13 de novembro de 2007

Eu anuncio o fim...

Pois é, caro amigo que encara estas letras que preciso, mesmo que não queira, escrever. Não sei quanto a você, mas a mim, a linguagem me toma conta, como o ar entrando livreleveesolto, como só ele consegue ser.Há muito eu deveria ter anunciado este fim. Talvez com balbúrdia, como quando acabaram-se os Beatles. Talvez com estapafúrdia, como quando acabou-se a monarquia. Talvez com sangue, como quando acabou a guerra. Quem sabe com flores, como quando se acaba a vida. Ou mesmo com suor, como quando se acaba um jogo. Ah!E não posso esquecer-me da sofreguidão e angústia, do fim de todos aqueles livros que nos acompanham durante tanto tempo, que parecem fazer parte da nossa história, e não da história do mundo.Mas vamos anunciar o bendito fim logo: ANUNCIO O FIM...Péra lá...Mas será que é o fim de verdade, de verdade? E se resolver voltar, como é que fica minha cara? Igual a de tantas bandas que juraram nunca mais pisar no mesmo palco, e hoje estão aí, lépidasefaceiras com a grana do revival? Não sei se ela volta...Aliás, não sei nem se ela se vai...Não consigo determinar em que ponto ela se acaba e eu começo. Ou talvez ela seja o começo de um fim que eu tenha sido. Ou mesmo o fim de um começo meu. Elaiá! Agora tudo se enrolou, e eu já nem sei mais como é que vou anunciar...Com cara de triste, como se depois da partida sobrasse apenas uma alma partida? Vazia, como o prato de tantos brasileiros nesse paísdemeudeus? Com a cara pintada, mostrando a fúria...Mas...Fúria de quê?! De ela partir? Ou de eu deixar que ela se vá? Ou de eu saber que ela talvez nunca devesse ter existido? Ou do medo de a vida não ter mais sentido sem ela?E é assim, misturando as coisas, atropelando as razões, que eu vou adiando um poquinho mais a partida dela. Talvez ela vá tirar umas férias, ou então dividir um apartamento bacana com o Peter Pan e a Sininho...Ou então volta e implora pra ficar...Do futuro nunca se sabe, a não ser que ele virá.Mas enfim...Chega de delongas e vamos ANUNCIAR O FIM...Ah...Quantos momentos bons passamos hum...Risadas muitas...Lágrimas...Fama...Sim, porque ela era famosa!Referência quando ainda existia tabu por sobre o seu conceito. Praticamente uma seguidora de Mae West e suas frases de efeito. Mas isso foi no começo, porque depois ela criou as dela também. Aliás, ela preferia ser ela mesma, do que qualquer outra coisa nessa vida.Mas vamos logo com isso que a coitada já está louca para passear. É, porque ela confessou aqui baixinho que logo volta.Não para ficar, mas volta pra me dar um beijo e agradecer. Enquanto isso eu fico na saudade, e com uma pedaço vazio.E pela terceira vez (assim como Pedro negou seu com caso Jesus, quer dizer, vocês sabem...), eu ANUNCIO O FIM DA MININAMÁ! Pronto, falei...Quer dizer, escrevinhei... (o pior mesmo não é escrever, mas postar....porque se der na telha, esse texto fica como tantos outros meus pegando poeira nas gavetas...). Mas que assim seja!

Meus amores, é verdade...Acabo de acabar com a MininaMá. É claro que nunca deixarei de ser um pouco dela, e ela me deixará ser apenas eu. Como um alterego da vida real, nos confundimos, por isso existimos.Fica dela este blog...Que será utilizado para postar os textos do Tudo de Blog, ou então, quem sabe, pra ela dar a pinta de novo por aqui. Eu vou arrumar minhas malinhas e montar uma casa nova. Com uma cara nova, mas de gente velha. Afinal de contas, já estava na hora de mudar de ares. E olha que comecei pelo jeito mais difícil, que é mudar de ares, não no modo conotativo da palavra, emq ue ar significa situações, mas sim no denotativo, no qual ar é aquele trem que se você não inspirar pelas narinas morre! Desde o início do ano temos conversado, eu e MininaMá, e ela veio me contado que estava cansada, que nunca tinha tirado férias, que ia reclamar no sindicato...Elaiá, esses alteregos inteligentes são fogo! Resolvi dar as contas, aposentar e ainda pagar pensão, que é pra não ter problema nenhum! Mas fica-me o problema de talvez não saber ser eu mesma sem ela....

O começo antes do fim...
Pra quem está aí perdido, desde o início do post, não entendendo bulhufas, deixa eu explicar...Ou ao menos tentar, porque nem eu entendo direito...E não sou como aqueles professores que nem sabem o que estão dizendo, mas insistem em continuar "ensinando"...Enfim...Não lembro muito bem o dia, mas eu tinha 18 anos (ai que idade bonita!gostava tanto dela...pena que durou tão pouco...) e estava aquela onda toda de Mirc (sim!eu sou velha minha filha!) e de nicknames...Um belo dia (resolvi mudar, e fazer tudo o que eu queria fazer...Não!Não é isso, ou é, mas é que lembrei da música da Rita...=]), sabe-se demônios porque, um amigo meu (que irei ocultar a identidade pelo fato de não ter sido autorizada...lálálá) me chamou de menina má, e ainda reiterou dizendo "você é uma menininha muito má!".Ah rapaz!Pra quê!Minha imaginação já criou ali não só um nickname, mas um mundo! E ele cresceu, cresceu, cresceu e ficou do meu tamanho... Em torno da MininaMá coloquei tudo o que talvez eu não tivesse antes, não como uma farsa, mas como uma compensação (por toda a minha adolescência...mas isso é loser demais, e não vou ficar sendo dramática bem num texto sobre a MininaMá né minha gente!)...Enfim...Eu me tornei ela, e ela se tornou a PatríciaPirota. Coisas de quem leu a vida toda, e viu todos os heterônimos de Pessoa, os alteregos de tantos outros, a loucura tomando forma de gente, e a si mesma.Às vezes penso que deveria assumir a MininaMá para sempre, e sair por aí andando de mãos dadas com ela até o caixão (mórbido mas totalmente real tá!). Mas por outras penso que talvez seja a hora de me tornar um pouco mais clara, menos cheia de referências, mais cheia de mim mesma. Coisas da idade, talvez...Afinal de contas, não posso ficar como a Mafalda, que tem 6 anos(ou serão sete? enfim)a vida toda...Meus anos também querem passear...E com isso fico eu, cuidando das experiências que eles tiveram...Não posso ser uma adolescente para todoosempreamém!, embora eu não negue que por muitas vezes o quis... Mas há impossibilidades nesta vida que devem ser comrpeendidas e aceitadas, o que é o caso de não poder ser adolescente pra sempre!Báh...Deixemos de conversa que eu ainda tenho um blog novo pra criar...E desta vez sem alteregos. Ou será que PatríciaPirota é um alterego?!Aisenhor!Quemsoueuondeestou?!Ps:foi num pseudosurto assim que MininaMá criou forma (e barriga, afinal de contas, o criatura que bebia!). Mas desta vez não será igual...As grandes coisas em nossa vida só são grandes porque são únicas, senão não teriam tanta importância. Por isso me despeço, MininaMá, que, sabe-se lá porque demônios, as pessoas insistiam em dizer que de má não tinha nada... Será que elas tinham razão?Vai saber...Como diria a querida Clarice, "sou cada pedaço infernal de mim"...
Patrícia Pirota (13/11/2007)

6 de novembro de 2007

Insanidades Aleatórias (Cotidiano)

Todo dia era tudo sempre igual...Tapas e mais tapas, até que a ferida aberta desistiu de cicatrizar. Apanhava no almoço. Levava uma surra à noite. E ia dormir com a alma sangrando. Essa poderia muito bem ser a história de uma menina que apanha do padrasto, ou da mulher resignada de um alcóolatra. Mas é a minha, e de outras tantas pessoas, que, assim como eu, são violentadas a cada segundo em que a roda-viva gira neste mundo. Violência não é só assalto, tiroteio no morro, socos e pontapés... Porque toda vez que vejo uma criança passando fome, um ato de preconceito, as notícias sobre corrupção, e tantas outras manchetes dos jornais, minha alma se sente chicoteada. E essa dor não há gelol que cure, e nem beijo de hortelã que alivie...
Especialmente destilado para o Tudo de Blog (Pauta: Violência)

2 de novembro de 2007

Insanidades Aleatórias (Vão-se os diários, ficam-se os blogs...)

E lá se foram páginas coloridas, canetas cheirosas, adesivos brilhantes e sonhos. Diários e mais diários de pensamentos meus, só meus. De lágrimas que ninguém podia saber que eu derramei, de beijos que minha mãe não podia sequer sonhar que eu dei, e a vontade de querer ser cinderela e ter o combo príncipe+sapatinho de cristal. Sim, senhora e senhores, eu já fui uma boa menina, que sofria, chorava, sonhava com o tal do príncipe, e tinha um coração. Mas hoje essas coisas são diferentes, mudaram, assim como eu. Hoje tenho layouts que me odeiam, uma página todinha minha e muita coisa a ser dita e desdita publicamente. E sou mais conhecida como MeninaMá do que pelo meu próprio nome, aliás, próprio nome da minha mãe, porque foi ela que me deu! Ainda tenho os sonhos, as lágrimas, os beijos (e otras cositas más) e um coração(de gengibre,mas tenho!)...Mas isso eu conto pra quem merece, ou então esqueço, porque a esquecidão faz a vida um pouco menos pesada. No final das contas, boas ou más, somos todas meninas. E no fundo sabemos que vão-se os diários, mas ficam-se os blogs...
Especialmente destilado para o Tudo de Blog

23 de agosto de 2007

Escrivinhações de Baú (Eu sou...)

