que eu tinha na cabeça naquela época!Mandei o cara cortar meu cabelo joãozinho.O pior dos pesadelos é que foi bem na época em que o filme "Meninos não choram" fez sucesso, e meu rosto é(ou na época devia ser) deveras parecido com o da guria que fez o filme.E os meninos na facul ficavam me chamando de Brendon, e dizendo que eu parecia um menino!
Sabe aquele trem chamado "auta estima"?!Pois é...Fugiu de mim nessa época como se eu fosse serial killer...
Por um tempo fiquei quietinha, esperando o raio do cabelo crescer...Cresceu!Até o ombro.Mas...Como eu não fico muito tempo sem fazer traquinagens pintei de vermelho.Mas não um vermelho qualquer,ah,isso não!Tinha que ser um vermelhocordepalitodefósforofosfuorescente!!!Elaiá...A cara da minha mãe quando viu foi "ó pai!o que que eu fiz de errado?!".Mas...Meus alunos achavam o máximo!Sim...Eu já era professora nessa época...Imagina...Que belo exemplo hum...É que você não sabe o que vem a seguir...O quê?!Se eu consigo piorar?!Mas sempre é possível piorar rapaz! =]
Um belo dia (nos baixos dos meus 19 anos) resolvi que queria ter o cabelo cor-de-rosa.E lá fui eu pro salão lépida,insana e faceira.Porque comigo as coisas eram assim,quero e é agora(e assim foi meu piercing...eu tava lá andando no shopping sem nada pra fazer antes de dar aula...olhei uma lojinha com a placa "fura-se piercing".achei bacana.entrei.pedi um piercing no umbigo e saí de lá como se tivesse acabado de comprar uma pulseira...).
Não sei o que era pior...Ser ponto de referência na rua (onde você tá? ah!to do lado de uma louca com o cabelo corderosa aqui!), as crianças chorarem ao me verem,ou a conhecida cara de desgosto da minha mãe...Durou um mês a tal da tinta.E o cabelo ficou horrivel!!!Não havia cristo que fizesse com que ele tivesse cara de cabelo de gente...Parecia mais aqueles cabelos de barbies falsificadas...¬¬
Num belo dia de tpm fui lá na dona cabelelreira e mandei passar a máquina 3.É!Isso mesmo!Aquela que os soldados passam quando entram no quartel.Por incrível que pareça ficou bem melhor...O problema é que ainda era loiro o maldito...Pois fui lá e lasquei tinta vermelhona de novo.Dessa vez menos vermelhocordepalitodefósforofosfuorescente, mas ainda assim vermelho sem preguiça de ser vermelho(porque vamos combinar...tem umas cores que só podem ter preguiça de existir né...o que diabos é aquele amarelo pastel?!eita cor preguiçosa e feia!).Bom...Sosseguei por uns dois anos com o tal do vermelho...E fui deixando o cabelo crescer.Até o ombro, lugar do qual o pobre nunca mais passou, diga-se de passagem...
Mas...(você achou que acabou?!quá!)Num terrível dia, o coordenador da escola em que eu daa aula disse que os pais estavam reclamando do meu cabelo "muito chamativo"...Num ato de desespero fui lá e pedi pra mulher passar preto(afinal,era a única coisa que tiraria o tal vermelho...e acho que também seria um pouco chamativo se eu tivesse ficado careca...).
Achei lindo!Descobri que deveria ter tido o cabelo preto há muito tempo...Mas...Isso não me impediu de perder o emprego...=/Pois é...A nova desculpa é que eu parecia nova demais e por isso parecia aluna(quá!isso porque eu já tinha 22 e dava aula pra alunos de 15!)(Por um lado meu ego ficou feliz,afinal,eu parecia ter bem menos idade do que tinha...Mas a minha conta bancária...Nunca me mostrou tanto a língua!).
Arrumei outros empregos.Mas o cabelinho continua o mesmo...Preto.Por agora na altura do queixo.Sem o corte ameliepoulain que usei por uns tempos...
É...Parece que enfim minhas crises de identidade resolveram tirar umas férias...
Porque no fim das contas, descobri que o tal do cabelo chega a ser uma de nossas identidades...Até mais do que a roupa.Porque mesmo nuazitas, o cabelo continua ali,firme e forte, te mostrando a língua.
Dias atrás pensei em deixar o bendito crescer...Mas...Deixa assim mesmo né...Vai que as tais das crises resolvem voltar das férias?!
Blérgh!