"Eu sou a Patrícia Pirota, e meu eu lírico é a MininaMá.
Eu sou um turbilhão de sentimentos jogados ao léu.
Eu sou uma colcha de retalhos feita de estrelas tortas.
Eu sou uma mulher de passado+presente+futuro.
Eu sou a irmã da Gigi e da Priscilla.
Eu sou a filha da Dona Maria e do Seu Gilberto.
Eu sou a insanidade com pernas e óculos.
Eu sou um vulto preto e branco na luz da modernidade.
Eu sou a ironia e o sarcasmo personificados.
Eu sou gentil e sutil ao avesso.
Eu sou uma mulher com coração de gengibre.
Eu sou minhas escolhas feitas a cada segundo.
Eu sou café e nicotina.
Eu sou exatamente o contrário daquilo que você supõe que eu seja.
Eu sou louca por arte.
Eu sou louca de pedra.
Eu sou apaixonada por futebol.
Eu sou o vento nas curvas do caos.
Eu sou nerd.
Eu sou cinéfila.
Eu sou apaixonada por palavras.
Eu sou narcisista, borderline, neurótica e bipolar.
Eu sou viciada em música.
Eu sou bêbada.
Eu sou um baú de sonhos.
Eu sou a irmã apaixonada por meus irmãos de alma.
Eu sou apaixonada por parênteses.
Eu sou bonita.
Eu sou formada em Letras pela UFMS.
Eu sou cafajeste.
Eu sou "mais macho que muito homem".
Eu sou cruel.
Eu sou sua ressaca oblíqua.
Eu sou computeira de alma.
Eu sou escrivinhadora.
Eu sou "uma dinamite"(Nietzsche).
Eu sou gauche.
Eu sou apaixonada por homens.
Eu sou um oxímoro constante.
O que eu não sou, não me interessa!"

Patrícia Pirota (agosto/2007)

28 de junho de 2007

Escrivinhações de Baú (paz e guerra)

Não lembro do dia em que você me disse que já não era mais insano a ponto de acompanhar meus erros,escravo a ponto de seguir meus passos,amante a ponto de beijar meus sonhos,senhor a ponto de mandar em meus desejos,amigo a ponto de me levar pra brincar.
Você não mais se lembra do dia que eu disse que era sorrisos a ponto de fazer-te sonhar,menina a ponto de fazer-te crer,senhora a ponto de mudar teus caminhos,demente a ponto de molhar teus jardins,cruel a ponto de dizer-te adeus.
Não mais nos lembramos do quanto fomos sozinhos a ponto de não termos sombras,tristes a ponto de chorar no escuro,infames a ponto de despedaçar nossas palavras,vivos o bastante para abrirmos os olhos.
Hoje vivemos o que nos restou,sem pazes nem guerras, apenas uma não lembrança que dorme no espaço das esquecidões.

Especialmente destilado para o TUDO DE BLOG.

23 de junho de 2007

Insanidades Aleatórias (sobre música, desespero e ovelhas negras)

"Patty!Você tem que escolher uma música pra entrar na colação de grau!".Aiaiai,eagorajosé?!Como assim escolher só uma?!E todas as outras que estão arquivadas aqui na cachola e no coração?Como vou fazer pra escolher?Escrevo todas num papel, coloco num saco e sorteio uma?(mas aí seria injustiça com as outras!Humpft!).Escolho as de infância, em que os sonhos eram fresquinhos, ou da adolescência,em que os sonhos e medos pareciam um só?Ou vejo uma do setlist da banda e vou na fé?!Unidunidunitê...(não!não é essa não!)."Patty!Já escolheu?!","Não!Péralá!".E enquanto meu coração brincava de random, ela mesma deu o play.Me fez lembrar das sensações mais alegres,das mais tristes,das mais confusas,dos sorrisos, das lágrimas,das..."Pronto!É essa mesma!".Afinal,a melhor música é aquela que parece ser tocada com suas veias, e, sublime, paira em seus olhos."Oi?Ah é!A música!Ovelha Negra,com a santa Rita! Pois assim como ela, sempre tive um carinho especial pelas mais negras ovelhas"...

Especialmente destilado para o Tudo de Blog

6 de junho de 2007

Insanidades Aleatórias (sobre maçãs, cafajestes e fins)

"Hey...Precisamos conversar...".Esse é o código universal para "Olha meu filho,não vai dar mais pra ficarmos juntos não!". E conheço muito bem esse código,levando em consideração a seguinte estatistica: vida=1, namoros sérios=5, vezes em que terminei os namoros=5. Pois é...As más línguas dizem que sou cruel,mas eu acho mesmo é que sou objetiva!Não sou defensora do amor eterno, tampouco da piedade quando o assunto é nosso próprio bem. Meus relacionamentos foram curtos, e por isso mesmo o final não haveria de ser diferente.Já terminei por telefone(sim!atitude cafajeste e fria!), por msn(sim!atitude cafajeste e nerd!), por carta(romântica,mas cafajeste!)e duas vezes apenas dizendo "Desculpa,mas não dá mais".Mesmo que depois de todos esses "fins" eu tenha conversado olho no olho com as criaturas em pranto(Argh!Como me irrita um homem se acabando de chorar por minha causa!).
Não sei qual é o outro lado do término de um namoro.Não sei se dói.Mas sei que o "meu" lado também não é nada bom.Porque fica uma sensação de "incompetência" sabe.De "Será que eu nunca ficarei mais de dois meses com alguém?!" (essa história dos dois meses é looonga menina!deixa pra outro post!).
Só sei que prefiro falar do que calar, do que continuar ali, infeliz, ou fazendo simpatia de final de ano (ah!você conhece a da maçã?!reza a lenda que se você comer maçã no Ano Novo, a pessoa que está com você vai deixá-la!)(sim!eu já comi a bendita maçã!)(não!não deu certo...logo,ou a lenda apenas reza mesmo, ou eu que sou tão azarada que nem pra simpatia sirvo!).
Não sei se um dia minha atitude vai mudar.E mesmo se mudar continuarei sendo conhecida como a "destruidora de almas e corações" como diria minha mãe.(é!minha própria mãe!). Mas antes só do que ter que passar vários Anos Novos comendo maçã, hum... xD

Especialmente destilado para o Tudo de Blog

4 de junho de 2007

Insanidades Aleatórias (teto, abdominais e vazio...)

Sabe quando você tem tanto a fazer (ou na verdade não tem...mas inventa só pra ter a sensação de que está aproveitando a vida, pra não deixá-la passar correndo sem você...)e ao invés de levantar a bunda do sofá, apagar o cigarro e ir pro "mãos à obra", você fica olhando pro teto?! Pois então...Tenho praticado muito essa nova forma de meditação moderna (oi?!quem disse que é uma forma de meditação moderna?!Eu oras!Afinal de contas essa é uma insanidade minha...E não teria graça se eu copiasse teorias alheias...).
Às vezes até procuro outras coisas pra fazer, e esses dias encontrei a forma de "auto-sacrifício" denomida pela civilização ocidental como "exercício abdominal", ou só "abdominal" para os íntimos. (Sim!Eu sei que não é normal substituir o sofá por abdominais...E que, na maioria das vezes, qualquer pessoa que não queira fazer nada vai colocar um cd melancólico e ficar olhando pro teto, ou então inventando estorietas na cachola, ou remoendo mágoas do passado (que pode não ser nada saudável psicologicamente,mas queima calorias que é uma beleza rapaz!)...). Vai saber porque diabos resolvi substituir o teto pelos abdominais...Mas me parece beeeem melhor que curar a insatisfação com comida(ou não...Ah!Sei lá meu filho!Quem me conhece, sabe muito bem que de normal eu não tenho quase nada...A não ser esse negócio de duas pernas, dois braços, essas coisas...) (Arrá!Pensei numa explicação boa pros abdominais!Pelo menos depois eu não vou ficar neurótica porque não caibo mais no demônio do jeans, o que aconteceria caso eu tivesse comido pra disfarçar meu vazio...).
Hoje meus músculos do abdômen (que eu jurava que já tinham feito as malinhas e ido habitar um corpinho jovem e saudável de qualquer menininha por aí)doeram deveras...Assim como meu cérebro, nas vezes em que tento enfiar-lhe informações à força (como fazia minha mãe quando eu não queria comer aquele raio de comida quando era pequena...). Mas antes meus músculos (sejam abdominais ou cerebrais) doendo, do que o vazio tomando conta de meus olhos...
Andei pensando que talvez seja o medo do vazio que nos impulsione a buscar cada vez mais e mais informações ou coisas pra fazer...Enfrentar o Sr. Vazio é como enfrentar os chefões de qualquer jogo (Lembra dos malditos chefões do Sonic?!Sacripantas!!)...Difícil, demorado, nem sempre você consegue, e quando consegue o que vem a seguir?!Hein hein?!Uma nova sensação de vazio...
"Me sinto tão plena de vazios, que a solidão em mim reverbera...", já dizia a senhorita Patrícia Pirota em uma de suas escrivinhações...(Uia!Essa tal aí sou eu...).
Agora deixa eu ir fazer uns abdominais, ou então sentar no sofá e fumar olhando pra lua (pra variar um pouco o teto...)... Antes que o bicho papão do vazio queira me levar pra passear...

1 de junho de 2007

Poemetos sem aspirações... (Mentes)

Sinto-me sem infinitudes...
Somente o riso das estrelas
completa meus oceanos vazios
Sem ruídos de diamantes
Sem danças de violetas
Sem recriação de mim
Simplesmente metamorfoseada
Com fascinações esquivas
Com brumas esparsas
Entre um chão de sonhos desbrincados
e um cosmos de porquês desgramaticais.
Saussureanamente me arbitrário
Poeanamente me sobrenaturo
Drummondianamente sou gauche
Machadianamente me oblíquo
Baudelaireanamente me mortalho
Platonicamente me idealizo
Lispectoro- me em sujeitos
Garciamente sou cem solidões
Sofoclesmente me antagonizo
Russamente sou meus pais
Diariamente me mundanizo
Solitariamente me esqueço
Sem acasos, sem avessos
o outro apenas
sem problematização...