13 de fevereiro de 2007

Como diria...(Chico Buarque)

Folhetim

"Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim"...

9 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Cadernos rabiscados e sonhos)

Hoje foi o primeiro dia de aula.Sorrisos,abraços,sonhos,cadernos branquinhos loucos para serem usados,e eu ali, olhando tudo do lado de fora...
É.Não foi o meu primeiro dia de aula,mas o dos meus alunos...
Hoje, olhando todos aqueles adolescentes com os olhinhos brilhando e os sorrisos escancarados, me deu vontade de chorar.(psiu!não conta isso pra ninguém hein!senão acaba com a fama de má =]).
Uma tristeza me toma conta cada vez que um ano letivo se inicia.Mas não é uma tristeza má não(igual a da dona bruxa má que me deu a maldição),é uma tristeza de saudades... Porque vejo que aquela minha época está ficando cada vez mais longe, cada vez mais no passado.
Lembro dos meus primeiros dias de aula.Da ansiedade da véspera.De "o que eu vou vestir?"(se bem que a gente usava uniforme.E que uniforme terrível aquele.Passo a acreditar que é graças aos uniformes que as meninas desenvolvem complexos alimentares!sim!pensa bem...como é que demônios você vai se achar bonita num uniforme gigante às 7 da manhã, com aquela parte do cabelo que briga e esperneia porque quer ficar do lado contrário de todo o resto do cabelo?!impossível!).De ficar pensando se iria entrar algum gatinho novo na escola(se bem que era pensamento vão...porque eles não me davam muita bola.nerd demais.feminina de menos...).De matar a saudade dos professores queridos.De escutar as aventuras de férias dos meninos(porque as minhas sempre eram os livros novos que li,ou então o que eu tinha escrito...).
Hoje, olhando todos aqueles adolescentes com os olhinhos brilhando e os sorrisos escancarados, me deu vontade de chorar.(psiu!não conta isso pra ninguém hein!senão acaba com a fama de má =]).
Aquela timidez de escola nova.O medo de não encontrar ninguém igual a você e bum!Acaba trombando em alguém que só não é você porque nasceu com barba ao invés de tpm...=]
Os cadernos novos...Que saudades sinto deles...Esses dias fui comprar o material da Gigi(minha irmãzinha linda!) e me deu vontade de comprar um caderno, desses cheios de adesivinhos,cheirosinhos, só pra relembrar o cheirnho de novo que só a adolescência pode ter...

Mas agora eu não sento mais naquelas cadeiras.Já não fico contando os minutos pra hora do intervalo chegar.E também não fico mais enlouquecida com aquelas malditas funções de segundo grau, que só fui descobrir pra que serviam depois que saí da escola.
Agora eu sou aquela figura, que fica lá, pertinho do quadro.Muitas vezes com o olhar longe e triste,pensando se aqueles a sua frente lembrarão dela um dia.A pessoa que espera poder mudar o mundo com palavras,sorrisos e um pouco de ironia.

Hoje recebi tantos abraços.Tantos sorrisos sinceros e tantas reclamaçãos por estar dando aula pra essa ou pra aquela turma.Que acabei pensando que talvez um dia eu seja lembrada.Há pessoas que dizem que professoras são segundas mães.Eu sou a madrasta!(rapaz!há quem diga que sou o cão! =])Ou a irmã mais velha.Que puxa a orelha mesmo, e faz aprender mesmo que na marra.Mas que também se desespera e sofre, quando vê um de seus pestinhas sofrendo.
Ser professora talvez não seja o sonho de muita gente.Mas já foi o meu um dia.E continua sendo.Mesmo que eu ainda sinta saudade da época que ficava ali,sentadinha na carteira da frente,anotando tudo o que os mestres diziam.