Patrícia Pirota (a long long time ago...)

4 de maio de 2007

Jukebox (The Cleaners)


Ao ouvir o primeiro single da banda,"To grow old", levei um soco no estômago!Peraí!Isso é MESMO uma banda brasileira?!
Formada em 2005 no interior de São Paulo, The Cleaners é uma banda sem frescuras.Com influência de bandas como Snow Patrol e Superchunk, a banda consegue fazer o que visceralmente pode-se chamar de alternativo.
Com músicas compostas em inglês (logo saí o EP que será lançado no Dynamite Pub, em Sampa), que falam sobre o cotidiano, e principalmente fases da vida (como a própria To grow old), o grupo consegue mostrar de que nem só de português vive o alternativo brasileiro.
O vocal de Rodrigo é muito bem articulado, com um timbre que lembra os vocais europeus. Melódico, e me arriscaria a dizer até "doce", porque chega aos meus ouvidos sem agredir, sem causar "reações adversas".E por falar em composições em inglês, ele cumpre muitíssimo bem sua tarefa!Não é daqueles que cantam em "embromation", mas sim em um inglês limpo (bem clean =]) e bem cantado.
O baixo (Fernando) é forte e bem marcado. As guitarras (Rodrigo e Joseph) tem a distorção certa na hora certa. E a bateria (Duka) é muito bem cadenciada e tem uns contratempos muito bons!
Já cheguei a ouvir "To grow old" cinco vezes seguidas sem enjoar!É uma melodia gostosa, daquelas pra se escutar sentado admirando o pôr-do-sol. E não é menos róque enrou por isso!
Se eu tivesse que dar um exemplo do "novo alternativo" agora, escolheria The Cleaners.E olha que só escutei uma música hein!
Eles conseguem a façanha de fazer um som limpinho, sem milhares de distorções ou vocais incompreensíveis num momento em que a música está cada vez menos música.
Taí o MySpace dos caras:
http://www.myspace.com/thecleanerstheband
Enjoy it!Porque vale a pena!

2 de maio de 2007

Claquete, ação! (Estrelando: As Horas)


"Não se pode ter paz fugindo da vida" (Virgínia Woolf)
Adaptado do livro homôniomo de Michael
Cunningham, "As Horas" é uma exceção à regra de que adaptações nunca chegarão aos pés de suas origens. Em todo o filme tive a sensação de já ter presenciado aquelas cenas, com as mesmas cores, com o mesmo cheiro e com a mesma dor no coração.
Dirigido por
Stephen Daldry, e estrelado pelo trio de talentos Nicole Kidman, Meryl Streep e Julianne Moore, o filme é daqueles que devem ser assistidos ao menos uma vez ao ano.
Tendo como base o livro
Mrs. Dalloway, de Virgínia Woolf, o filme narra um dia na vida de três mulheres de períodos diferentes, mas que têm suas vidas entrelaçadas.
Em 1923 vive Virgínia Woolf (Nicole Kidman), uma escritora que tem sua vida atormentada pela insanidade. Dona de uma mente maravilhosa e de uma personalidade forte, Virgínia se via limitada pelo seu maior bem, sua própria alma. Sua relação com Leonard(seu marido e companheiro) era de doação,de ambos.Tanta e tamanha que Virgínia decide deixar sua vida esvair-se para que a de Leonard possa então respirar. Não há outra palavra senão "perfeita" para adjetivar a atuação de Nicole Kidman. Em todas as vezes em que ela apareceu na tela me parecia estar vendo a própria Virgínia. Não foi à toa que lhe deram com honra o Oscar de melhor atriz. A caracterização, a voz, os olhos, tudo nela respiravam a insanidade apaixonante que só Virgínia Woolf seria capaz de transmitir.
Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida com um marido exemplar. Laura é um exemplo da luta contra aquilo que não se deseja mais. Ela transpira suas exitações. Ela quer o perfeito tanto quanto o rejeita. Laura Brown é uma mulher que decide viver, mas que prefere matar o que não lhe deixa escolhas.
Julianne Moore está absurdamente bela. Não há como passar ileso por aquele rosto, sem ter a vontade de olhá-lo por quase toda a eternidade.
Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que está ocupada com a festa que dará em comemoração ao prêmio ganho por seu melhor amigo (Richard). Clarissa é uma personalidade perturbada, mas que tenta esconder com sorrisos tudo aquilo que sua alma já não aguenta mais carregar. Como diria Richard: "Sempre dando festas para encobrir o silêncio". Meryl Streep está perfeita, como só ela consegue ser. Sua atuação é tão real, tão significativa, que chega a transpôr a tela e vir direto para nosso lado, trazendo consigo nossas dúvidas e imperfeições.
As Horas é a narrativa de um dia nosso. Um dia em que temos que fazer escolhas. Um dia em que as escolhas se fazem por nós.

Virgínia não é apenas uma mente atormentada, é todo o desespero de uma mulher que já não pode controlar a si mesma. É a luta por manter-se salva de si mesma.É a personificação de uma vida em que não se sabe o que se é, mas o que se gostaria de ser. É o desejo de ir para bem longe de onde se está, mesmo sabendo que talvez isso não seja o ideal.

Laura não é apenas uma esposa ideal. É a alegoria de uma mulher que sabe exatamente o que é, mas não sabe se isto é o melhor. Que luta contra si mesma. Que volta do meio do caminho e entende que o melhor é estar viva, e que mesmo que as escolhas não sejam boas para todo o mundo, é melhor que sejam feitas.
Clarissa não é apenas uma mulher frívola. É um vazio constante. É a dor de viver no passado. É o escuro de não querer enxergar que o presente é aquilo que a faz viva. É a personificação de muitas pessoas que fogem de si mesmas, e tentam resolver com flores a sua própria ausência.

Essas três mulheres não são apenas o perfil de como a sociedade pode massacrar uma alma. São a representação de como essa alma pode agir diante da sociedade.
Diante de nossa verdadeira realidade no espelho podemos sair para comprar flores, nos atirar nas águas ou deitar e dormir. O que importa não é se conseguimos, mas que o fizemos. Afinal, a cada segundo em que o tempo escorre belo e grotesco de nossas mãos precisamos fazer uma escolha.Que irá definir se encontraremos a paz ou deixaremos com que ela se vá.
Escolha assistir o filme.E fique como eu, deitado, enquanto os créditos passam, olhando para si mesmo e ouvindo ao fundo a sinfonia de Strauss. Enquanto isso não pense nas escolhas que já foram feitas, tampouco nas que você ainda tem por fazer. Deixe apenas que elas fiquem ao seu lado, esperando que sua hora chegue. Afinal, temos todas as horas...

Ps:especialmente destilado para ThonThon.



Escrivinhações de Baú (caixa)

"Uma caixa.Um espaço vazio que possui tampa e no qual você pode guardar tudo. Nele talvez caibam todos os seus sonhos.Seus desejos.Suas frustrações.Suas palavras.Seus medos. Suas misérias.Seus sucessos.Suas lágrimas.Sua realidade. Seu suor.Suas noites não dormidas.Seus sonos.Seus muitos pares de sapatos.Seus espelhos.Seu coração.Sua alma.
A tal caixa dei o nome de Vida."
Para muitos a vida é apenas uma palavra, que passa pela janela.Que pega carona nos ônibus lotados de manhã.Que lhe lembra de que há contas a pagar.Para tantos outros talvez ela seja um estado de espírito.Ou então um estado de aceitação.
É necessário se estar vivo para aprender?Ou é necessário que ela deixe de existir,em algum ponto,em algum momento, para que aprendamos?
"Minha vida é uma caixa.Escolhi assim, afinal, a cada segundo em que o tempo escorre belo e grotesco de minhas mãos, tenho que fazer uma escolha."
Será que a vida é uma escolha?Será que preciso mesmo escolher estar viva?Ou isto apenas me acontece ao abrir os olhos pela manhã e ver que tudo continua ali, do mesmo jeito que deixei?Ou a vida é apenas uma ilusão, que nos contaram no meio das muitas histórias de dormir?
"Minha caixa é grande.Algumas partes coloridas,vivas.Outras em preto e branco mesmo."
Viver é apenas uma doação?Vivemos por quem?Para nós?Para outros?Para saudar o universo que espera que continuemos sua desevolução?
A partir de qual ínfimo momento deixamos a palavra de lado e passamos a conjugar o verbo?A vida fica ali quietinha, sentada de castigo, até que empunhemos o tal do "viver" e saiamos porta a fora com o pulmão cheio de ar para gritar aos quatro ventos que não se está além.
"Acho que hoje percebi um furo em minha caixa.Não sei o que pode passar por ali.Para fora,talvez eu perca alguma coisa.Para dentro, talvez eu ganhe o que nunca tive."
Caixas.Palavras.Verbos.Nada disso existiria se eu não tivesse aberto meus olhos hoje pela manhã e sentido o ar entrar.Talvez se ontem eu tivesse decidido não dormir por apenas 8 horas,mas por mais tempo do que qualquer maquininha possa contar.
Mas não há que se encontrar paz fora da vida.Mesmo que seja necessária uma escolha.Que ela seja a de continuar guardando tudo em uma caixa.
By Patrícia Pirota

27 de abril de 2007

Jukebox (Banda Euterpia - Cd Revirando o sótão)

Banda Euterpia - Cd "Revirando o sótão"

O cd da banda paraense destila poesia desde o seu encarte. Com um desing diferente e uma fotografia absurdamente linda e nostálgica, "Revirando o sótão" já começou sendo uma festinha para minha alma mesmo antes de seu primeiro sopro de flauta.
Sim!Flauta!A 1° música (Veneza) começa com uma melodia de sopro que me fez lembrar da época em que eu assistia desenhos da Disney, e me arrancou um sorriso simples e doce de criança.
A voz de Marisa é agradabilíssima!Uma mistura de Marisa Monte+Elis Regina que ela sustenta com personalidade, conferindo ao som "euterpiano" a nostalgia de nossas grandes vozes.
Em algumas músicas (como Gramótica e Apague o preço) as brincadeiras instrumentais me lembraram muito Los Hermanos.Assim como em outras (como Atrás de um piso estridente) pude enxergar a cadência e energia dos bons tempos de Tutti Frutti e Rita Lee.
As letras falam do cotidiano. Mas a poesia dessa "vida comum" inunda toda a sala combinada com a deliciosa melodia da banda.
Mesmo com características que nos levam a comparações, Euterpia é uma banda peculiar.Que, revirando o sótão da música brasileira, e tirando a poeira que esteve sobre as melodias doces e trabalhadas, principalmente nessa nossa geração de fast music, consegue fazer um som que combine perfeitamente tanto com o nascer quanto com o pôr do sol nosso de cada dia.

By Patrícia Pirota

5 de abril de 2007

Escrivinhações de baú (apenas um sonho...)

Eu já tive um sonho, que talvez tenha sido compartilhado com milhares de outras pessoas deste mundo.Meu sonho era grande e colorido,cheio de gás e sorrisos.Todos os dias quando eu olhava no espelho, via aquele sonho refletido em meu sorriso de confiança.
Hoje já não tenho mais esse sonho.Deixei-o perdido no passado.Talvez ele me tenha sido roubado.Ou então foi-se acabando com as horas de suor.Quando olho no espelho vejo apenas o vazio que ele deixou.
Não.Ele não foi substituído.Até porque não há outro sonho que seja tão grande e tão importante.
Às vezes ele me olha,lá do baú do passado.Triste por ter ido embora.Pede desculpas por deixar de existir.Mas diz que não podia ser tão forte quanto o mundo.
Meu sonho foi-se esvaindo assim que entrei na faculdade.É.Exatamente nesta época.Foi ficando amarelinho,sem graça,sem vida.Me pediu pra ir comprar doce na esquina e nunca mais voltou.
Desde então fico eu com a revolta.De que talvez ele nunca mais volte.De que tantas outras pessoas que também dependiam dele ficaram com seus sorrisos vazios no espelho também.
Sim!Ele tem nome.Atende quando o chamamos de "um mundo melhor", mas na certidão é registrado como "educação".
Toda vez que olho para meus alunos,uma lágrima escorre em meu pensamento.Por saber que eles não compartilham do meu sonho.Por ver que para eles pouco importa se ele já não brinca mais no parquinho.
Sinto que meu sonho seja como os contos de fadas.Que irão morrer quando ninguém mais acreditar neles.Ficarão lá,escondidos nos livros.
E sinto mais ainda em saber que não sou suficientemente boa para vencer os vilões que o prendem em seus castelos.
Espero que algum dia todas as minhas palavras vãs se espalhem pelo vento, e que meu sonho encontre alguém que o possa defender.Talvez eu esteja apenas na lembrança.Mas o vazio não mais existirá.E poderei voltar a sorrir sem sentir desespero ao pensar que minhas idéias levaram um tiro e morreram por falta de socorro...

Patrícia Pirota 02/04/07

27 de março de 2007

Escrivinhações de baú (o preço a pagar)

Qual é o preço que se paga para ser o que se é?
Ouvindo "Ana's Song" e perturbada com os flashes da minha adolescência atormentando minha mente, chego à conclusão de que o problema não é o quanto se paga, mas aquilo que não pode ser comprado.
Em meio ao turbilhão de minhas milhares de crises me sinto uma mulher em pedaços.Não pedaços esparsos e solitários, mas retalhos desiguais que formam o manto que cobre meus caminhos.
Engraçado pensar que há pouco(uns anos atrás, qque no fim das contas parecem segundos escorrendo na boca do tempo) meu reflexo no espelho era de uma menina com os olhos brilhando, me mostrando a língua por pura traquinagem.
Hoje ele me mostra uma mulher com m maiúsculo sim senhor.Tão Pagu quanto nunca desconfiara ter sido.Carrego a bandeira do que penso, e não me importo que a sociedade destile seu fel sobre minhas impressões.
Mas há dias em que desvio os olhos para o tal espelho e vejo um cantinho vazio.Talvez seja um retalho, ou uma cor esquecida nos bancos em que sentei vendo o sol se pôr.Esse vazio aí não pode ser comprado.Talvez por não pertencer a ninguém.Talvez por ter deixado de existir.
E quanto ao "tal preço a ser pago" bota aí na minha conta vai!
Que pago no dia em que meus sorrisos forem suficientes pra preencher o vazio que há em não querer mais acreditar.

Patrícia Pirota 25/03/07

26 de março de 2007

Insanidades Aleatórias (bichinhos,natureza e hipocrisia)

Essa semana encontrei muitos conhecidos meus que se dizem vegetarianos.Quando perguntei a eles porque eles haviam tomado a decisão de parar de ingerir carne, uma esmagadora maioria me respondeu que queria ajudar a salvar a natureza.
Pois bem...Não há nada de errado em você crer que se não ingerir carne irá salvar o mundo.Mas o que me irrita de uma forma sem tamanho é a hipocrisia!"Ah!Eu não como carne porque fico com dó dos coitados dos bichinhos!"(uhum...então porque você chuta cachorros e têm um monte de bicinhos de pelúcia feitos da exploração de crianças?).Ah!Eu não como carne porque quero ajudar a salvar a natureza!(uai! e as coitadas das árvores que foram derrubadas pra você usar esse caderno branquinho aí e ficar rabiscando bobagens!)."Ah!Eu não como carne porque os animais não merecem ser mortos pra minha sobrevivência!"(ah tá!e milhares de pessoas no Oriente Médio merecem morrer por estarem "atrapalhando" a evolução!)."Ah!Eu não como carne porque eles alimentam os animais com ração transgênica e isso faz mal pros coitadinhos"(lálálá.mas você não se importa em ir pra balada,ouvir música eletrônica e consumir ácido né?).
Hábitos alimentares e "salvação do planeta" não podem ser considerados gêmeos siamêses.Aliás!Não podemos utilizar nossos hábitos alimentares como um tapete onde as "sujeirinhas" são jogadas embaixo.
Prefiro estar no topo da cadeia alimentar a estar no mar de hipocrisia moderno.Afinal, de que adianta não comer carne e jogar lixo na rua?De que adianta viver de alface e sonhar com um belo x-bacon?De que adianta comer tofu e falar mal da vida alheia?
Seria melhor se ao perguntado sobre o porquê de ser vegetariano, meu amigo me dissesse: "Ah!Porque 'tá na moda". Ao menos assim ele não seria hipócrita ao ponto de usar um estilo de vida tão bacana como desculpa pra sua covardia...


*Especialmente destilado para o Tudo de Blog

Como diria... (Ferreira Gullar)

Traduzir-se

"Uma parte de mim é todo mundo
outra parte é ninguém: fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão
outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera
outra parte delira.

Uma parte de mim almoça e janta
outra parte se espanta.

Uma parte de mim é permanente
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem
outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte -
será arte?"

24 de março de 2007

Escrivinhações de baú (simples, sem colorações)

O cinza das paredes está cada vez mais morto.
Se fosse antes eu não suportaria que ele me olhasse assim, tão a ponto de sufocar meus sonhos.Mas hoje não me importo de ter suas íris cravadas em minha carne. Sonhos?Não, obrigada.Nem os da padaria.Secos demais.Doces demais.
Quero poder caminhar sobre a realidade.A que tanto reneguei.Que tanto amaldiçoei.De que me adianta sonhar com o tal pote de ouro no fim das cores, se já me contaram que ele não existe?!Prefiro o suor de 8 horas diárias de batalha, que presenteia minha carteira.
"Não!Não quero o conformismo de ter que bater o ponto às sete da manhã!Não quero me tornar de direita e considerar a Veja honesta e nada sensacionalista.Não quero ouvir Ivan Lins enquanto tomo Martini. Quero continuar correndo atrás de trabalhos e terminá-los às 6 da matina.Quero continuar de esquerda até mesmo à própria esquerda.Quero passar a vida lendo Mafalda e rir da ironia do mundo.Quero escutar Rolling Stones enquanto encho a cara de cerveja."
Olho para as paredes e decido então pintá-las de amarelo.Talvez assim eu consiga transportar um pouco da alma para a realidade.
Não quero mais um mundo de sonhos.Prefiro segundos de realizações...
Enquanto travo luta com minhas veias, a vida passa rápido por demais pela janela.Sem esperar que eu a acompanhe.
Simples, sem colorações.

Patrícia Pirota 23/03/07

12 de março de 2007

Escrivinhações de Baú (Retalhos)

A linha que costura minha colcha de retalhos está fraca.Já não sabe mais como juntar os pedaços de sonhos espalhados pelo chão.Olha.Respira.Olha.Olha.Olha.E não consegue sequer levantar as mãos para o céu.Anda pensando em pedir ao Sr. Tempo que lhe dê umas férias.Reza para que o Tic Tac do relógio fure seu dedo em sua máquina de fiar e durma por longos anos.Só não quer que o tal do príncipe apareça.Tem medo de que ele roube o castelo e a deixe só.
A linha que juntava meus retalhos não quer ver o sol.Diz que ele a lembra que há uma vida por trás da ilusão das sombras.Uma vida que ela tem medo de enfrentar. Ela teme que seus pontos não resistam ao nascer do sol.Agitada tenta dormir para apagar os erros da costura.
A mão que empunha a agulha e a linha já não quer mais abrir os olhos.Se quer apenas só."Longe do estéril turbilhão da rua".Longe dos sorrisos.Distante de tudo o que ela pensava ter deixado para trás,mas que volta sempre quando ela vê sua imagem pálida no espelho.
A mão que beijava meus retalhos de sonhos pede desculpas pela ausência.Diz que vai se retirar do tempo.Pedir ao vento que leve suas lágrimas embora.Buscar o brilho que perdeu em outra face.
Os retalhos por enquanto ficam assim:deitados sobre um chão de estrelas tortas. Esperando que uma tal de Sra. Vida sorria e os convide pra dançar.