Mas não pense que não sento nessas cadeirinhas mais.Vezemquando, ao passar exercícios pra fundir a cacholita dos malinhas, vou lá pro fundão prosear com os meninos.Afinal, hoje eles me dão bola...=]

8 de fevereiro de 2007

Como diria... (Caio Fernando Abreu)

"28 de janeiro
Hoje é dia de mudar de casa, de rua, de vida. As malas sufocam os corredores. Pelo chão restam plumas amassadas, restos de purpurina, frangalhos de echarpes indianas roubadas, pontas de cigarro (Players Number Six, o mais barato). Chico toca violão e canta London,London: no, nowhere to go. Poucos ainda sorriem e olham nos olhos.
Hoje é dia, mais uma vez, de mudar de casa e de vida. Os olhos buscam signos, avisos, o coração resiste (até quando?) e o rosto se banha de estrelas dormidas de ontem, estrelas vagabundas encontradas pelas latas de lixo abundantes de London, London, Babylon city. Alguém pergunta: "O que é que se diz quando se está precisando morrer?". Eu não digo nada. É a minha resposta.Sento no chão e contemplo os estragos de Sodoma e Gomorra.
Amanhã é dia de nascer de novo.Para outra morte. Hoje é dia de esperar que o verde deste quase fim de inverno aqueça os parques gelados, as ruas vazias.Hoje é dia de não tentar compreender absolutamente nada, não lançar âncoras para o futuro.Estamos encalhados sobre estas malas e tapetes com nossos vinte anos de amor desperdiçado, longe do país que não nos quis. Mas amanhã será quem sabe o acerto de contas e Jesuzinho nos pagará todas as dívidas?Só que já não sei mais se acredito nele.
(...)
Só espero, não penso nada. Tento me concentrar numa daquelas antigas sensações como alegria ou fé ou esperança.Mas só fico aqui parado, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada.
(...)
Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cujas malhas se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva.Vida?Bem, seja lá o que for isto que nós temos..."

(In: Lixo e Purpurina - Conto do livro Ovelhas Negras)

7 de fevereiro de 2007

Escrivinhações de baú (Encasulou-se e passaram-se séculos)

Supondo que as esperanças voltassem, mesclou-se flor. Recriava em si o fim do eterno, assim como buscava no espelho explicações de porquês. Sufocava-lhe a imagem de cores pálidas vagando entre sol e só, buscando nas letras dos pulsos suspiros de histórias que guardou no baú de nadas.
Levantou-se de sim mesma tentando tocar a névoa de suas ilusões que teimavam em brincar de esconder. O som invadia suas veias pulsantes a procura de sonhos.
Caminhou até o pôr-do-sol para banhar-se em seus raios sentindo ânsias de rasgar o véu do tempo e atirar-se livre nas asas da eternidade.
Nas cores das vozes de seus olhos encontrou o azul que roçava suas lembranças de ser sol.
Teceu com as solidões os braços cujas mãos envolveram suas inquietudes. As lágrimas formaram o fio de magia na dança das velas.
Encasulou- se e passam-se séculos.
Com o toque sinfônico do luar, desadormeceu e suas mãos realizaram o sonho de asas, percebendo que somos apenas as plumas que caem das asas de deus.

Como diria... (Caio Fernando Abreu)

"2 de março
Chorar por tudo o que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vontade de gritar que essa dor é só minha, de me pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão sem osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

(In: Lixo e Purpurina - Conto do livro Ovelhas Negras)

5 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Sobre meninas e bolsas)