Patrícia Pirota março/2007

8 de março de 2007

IInsanidades Aleatórias (Sobre fé, estrelas e amor)

Uma vez minha mãe me disse que "deus" não está preso em paredes,mas sim livre dentro de nós.A partir daí passei a ver um "deus" dentro de cada um.E se deus é mesmo aquele que faz com que o mundo se mova,logo cada um de nós se torna responsável por esse mundo.
Quem me conhece sabe que tenho teorias nada ortodoxas sobre religião(tá!são teorias infames proibidas a qualquer um que tenha o mínimo de bom senso).Não vou à igreja.Não faço orações padronizadas.Não dou dinheiro a qualquer instituição que se diz sem fins lucrativos(mas que acaba lucrando com a fé alheia).Mas quando fecho meus olhos e sinto o ar tocando meu rosto sei que há algo que me protege.Que me lembra todos os dias que por mais que os tempos sejam ruins, não há vitória sem batalha.Cada vez que olho para o céu, e vejo pontinhos brilhantes sobre minha cachola(estou falando das estrelas viu!não dos malditos satélites),sorrio ao pensar na energia que está presente em tudo o que há ao meu redor.Há quem diga que é Deus.Ou Alá.Ou sejaláqualforobenditonome!
Se alguém me perguntar qual é minha religião, digo que é o amor incondicional.Amor pela vida.Pela natureza.Pelo "próximo".Por si mesmo.Afinal, de que adianta ajoelhar,ou levantar as mãos aos céus, se a alma e o coração são tão vazios quanto minha carteira em fim de mês?! =]
Se todos praticassem o amor, ao invés de rituais cheios de poeira, talvez as pessoas não desistissem de acreditar num mundo melhor...E então a fé poderia ser como as estrelas, que brilham sempre,e mesmo que não as possamos ver, sabemos que elas estão lá,com o nome que demos a elas, sorrindo pra cada um de nós.

Especialmente destilado para o TUDO DE BLOG.

3 de março de 2007

Insanidades Aleatórias (Sobre camisetas, renew e sonhos)

"Mãe!O que vou fazer com minhas camisetas quando eu tiver trinta anos?", "Joga fora uai!"disse minha mãe sem dó nem piedade(pois é...maldade é herança de família)...
Ahhhh!Como assim joga fora?!Será que ela não tem noção de que minhas camisetas são minha primeira pele?! (é....porque tem gente que diz que roupa é a segunda pele, mas no meu caso, elas são a primeira, e ponto final!)
Ontem um aluno me perguntou quantos anos eu tinha, e como boa nerd respondi 4! (pra quem não sabe, isso significa 4 fatorial, que no fim das contas dá 24)(é...pra alguma coisa serviram as aulas de matemética!fazer traquinagens...=]).Ele não entendeu, e perguntou se eu tinha 17...Aiaiai...Abri um sorriso como se fosse uma criança ganhando um doce.Mas aí eu disse a verdade(ó céus!como dói dizer a verdade!)e ele disse que se eu continuasse me vestindo assim pareceria ter 17 pra sempre.
Então parei pra pensar no poder rejuvenescedor das minhas camisetas.Elas, mesmo velhinhas, continuam carregando meus sonhos no peito...E tenho que admitir que tenho um medo humanamente indizível de me separar delas...É como se elas fossem minha fonte dos desejos sabe.Mas ao invés de jogar uma moedinha, é só colocar no corpo e sair lépida e faceira por aí.

Juro que já tentei me imaginar com 30 anos, vestindo roupas que mulheres dessa idade vestem.Mas, ou minha imaginação tava com problema de conexão,ou ainda não estou pronta pra isso...Ou então tenho medo de me perder no caminho...E me esquecer dentro dos terninhos e scarpins...

Na última contagem feita eu tinha 60.É!Dá pra me vestir dois meses sem lavar roupa.=] Uma variedade tremenda de títulos e cores.A maioria preta,afinal, camisetas de bandas "antigamente" eram pretas...=] Acho que tenho quase toda a lista de top10 dos meus favoritos no guarda-roupa.ACDC,Rolling Stones,Ramones,Led Zeppelin,Drummond, ad infinitum...A maioria compradas, algumas feitas por mim.E entre os meus próximos sonhos de consumo advinha só o que mais tem!Lálálá...Camisetas...

Não posso mais pensar em minha vida sem aquele pedacinho de pano em forma de T que faz meus olhinhos brilharem como se o mundo fosse uma livraria gigante com direito a música de fundo.
Embora eu saiba que daqui uns dias vou ter que me preparar pra pensar nisso...Aliás, até liguei pra Dona psicóloga já...
Mas...Deixa isso pra mais tarde vai.O que me parece difícil também, porque daqui a uns cinco anos terei o dobro de camisetas que tenho, e será imensamente mais difícil deixá-las de lado...

Ah!Quer saber!Fica decidido que elas nunca sairão da minha vida.Nem que fiquem lá, no armário fazendo festinha entre si(comemorando aniversários,fazendo barulho).
Afinal, não há renew ou diabodecosmético no mundo que tenha o poder de me fazer parecer ter 17 anos pra sempre...

Especialmente destilado para o TUDO DE BLOG.

22 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Sobre Closer,corações de gengibre e sorvete)

Leia ouvindo aquela maldita música que o Demien Rice fez pro Closer...=]

Acabei de assistir Closer.E pra completar, antes disso assisti quase toda a segunda temporada de Dawson's Creek.É meu caro leitor, que por não ter mais o que fazer, ou que sofre de insanidade e lê isso aqui ocasionalmente,é uma situação de desespero...
Saí de casa ontem com o pensamento fixo em locar Closer.Sabe-se lá porquê...Talvez porque fazia muito tempo que eu não assistia, ou então porque o Thon o assistiu recentemente e eu quero poder conversar com ele sobre o filme, enfim, Murphy se infiltrou nas minhas vontades...
O filme é lindo.Humanamente lindo.E o que o torna mais incrível é como ele pode ser tão real.E por isso mesmo, tão dolorido.
Não vou ficar aqui comentando o fato de o Jude Law ser o cara com quem eu teria um filho(se um dia na vida eu cogitasse essa idéia maluca...afinal, acho mais fácil cuidar de plantas...), afinal, vai ser bonito assim no inferno.Ou então de eu ficar amaldiçoando o tal do deus por eu não ser a Natalie Portman.
Na crise em que me encontro agora esses são os detalhes mais irrelevantes do filme.
O pior de tudo, e eu estou aqui num dilema filhodumaputa de falounãofalo,é que eu chorei.No final, ouvindo aquela porra daquela música do Damien Rice que sempre me faz chorar.
Dilema porque não é fácil admitir que choro, aliás, não me lembro da última vez em que chorei assim.Um choro tão sincero, tão dolorido, tão soluçado.Tão meu.
Porque sempre que tenho tpm choro.Ou quando corto cebola(sim!aquela maldita sempre trava uma guerra fidumaputa comigo, e se infiltra sorrateiramente nos meus olhinhos!humpft!).Ou então quando assisto a filmes que são tristes ou passíveis de choro.Não!Não choro em comerciais de margarina...=]
Dessa vez chorei por mim mesma...
Muitas vezes guardamos tanta coisa dentro de nós, que vão se amontoando ali, no princípio quietinhas, depois mais reclamonas(bem parecidas com a segunda-feira),mas chega um dia em que elas se tornam uma bateria de escola de samba do Rio(é!tem que ser do Rio!Ou vai me dizer que a bateria da escola da vila carvalho dessa porra desse fim de mundo presta?!).
Esses dias um aluno me perguntou se eu não tinha coração.E eu disse a ele que ao invés do coração, tinha pedido pro tal do deus dois cérebros...E sempre brinco que tenho um coração de gengibre...Afinal, é amargo pra cacete aquela porra...
(ps:desculpas pela "boca suja" de hoje...sei que é feio e mamãe ensinou a não falar coisas feias...mas, sempre que choro fico totalmente fora do controle, como se isso ativasse o meu modo "personagem neurótica assassina by Tarantino")
Não racionalizei a respeito do tal do choro.Aliás...Despejei-o da minha vida por atraso no aluguel...Mas eu já sei bem quando é que o maldito aparece...Sempre que tá precisando de abrigo, dinheiro ou algum livro emprestado.¬¬
Se bem que acho que pedi(mesmo que inconscientemente) pra ele vir me fazer uma visitinha...
Comi feito uma criança da etiópia dentro de um McDonalds.Sim! Apenas coisas engordativas.Tomei dois litros de Coca,mais um pouco de café.Quase uma caixa de Bis foi pra dentro de minhas celulites(que agradecem a festinha).Só esqueci do sorvete...
É uai...Sempre que alguém em algum filme de Hollywood tá em crise aparece com um puta pote de sorvete de creme na mão...
E dá-lhe lágrimas e dá-lhe sorvete...
Há quem diga que é melhor "afogar as mágoas" com a cerveja...Mas eu prefiro a companhia dela pra me alegrar.Afinal, uma companheira tão querida não pode ser lembrada apenas em maus momentos...
Mas...A grande questão é!Eu não queria afogar as lágrimas...Aliás...Eu nem sabia que tinha alguma coisa pra afogar(talvez o governador...ia ser divertido afogá-lo em uma banheira com gelo,álcool e giletes!)(ps:não...não posso ser presa por isso...não citei nomes....=]).
Mas elas vieram,lépidas e faceiras ao meu encontro...Malditas!
Sabe...Meu coração de gengibre vezemquando reclama,mas eu dou um chocolate pra ele e um pouco de rockn roll e logo ele se aquieta.Mas estou mesmo cansada.De não saber o que diabos é amar.Aliás,pra mim isso é uma mentira muito da mal contada.
Ops...Desculpem ex-namorados que estão lendo isso aqui...Agora vocês devem estar achando que sou uma mentirosa, que disse eu te amo.Devo ter tido meus motivos.E se nãos os tive, fuckoff...
Não é agora que vou me importar com os seus hipotéticos sentimentos(se já não me importava antes, imagina agora que tenho mais o que fazer...).
Ops denovo...Imagina se meus prováveis paqueras lêem isso aqui...Danou-se mermão...=] É meninos...Já vou lhes avisando, este aqui é um parque de diversões no qual sempre acaba a luz no meio da festinha.Então a diversão é rápida e instantânea.Aproveite enquanto é tempo...=]

É...Meu(minha)caro(a)leitor(a) (sim!estou viciada em Machado =]), infelizmente eu sou assim...E não, não estou fazendo pose, apesar de ser frequentemente chamada de poser, afinal, não tem porquê eu ficar fingindo uma coisa que não sou nas palavrinhas que são a continuação de minhas veias cafeinadas...

Fico imaginando se um dia terei um relacionamento pelo qual chorarei e me jogarei no chão pedindo pra criatura não me deixar.Se vou devotar tanto amor a alguém quanto devoto pros meus livros,ou pra minha imagem no espelho.Se vou querer dividir a cama.Enfim, todas essas coisas que vêm de brinde com o tal do amor...

Manuel Bandeira uma vez disse que "amar é perder a própria alma"(ou uma coisa assim...estou com preguiça de procurar a citação ipsis literis...)...Se for assim, não quero ficar sem a minha não!Humpft...Até porque já está penhorada com o senhor demo...
Talvez daqui a algum tempo isso mude...Talvez não...Mas não quero ficar pensando nisso agora...
Prefiro voltar a pensar em porquê demônios não sou tão linda quanto a Natalie Portman, ou então quando vou achar um cara tão lindo quanto o Jude Law pra me divertir na montanha russa...
Afinal, a senhoradonaincrível Clarice já me sussurrou uma vez aqui nos meus ouvidinhos "não se preocupe em entender...viver ultrapassa o entendimento"...

Então vivamos...Mas rápido viu.E com paixão.Já que a qualquer hora a luz do parquinho pode acabar...

14 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (ai meus cabelos...)

Leia ouvindo: Com que Roupa (Noel Rosa na voz de Chico Buarque)

Hoje estava falando pra Karlinha(a irmã mais nova do Thon que também é minha irmã porque a amo) que ela deveria cortar um pouco o cabelão...
A menina tem aquele cabelo compridérimo,liiiiiiiso e totalmente adolescente.Reluta até o último fio daquelas madeixas em cortar a tal "força de sansão".Mas...Depois de uma conversinha ela disse que ia pensar...(se é verdade não sei...às vezes ela disse isso só pra eu parar de encher o saco né? =]).
Fiquei pensando em como o tal do cabelo pode ser tão importante nesse nosso mundo.Principalmente no mundo adolescente.Diga a uma adolescente pra cortar o cabelão Alanisnafasedojaggedlittle e você ganhará uma inimiga temporária!E parece que essa é uma das muitas coisas que não mudam nessa fase da vida(além dos diários, que hoje se tornaram mais virtuais e menos cheios de códigos pra esconder das mães; das fases de usar roupas terríveis só pra quando ficar mais velha pensar "meu deus!como tive coragem de usar isso!" e outras cositas más...).
Me lembrei de quando tinha lá meus 12 anos, e um cabelo gigaaaante,quase batendo na bunda, tão liso quanto um pedaço de seda e de um loiro que não tinha em marcas de tinta naquela época(por falar nisso...como os nomes e os tons das tintas evoluíram nesses últimos tempos mininu!em dias que não tenho muito o que fazer, e já cansei de passar vontade olhando os dvds na Americanas, vou dar uma espiadinha nas tintas.tá!isso é realmente não ter o que fazer...mas pode até ser um passatempo terapêutico se você der graças aos deuses de nunca ter tido o cabelo da cor "acajuflamejante".=]).Um maldito dia resolvi deixar o cabelereiro cortar meu cabelo além dos tais dois dedinhos de sempre(outra coisa a questionar!porque diabos eles não entendem o que são dois dedos?!nesse dia aí saí do salão com quase um palmo de cabelo a menos!humpft!).Lembro bem que o tal corte da moda era igual ao da Sandy...Afff...Sim!Já tive o cabelo igual ao da Sandy..=]
Passado um bom tempo, lá pelas minhas 16 primaveras(urgh!que brega esse negócio de primaveras né?!mas vai ficar assim mesmo...pra eu poder ver que vezemquando posso ser brega!) resolvi pedir pra cortar uns três dedos(quem sabe dessa vez eles me entenderiam...).Pra quê?!Entrei no salão com o cabelo na cintura e saí de lá com ele no ombro!!!Lembro da cabelereira falando "mas assim você vai parecer mais jovem!é mais moderno" e eu saindo com os olhos cheios de lágrimas e com uma puta vontade de xingar o cara que inventou os cabelelreiros!!!
Pronto!Estava iniciada minha odisséia capilar!Sim!Porque daí em diante meus caros, a coisa só piorou...Aliás...Minha cacholita virou "laboratório de testes"...
Logo depois dessa tragédia resolvi pintar o cabelo de azul.Mas...Naquela época não eram tão divulgadas as lindíssimas tintas Jeans Color...Então, eu e umas amigas (da onça, diga-se de passagem...) resolvemos passar um tal de "azuldemetileno" no cabelo!É...Depois que cresci e descobri o que era fiquei com essa mesma cara estupefata que você está fazendo agora!Mas...
O pior, é que o tal do metileno lá, depois que desbotava ficava roxo e logo depois verde...Pensa que bunitu!
O pior de tudo é que eu era a única loira(psiu..não espalhem esse negócio de eu ser loira por aí oká...=]) logo o trem só pegou no meu cabelo!!!Elaiá viu...
Mas...Não pára por aí não minha filha...
Quando entrei na faculdade botei na cabeça que devia me "libertar do materialismo", ou sabe-se lá demônios o que eu tinha na cabeça naquela época!Mandei o cara cortar meu cabelo joãozinho.O pior dos pesadelos é que foi bem na época em que o filme "Meninos não choram" fez sucesso, e meu rosto é(ou na época devia ser) deveras parecido com o da guria que fez o filme.E os meninos na facul ficavam me chamando de Brendon, e dizendo que eu parecia um menino!
Sabe aquele trem chamado "auta estima"?!Pois é...Fugiu de mim nessa época como se eu fosse serial killer...
Por um tempo fiquei quietinha, esperando o raio do cabelo crescer...Cresceu!Até o ombro.Mas...Como eu não fico muito tempo sem fazer traquinagens pintei de vermelho.Mas não um vermelho qualquer,ah,isso não!Tinha que ser um vermelhocordepalitodefósforofosfuorescente!!!Elaiá...A cara da minha mãe quando viu foi "ó pai!o que que eu fiz de errado?!".Mas...Meus alunos achavam o máximo!Sim...Eu já era professora nessa época...Imagina...Que belo exemplo hum...É que você não sabe o que vem a seguir...O quê?!Se eu consigo piorar?!Mas sempre é possível piorar rapaz! =]
Um belo dia (nos baixos dos meus 19 anos) resolvi que queria ter o cabelo cor-de-rosa.E lá fui eu pro salão lépida,insana e faceira.Porque comigo as coisas eram assim,quero e é agora(e assim foi meu piercing...eu tava lá andando no shopping sem nada pra fazer antes de dar aula...olhei uma lojinha com a placa "fura-se piercing".achei bacana.entrei.pedi um piercing no umbigo e saí de lá como se tivesse acabado de comprar uma pulseira...).
Não sei o que era pior...Ser ponto de referência na rua (onde você tá? ah!to do lado de uma louca com o cabelo corderosa aqui!), as crianças chorarem ao me verem,ou a conhecida cara de desgosto da minha mãe...Durou um mês a tal da tinta.E o cabelo ficou horrivel!!!Não havia cristo que fizesse com que ele tivesse cara de cabelo de gente...Parecia mais aqueles cabelos de barbies falsificadas...¬¬
Num belo dia de tpm fui lá na dona cabelelreira e mandei passar a máquina 3.É!Isso mesmo!Aquela que os soldados passam quando entram no quartel.Por incrível que pareça ficou bem melhor...O problema é que ainda era loiro o maldito...Pois fui lá e lasquei tinta vermelhona de novo.Dessa vez menos vermelhocordepalitodefósforofosfuorescente, mas ainda assim vermelho sem preguiça de ser vermelho(porque vamos combinar...tem umas cores que só podem ter preguiça de existir né...o que diabos é aquele amarelo pastel?!eita cor preguiçosa e feia!).Bom...Sosseguei por uns dois anos com o tal do vermelho...E fui deixando o cabelo crescer.Até o ombro, lugar do qual o pobre nunca mais passou, diga-se de passagem...
Mas...(você achou que acabou?!quá!)Num terrível dia, o coordenador da escola em que eu daa aula disse que os pais estavam reclamando do meu cabelo "muito chamativo"...Num ato de desespero fui lá e pedi pra mulher passar preto(afinal,era a única coisa que tiraria o tal vermelho...e acho que também seria um pouco chamativo se eu tivesse ficado careca...).
Achei lindo!Descobri que deveria ter tido o cabelo preto há muito tempo...Mas...Isso não me impediu de perder o emprego...=/Pois é...A nova desculpa é que eu parecia nova demais e por isso parecia aluna(quá!isso porque eu já tinha 22 e dava aula pra alunos de 15!)(Por um lado meu ego ficou feliz,afinal,eu parecia ter bem menos idade do que tinha...Mas a minha conta bancária...Nunca me mostrou tanto a língua!).
Arrumei outros empregos.Mas o cabelinho continua o mesmo...Preto.Por agora na altura do queixo.Sem o corte ameliepoulain que usei por uns tempos...
É...Parece que enfim minhas crises de identidade resolveram tirar umas férias...
Porque no fim das contas, descobri que o tal do cabelo chega a ser uma de nossas identidades...Até mais do que a roupa.Porque mesmo nuazitas, o cabelo continua ali,firme e forte, te mostrando a língua.
Dias atrás pensei em deixar o bendito crescer...Mas...Deixa assim mesmo né...Vai que as tais das crises resolvem voltar das férias?!
Blérgh!