Hoje fui limpar minha bolsa.É, tirar os papéis que se acumulam, ver se não tinha nenhuma balinha que por traquinagem fugiu do papel para ir brincar com as formigas, ver se encontro uma moeda de desespero perdida, essas coisas.
Mininuducéu!Quanta coisa pode-se ser capaz de acumular em tão pouco espaço!Fico pensando que talvez estivesse certa a pessoa que proclamou que é perigoso mexer em bolsas de mulheres.Vai saber o que sairá de lá de dentro...
Bom, na minha (que é bordô, ou qualquer cor que venha do roxo com vermelho, ou uma variação esquisita que poderia até ter um nome criativo ou totalmente obsoleto quanto fúcsia, por exemplo)(ah!e grande!bem grande)(ah!e que ganhei de presente do Thon Thon) encontrei o de sempre: um livro(por agora Memórias Póstumas de Brás Cubas, do magister Machado), uma agenda(de papel reciclado, porque ajuda a salvar as pobrezinhas das árvores indefesas e porque é bonito!), um estojo(que descobri ser pequeno demais pro tanto de canetas que insisto em ter, afinal, metade delas estava jogada na bolsa), uma carteira(vermelha, retangular da Hello Kitty.Sim!Eu tenho uma carteira da Hello Kitty!E daí?!)(Oi?Eu não tenho mais idade pra isso?Ora bolas!A carteira é minha!E eu escolho a minha idade mental no quesito utensílios!O único problema é quando a tiro da bolsa e as pessoas ficam me olhando com aquela cara "seráqueessameninanãotemnoção?".Não, não tenho!Ponto!), um batom(lálálá!quem não tem um batom na bolsa que atire o primeiro lápis de olho(que inclusive também estava lá, o maldito!e eu que revirei o quarto em busca dele!)Tá.Houve um longínquo tempo em que eu não tinha batom na bolsa.Mas depois que descobri que eles têm filtro solar, e não deixam minha boca descascar, acabei por aceitá-los como inquilinos na minha bolsa, e na vida), uma crossword(porque ativa a área do cérebro em que ficam guardadas as palavras de dicionário), um casaco(dessa vez é um preto, com listras rochas nos braços), um livro da Mafalda(porque ela é muito, muito divertida e inteligente),umas moedas que se esconderam no rasgo interior que existe misteriosamente na bolsa e que foram brincar com os papéis de balas que eu nem seuqer lembrava que um dia havia consumido, papéis de divulgação, que aquelas pessoas enfadonhas colocam na sua cara na rua, uma caixinha de TicTac, um isqueiro, que eu jurava ter perdido(porque o sem-vergonha foi lá participar da festinha com as moedas,os papéis de bala e as formigas), um maço de cigarros(Marlboro Vermelho Maço)(é incrível quando vou comprar cigarros e digo ao vendedor "quero um marlboro vermelho maço,por favor" e ele me pergunta"maço ou box?"Putaquepariu!Eu acabei de dizer!Qual é o problema desses vendedores?O arquivo de voz que leva as informações ao cérebro só faz o download de duas em duas palavras é?),chaves penduradas num chaveiro abridor de garrafas(que segundo minha mãe é porque sou cachaceira, mas eu discordo veementemente!) acho que só.
Nossa!Me lembrei agora da primeira vez que roubaram minha bolsa e tive que ir à delegacia fazer o tal do BO.Na época, não sei se pelo nervosismo, ou pela incapacidade mesmo, não conseguia me lembrar de tudo o que havia nela quando a tiraram do meu convívio, e achava isso humanamente impossível.Afinal, naquela época ainda estava na faculdade, e é possível que houvesse mais coisas naquela bolsa do que pode imaginar nossa vã ignorãncia...
Bolsas podem até parecer um assunto fútil à primeira vista.Mas pense em quanto de uma pessoa se pode conhecer através de uma bolsa...Eu mesma posso ser considerada neurótica, por entre milhares de outros motivos, porque sempre carrego um casaco na bolsa.Esteja 10 ou 40 graus, lá está ele, feliz e contente por deixar o guarda-roupa e ir passear.
E você, o que tem escondido dentro de sua bolsa?

4 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Maus Hábitos)

Leia ouvindo: Apesar de você-Chico Buarque

Acabei de levar aqueeele ralo da senhora dona minha mãe...Humpft!