13 de fevereiro de 2007

Como diria...(Chico Buarque)

Folhetim

"Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim"...

9 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Cadernos rabiscados e sonhos)

Hoje foi o primeiro dia de aula.Sorrisos,abraços,sonhos,cadernos branquinhos loucos para serem usados,e eu ali, olhando tudo do lado de fora...
É.Não foi o meu primeiro dia de aula,mas o dos meus alunos...
Hoje, olhando todos aqueles adolescentes com os olhinhos brilhando e os sorrisos escancarados, me deu vontade de chorar.(psiu!não conta isso pra ninguém hein!senão acaba com a fama de má =]).
Uma tristeza me toma conta cada vez que um ano letivo se inicia.Mas não é uma tristeza má não(igual a da dona bruxa má que me deu a maldição),é uma tristeza de saudades... Porque vejo que aquela minha época está ficando cada vez mais longe, cada vez mais no passado.
Lembro dos meus primeiros dias de aula.Da ansiedade da véspera.De "o que eu vou vestir?"(se bem que a gente usava uniforme.E que uniforme terrível aquele.Passo a acreditar que é graças aos uniformes que as meninas desenvolvem complexos alimentares!sim!pensa bem...como é que demônios você vai se achar bonita num uniforme gigante às 7 da manhã, com aquela parte do cabelo que briga e esperneia porque quer ficar do lado contrário de todo o resto do cabelo?!impossível!).De ficar pensando se iria entrar algum gatinho novo na escola(se bem que era pensamento vão...porque eles não me davam muita bola.nerd demais.feminina de menos...).De matar a saudade dos professores queridos.De escutar as aventuras de férias dos meninos(porque as minhas sempre eram os livros novos que li,ou então o que eu tinha escrito...).
Hoje, olhando todos aqueles adolescentes com os olhinhos brilhando e os sorrisos escancarados, me deu vontade de chorar.(psiu!não conta isso pra ninguém hein!senão acaba com a fama de má =]).
Aquela timidez de escola nova.O medo de não encontrar ninguém igual a você e bum!Acaba trombando em alguém que só não é você porque nasceu com barba ao invés de tpm...=]
Os cadernos novos...Que saudades sinto deles...Esses dias fui comprar o material da Gigi(minha irmãzinha linda!) e me deu vontade de comprar um caderno, desses cheios de adesivinhos,cheirosinhos, só pra relembrar o cheirnho de novo que só a adolescência pode ter...

Mas agora eu não sento mais naquelas cadeiras.Já não fico contando os minutos pra hora do intervalo chegar.E também não fico mais enlouquecida com aquelas malditas funções de segundo grau, que só fui descobrir pra que serviam depois que saí da escola.
Agora eu sou aquela figura, que fica lá, pertinho do quadro.Muitas vezes com o olhar longe e triste,pensando se aqueles a sua frente lembrarão dela um dia.A pessoa que espera poder mudar o mundo com palavras,sorrisos e um pouco de ironia.

Hoje recebi tantos abraços.Tantos sorrisos sinceros e tantas reclamaçãos por estar dando aula pra essa ou pra aquela turma.Que acabei pensando que talvez um dia eu seja lembrada.Há pessoas que dizem que professoras são segundas mães.Eu sou a madrasta!(rapaz!há quem diga que sou o cão! =])Ou a irmã mais velha.Que puxa a orelha mesmo, e faz aprender mesmo que na marra.Mas que também se desespera e sofre, quando vê um de seus pestinhas sofrendo.
Ser professora talvez não seja o sonho de muita gente.Mas já foi o meu um dia.E continua sendo.Mesmo que eu ainda sinta saudade da época que ficava ali,sentadinha na carteira da frente,anotando tudo o que os mestres diziam.

Mas não pense que não sento nessas cadeirinhas mais.Vezemquando, ao passar exercícios pra fundir a cacholita dos malinhas, vou lá pro fundão prosear com os meninos.Afinal, hoje eles me dão bola...=]

8 de fevereiro de 2007

Como diria... (Caio Fernando Abreu)

"28 de janeiro
Hoje é dia de mudar de casa, de rua, de vida. As malas sufocam os corredores. Pelo chão restam plumas amassadas, restos de purpurina, frangalhos de echarpes indianas roubadas, pontas de cigarro (Players Number Six, o mais barato). Chico toca violão e canta London,London: no, nowhere to go. Poucos ainda sorriem e olham nos olhos.
Hoje é dia, mais uma vez, de mudar de casa e de vida. Os olhos buscam signos, avisos, o coração resiste (até quando?) e o rosto se banha de estrelas dormidas de ontem, estrelas vagabundas encontradas pelas latas de lixo abundantes de London, London, Babylon city. Alguém pergunta: "O que é que se diz quando se está precisando morrer?". Eu não digo nada. É a minha resposta.Sento no chão e contemplo os estragos de Sodoma e Gomorra.
Amanhã é dia de nascer de novo.Para outra morte. Hoje é dia de esperar que o verde deste quase fim de inverno aqueça os parques gelados, as ruas vazias.Hoje é dia de não tentar compreender absolutamente nada, não lançar âncoras para o futuro.Estamos encalhados sobre estas malas e tapetes com nossos vinte anos de amor desperdiçado, longe do país que não nos quis. Mas amanhã será quem sabe o acerto de contas e Jesuzinho nos pagará todas as dívidas?Só que já não sei mais se acredito nele.
(...)
Só espero, não penso nada. Tento me concentrar numa daquelas antigas sensações como alegria ou fé ou esperança.Mas só fico aqui parado, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada.
(...)
Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cujas malhas se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva.Vida?Bem, seja lá o que for isto que nós temos..."

(In: Lixo e Purpurina - Conto do livro Ovelhas Negras)

7 de fevereiro de 2007

Escrivinhações de baú (Encasulou-se e passaram-se séculos)

Supondo que as esperanças voltassem, mesclou-se flor. Recriava em si o fim do eterno, assim como buscava no espelho explicações de porquês. Sufocava-lhe a imagem de cores pálidas vagando entre sol e só, buscando nas letras dos pulsos suspiros de histórias que guardou no baú de nadas.
Levantou-se de sim mesma tentando tocar a névoa de suas ilusões que teimavam em brincar de esconder. O som invadia suas veias pulsantes a procura de sonhos.
Caminhou até o pôr-do-sol para banhar-se em seus raios sentindo ânsias de rasgar o véu do tempo e atirar-se livre nas asas da eternidade.
Nas cores das vozes de seus olhos encontrou o azul que roçava suas lembranças de ser sol.
Teceu com as solidões os braços cujas mãos envolveram suas inquietudes. As lágrimas formaram o fio de magia na dança das velas.
Encasulou- se e passam-se séculos.
Com o toque sinfônico do luar, desadormeceu e suas mãos realizaram o sonho de asas, percebendo que somos apenas as plumas que caem das asas de deus.

Como diria... (Caio Fernando Abreu)

"2 de março
Chorar por tudo o que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vontade de gritar que essa dor é só minha, de me pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão sem osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

(In: Lixo e Purpurina - Conto do livro Ovelhas Negras)

5 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Sobre meninas e bolsas)

Hoje fui limpar minha bolsa.É, tirar os papéis que se acumulam, ver se não tinha nenhuma balinha que por traquinagem fugiu do papel para ir brincar com as formigas, ver se encontro uma moeda de desespero perdida, essas coisas.
Mininuducéu!Quanta coisa pode-se ser capaz de acumular em tão pouco espaço!Fico pensando que talvez estivesse certa a pessoa que proclamou que é perigoso mexer em bolsas de mulheres.Vai saber o que sairá de lá de dentro...
Bom, na minha (que é bordô, ou qualquer cor que venha do roxo com vermelho, ou uma variação esquisita que poderia até ter um nome criativo ou totalmente obsoleto quanto fúcsia, por exemplo)(ah!e grande!bem grande)(ah!e que ganhei de presente do Thon Thon) encontrei o de sempre: um livro(por agora Memórias Póstumas de Brás Cubas, do magister Machado), uma agenda(de papel reciclado, porque ajuda a salvar as pobrezinhas das árvores indefesas e porque é bonito!), um estojo(que descobri ser pequeno demais pro tanto de canetas que insisto em ter, afinal, metade delas estava jogada na bolsa), uma carteira(vermelha, retangular da Hello Kitty.Sim!Eu tenho uma carteira da Hello Kitty!E daí?!)(Oi?Eu não tenho mais idade pra isso?Ora bolas!A carteira é minha!E eu escolho a minha idade mental no quesito utensílios!O único problema é quando a tiro da bolsa e as pessoas ficam me olhando com aquela cara "seráqueessameninanãotemnoção?".Não, não tenho!Ponto!), um batom(lálálá!quem não tem um batom na bolsa que atire o primeiro lápis de olho(que inclusive também estava lá, o maldito!e eu que revirei o quarto em busca dele!)Tá.Houve um longínquo tempo em que eu não tinha batom na bolsa.Mas depois que descobri que eles têm filtro solar, e não deixam minha boca descascar, acabei por aceitá-los como inquilinos na minha bolsa, e na vida), uma crossword(porque ativa a área do cérebro em que ficam guardadas as palavras de dicionário), um casaco(dessa vez é um preto, com listras rochas nos braços), um livro da Mafalda(porque ela é muito, muito divertida e inteligente),umas moedas que se esconderam no rasgo interior que existe misteriosamente na bolsa e que foram brincar com os papéis de balas que eu nem seuqer lembrava que um dia havia consumido, papéis de divulgação, que aquelas pessoas enfadonhas colocam na sua cara na rua, uma caixinha de TicTac, um isqueiro, que eu jurava ter perdido(porque o sem-vergonha foi lá participar da festinha com as moedas,os papéis de bala e as formigas), um maço de cigarros(Marlboro Vermelho Maço)(é incrível quando vou comprar cigarros e digo ao vendedor "quero um marlboro vermelho maço,por favor" e ele me pergunta"maço ou box?"Putaquepariu!Eu acabei de dizer!Qual é o problema desses vendedores?O arquivo de voz que leva as informações ao cérebro só faz o download de duas em duas palavras é?),chaves penduradas num chaveiro abridor de garrafas(que segundo minha mãe é porque sou cachaceira, mas eu discordo veementemente!) acho que só.
Nossa!Me lembrei agora da primeira vez que roubaram minha bolsa e tive que ir à delegacia fazer o tal do BO.Na época, não sei se pelo nervosismo, ou pela incapacidade mesmo, não conseguia me lembrar de tudo o que havia nela quando a tiraram do meu convívio, e achava isso humanamente impossível.Afinal, naquela época ainda estava na faculdade, e é possível que houvesse mais coisas naquela bolsa do que pode imaginar nossa vã ignorãncia...
Bolsas podem até parecer um assunto fútil à primeira vista.Mas pense em quanto de uma pessoa se pode conhecer através de uma bolsa...Eu mesma posso ser considerada neurótica, por entre milhares de outros motivos, porque sempre carrego um casaco na bolsa.Esteja 10 ou 40 graus, lá está ele, feliz e contente por deixar o guarda-roupa e ir passear.
E você, o que tem escondido dentro de sua bolsa?