Ela disse que daqui a pouco em minhas veias circulará cafeína ao invés de sangue, e que meu pulmão estará tão preto quanto a situação do país...Quanto a primeira afirmação, acho que o daqui a pouco é já.=] Quanto a segunda, não creio que algo possa superar a situação preta do país.Pensando bem, talvez a situação lastimável da áfrica...Mas...Cada comparação em seu território,hum...
Depois disso parei pra pensar em velhos e novos maus hábitos...
Oras!Eu sou a Minina Má, logo meus hábitos são maus...(tá!isso foi infame...=] ).
Há dias em que juro que vou começar a fazer academia.Mas quando penso na quantidade de suor,horas pegando peso e conversas sem um mínimo de neurônios por trás, deixo pra lá essa divagação.
Em outros dias prometo a mim mesma(e aos ventos que são obrigados a me escutar quando penso em voz alta (ps:pensamentos em voz alta são mais persuasivos, ao menos pro meu cérebro meio moco =]) )que vou me alimentar direitinho, comer mais saladas, mais frutas, menos junkie food, enfim...Mas...Chego em casa e minha mãe fez aquele macarrão!Os dias são tão corridos que vou almoçar um sanduba lá pelas 4 da tarde.Fins de semana de balada preciso comer antes de chegar em casa, isso às 5 da manhã, aqueeele lanche nada gorduroso e super nutritivo.Como diabos vou conseguir me alimentar direito assim?!
Há coisas que fazemos tantas e tantas vezes sem nos dar conta, e que podem se tornar tão ruins quanto assistir Faustão ao invés de ler. Jogar lixo na rua(lálálá!eu não jogo, mesmo aqueles papéis malditos que distribuem na rua, coloco na bolsa e jogo no lixo em casa, afinal, essa maldita cidade tem menos lixeiras que gente pensante!); deixar tudo pra depois(tá!isso eu faço.Sou brasileira, ora bolas!Mas isso é feio!Muito muito feio!E estou tomando medidas drásticas quanto a isso...); não sorrir(eu sorrio sempre!sozinha, acompanhada, que é beeem melhor,dormindo...e não consigo entender porque demônios há pessoas que têm preguiça de sorrir...É uai!Só pode ser preguiça!Porque tem gente que passa a vida toda sem nem um sorrisinho de Monalisa sequer!Ou será que é defeito de fabricação?!Bom...Prefiro acreditar que é preguiça...); dormir demais(sim!dormir é muito bom!mas se você dorme mais do que é humanamente necessário, sua vida passa pela janela, que está fechada nessas horas...Eu durmo muito,mais do q deveria,e depois vem a Dona Culpa(maldita!ela sempre entra sem ser chamada!) me aporrinhar a paciência!); não acreditar em si mesmo(ô coisa triste isso viu!você achar q todo esse potencial em sua cacholinha é um mero holograma, e deixar que o tempo passe sem acreditar que você pode mais do que acha...Vezemquando faço essa palhaçada, de deixar meus fantasmas(que moram no lado direito superior do meu cérebro, vizinhos da Dona Culpa, inclusive) levarem minha crença em mim embora...

E são tantos, e mais tantos hábitos ruins que tomam conta das minhas veias cafeinadas, que chego a pensar que vou ter que dar um jeito de controvertê-los...Colocá-los na escola e dar-lhes uns safanões pra ver se viram bons meninos!Ah!!!E fazê-los escrever mil vezes "eu juro que serei um bom hábito!"...
No fim das contas, meus amores, temos mesmo é que aprender a lidar com nós mesmos.Nunca deixaremos de fazer coisas consideradas ruins, afinal, somos fazedores de traquinagens por excelência, desde o tempo em que a Dona Eva comeu a tal da maçã(reza a lenda né...).O que devemos fazer é tentar fazer com que nossa vida seja a melhor possível, pra podermos ficar bem velhinhos e contar nossos maus hábitos pros nossos netinhos, e vê-los com os olhinhos brilhando(e a cacholinha pensando em fazer igual)...

Mas...Eu juro que prefiro os meus hábitos, mesmo que não sejam bons garotos, a aqueles horrorosos que as freiras(ainda existe alguma por aí?faz tanto tempo que não vejo nenhuma que acho que elas viraram tão lenda quanto à volta do Michael Jackson e os tais políticos honestos) usam.Blérgh!

Como diria... (Machado de Assis)

"Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da Terra, por que, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e do Epicuro. Enquanto esta idéia se trabalhava no famoso trapézio, lançava eu os olhos para a Tijuca, e via a aleijadinha perder-se no horizonte do pretérito, e sentia que meu coração não tardaria a descalçar as botas também. E descalçou-as o lascivo. Quatro ou cinco dias depois, saboreava esse rápido, inefável e oncoercível momento de gozo, quw sucede a uma dor pungente, a uma preocupação. a um incômodo...Daqui eu inferi que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoariam a felicidade terrestre. E em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas."
(In: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Cap. XXXVI)

Insanidades Aleatórias (Lixo, papéis e memórias...)

Há dias em que a vida parece passar tão, mas tão devagar diante de nossos olhos, que eu posso jurar que o cara que cuida da edição do tal do tempo gosta por demais da teclinha de slowmotion...
Hoje meu dia se esvaiu, como aquelas gotinhas de chuva que ficaram teimosas nas folhas das plantas, querendo só mais um pouquinho de abrigo.Cada raio de sol parecia infinito diante de todos os pensamentos que tentei esconder de mim mesma.
Sem querer fui tomada por lembranças, sorrisos e chorinhos escondidos no escuro.
Hoje foi dia de jogar o lixo fora...
Sabe aqueles papéis que você guarda por um tempão?Provas da escola, xerox da faculdade, bilhetinhos de butecos...Pois é, me desfiz de muitos deles hoje.Principalmente das provas da escola e dos bilhetinhos...
Enquanto aqueles papéis iam da minha mão para o lixo, ou então para uma nova pastinha para serem guardados por mais tempo, um filme ia se passando na minha cachola.Imagens de pessoas, lugares, toda uma sorte de personagens que fizeram parte da minha história.
Me surpreendi ao encontrar papéis que nem lembrava mais que existissem.E me surpreendi muito mais ao ver como eles têm o poder de despertar meu coração de gengibre (é...coração de gengibre, mas essa história fica pra uma outra hora...senão, haja espaço!).
Não tive coragem de jogar as cartas de adolescente fora, aquelas que minhas amigas da cidade de onde vim me mandaram, cheias de saudade.Também não consegui jogar alguns ingressos de shows(principalmente o do primeiro show do Bando =] ).
Mas joguei sem dó nem piedade coisas das quais achei que nunca fosse me desfazer.Bilhetes de amores vãos.Set lists pegos com suor.Escrivinhações escritas à mão.Cartas que nunca foram enviadas.
E percebi como nossos "apegos" mudam...Não todos, pois há aqueles que fazem parte de nossas veias (nas quais, no seu caso, deve correr sangue, enquanto que nas minhas corre cafeína) e não podem, por mais que queiramos serem separados de nós.
Meninoducéu!Encontrei minha caixinha secreta com meus diários!E fiquei pensando se minha mãe um dia já "encontrou" também.Em muitos escrevi em código...Lembra daqueles códigos absurdos?!Quanta criatividade pode existir em nossas cacholinhas traquininhas de adolescente hum? =]
Bom...No fim das contas(e dos lixos) reduzi a papelada e a memória em pelo menos um terço.Ao menos sobra mais espaço pra mais uns 10 anos.Se bem que nessa época de máquinas, talvez não haja, daqui a um tempo, tanto espaço para papéis...
Mas, com certeza, eu vou continuar guardando meus guardanapos escrevinhados, as cartas, os bilhetinhos e a memória, porque essa, apesar de às vezes ser bem preguiçosinha, pode guardar mais coisas que a maldita biblioteca do Vaticano.

3 de fevereiro de 2007

Como diria... (Machado de Assis)

"Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um tanto agastada(...)Sim, talvez, lá no fundo de si mesma me chame cínico. Eu, cínico alma sensível?Pela coxa de Diana!Esta injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue lavasse alguma coisa neste mundo.Não, alma sensível, não sou cínico, eu fui homem; meu cérebro foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a comédia louçã, a desgrenhada farsa, a bufoneria, um pandemônio, alma sensível, uma barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver tudo, desde a rosa de Esmina até a arruda do teu quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o recanto da praia em que o mendigo tirita o seu sono.(...)Retira ,pois, a expressão, alma sensível, castiga os nervos, limpa os óculos - que isso às vezes é coisa de óculos - e acabemos de uma vez com esta flor da moita."
(In: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Cap. XXXIV)