4 de fevereiro de 2007

Insanidades Aleatórias (Maus Hábitos)

Leia ouvindo: Apesar de você-Chico Buarque

Acabei de levar aqueeele ralo da senhora dona minha mãe...Humpft!

Ela disse que daqui a pouco em minhas veias circulará cafeína ao invés de sangue, e que meu pulmão estará tão preto quanto a situação do país...Quanto a primeira afirmação, acho que o daqui a pouco é já.=] Quanto a segunda, não creio que algo possa superar a situação preta do país.Pensando bem, talvez a situação lastimável da áfrica...Mas...Cada comparação em seu território,hum...
Depois disso parei pra pensar em velhos e novos maus hábitos...
Oras!Eu sou a Minina Má, logo meus hábitos são maus...(tá!isso foi infame...=] ).
Há dias em que juro que vou começar a fazer academia.Mas quando penso na quantidade de suor,horas pegando peso e conversas sem um mínimo de neurônios por trás, deixo pra lá essa divagação.
Em outros dias prometo a mim mesma(e aos ventos que são obrigados a me escutar quando penso em voz alta (ps:pensamentos em voz alta são mais persuasivos, ao menos pro meu cérebro meio moco =]) )que vou me alimentar direitinho, comer mais saladas, mais frutas, menos junkie food, enfim...Mas...Chego em casa e minha mãe fez aquele macarrão!Os dias são tão corridos que vou almoçar um sanduba lá pelas 4 da tarde.Fins de semana de balada preciso comer antes de chegar em casa, isso às 5 da manhã, aqueeele lanche nada gorduroso e super nutritivo.Como diabos vou conseguir me alimentar direito assim?!
Há coisas que fazemos tantas e tantas vezes sem nos dar conta, e que podem se tornar tão ruins quanto assistir Faustão ao invés de ler. Jogar lixo na rua(lálálá!eu não jogo, mesmo aqueles papéis malditos que distribuem na rua, coloco na bolsa e jogo no lixo em casa, afinal, essa maldita cidade tem menos lixeiras que gente pensante!); deixar tudo pra depois(tá!isso eu faço.Sou brasileira, ora bolas!Mas isso é feio!Muito muito feio!E estou tomando medidas drásticas quanto a isso...); não sorrir(eu sorrio sempre!sozinha, acompanhada, que é beeem melhor,dormindo...e não consigo entender porque demônios há pessoas que têm preguiça de sorrir...É uai!Só pode ser preguiça!Porque tem gente que passa a vida toda sem nem um sorrisinho de Monalisa sequer!Ou será que é defeito de fabricação?!Bom...Prefiro acreditar que é preguiça...); dormir demais(sim!dormir é muito bom!mas se você dorme mais do que é humanamente necessário, sua vida passa pela janela, que está fechada nessas horas...Eu durmo muito,mais do q deveria,e depois vem a Dona Culpa(maldita!ela sempre entra sem ser chamada!) me aporrinhar a paciência!); não acreditar em si mesmo(ô coisa triste isso viu!você achar q todo esse potencial em sua cacholinha é um mero holograma, e deixar que o tempo passe sem acreditar que você pode mais do que acha...Vezemquando faço essa palhaçada, de deixar meus fantasmas(que moram no lado direito superior do meu cérebro, vizinhos da Dona Culpa, inclusive) levarem minha crença em mim embora...

E são tantos, e mais tantos hábitos ruins que tomam conta das minhas veias cafeinadas, que chego a pensar que vou ter que dar um jeito de controvertê-los...Colocá-los na escola e dar-lhes uns safanões pra ver se viram bons meninos!Ah!!!E fazê-los escrever mil vezes "eu juro que serei um bom hábito!"...
No fim das contas, meus amores, temos mesmo é que aprender a lidar com nós mesmos.Nunca deixaremos de fazer coisas consideradas ruins, afinal, somos fazedores de traquinagens por excelência, desde o tempo em que a Dona Eva comeu a tal da maçã(reza a lenda né...).O que devemos fazer é tentar fazer com que nossa vida seja a melhor possível, pra podermos ficar bem velhinhos e contar nossos maus hábitos pros nossos netinhos, e vê-los com os olhinhos brilhando(e a cacholinha pensando em fazer igual)...

Mas...Eu juro que prefiro os meus hábitos, mesmo que não sejam bons garotos, a aqueles horrorosos que as freiras(ainda existe alguma por aí?faz tanto tempo que não vejo nenhuma que acho que elas viraram tão lenda quanto à volta do Michael Jackson e os tais políticos honestos) usam.Blérgh!

Como diria... (Machado de Assis)

"Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da Terra, por que, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e do Epicuro. Enquanto esta idéia se trabalhava no famoso trapézio, lançava eu os olhos para a Tijuca, e via a aleijadinha perder-se no horizonte do pretérito, e sentia que meu coração não tardaria a descalçar as botas também. E descalçou-as o lascivo. Quatro ou cinco dias depois, saboreava esse rápido, inefável e oncoercível momento de gozo, quw sucede a uma dor pungente, a uma preocupação. a um incômodo...Daqui eu inferi que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoariam a felicidade terrestre. E em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas."
(In: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Cap. XXXVI)

Insanidades Aleatórias (Lixo, papéis e memórias...)

Há dias em que a vida parece passar tão, mas tão devagar diante de nossos olhos, que eu posso jurar que o cara que cuida da edição do tal do tempo gosta por demais da teclinha de slowmotion...
Hoje meu dia se esvaiu, como aquelas gotinhas de chuva que ficaram teimosas nas folhas das plantas, querendo só mais um pouquinho de abrigo.Cada raio de sol parecia infinito diante de todos os pensamentos que tentei esconder de mim mesma.
Sem querer fui tomada por lembranças, sorrisos e chorinhos escondidos no escuro.
Hoje foi dia de jogar o lixo fora...
Sabe aqueles papéis que você guarda por um tempão?Provas da escola, xerox da faculdade, bilhetinhos de butecos...Pois é, me desfiz de muitos deles hoje.Principalmente das provas da escola e dos bilhetinhos...
Enquanto aqueles papéis iam da minha mão para o lixo, ou então para uma nova pastinha para serem guardados por mais tempo, um filme ia se passando na minha cachola.Imagens de pessoas, lugares, toda uma sorte de personagens que fizeram parte da minha história.
Me surpreendi ao encontrar papéis que nem lembrava mais que existissem.E me surpreendi muito mais ao ver como eles têm o poder de despertar meu coração de gengibre (é...coração de gengibre, mas essa história fica pra uma outra hora...senão, haja espaço!).
Não tive coragem de jogar as cartas de adolescente fora, aquelas que minhas amigas da cidade de onde vim me mandaram, cheias de saudade.Também não consegui jogar alguns ingressos de shows(principalmente o do primeiro show do Bando =] ).
Mas joguei sem dó nem piedade coisas das quais achei que nunca fosse me desfazer.Bilhetes de amores vãos.Set lists pegos com suor.Escrivinhações escritas à mão.Cartas que nunca foram enviadas.
E percebi como nossos "apegos" mudam...Não todos, pois há aqueles que fazem parte de nossas veias (nas quais, no seu caso, deve correr sangue, enquanto que nas minhas corre cafeína) e não podem, por mais que queiramos serem separados de nós.
Meninoducéu!Encontrei minha caixinha secreta com meus diários!E fiquei pensando se minha mãe um dia já "encontrou" também.Em muitos escrevi em código...Lembra daqueles códigos absurdos?!Quanta criatividade pode existir em nossas cacholinhas traquininhas de adolescente hum? =]
Bom...No fim das contas(e dos lixos) reduzi a papelada e a memória em pelo menos um terço.Ao menos sobra mais espaço pra mais uns 10 anos.Se bem que nessa época de máquinas, talvez não haja, daqui a um tempo, tanto espaço para papéis...
Mas, com certeza, eu vou continuar guardando meus guardanapos escrevinhados, as cartas, os bilhetinhos e a memória, porque essa, apesar de às vezes ser bem preguiçosinha, pode guardar mais coisas que a maldita biblioteca do Vaticano.

3 de fevereiro de 2007

Como diria... (Machado de Assis)

"Há aí, entre as cinco ou dez pessoas que me lêem, há aí uma alma sensível, que está decerto um tanto agastada(...)Sim, talvez, lá no fundo de si mesma me chame cínico. Eu, cínico alma sensível?Pela coxa de Diana!Esta injúria merecia ser lavada com sangue, se o sangue lavasse alguma coisa neste mundo.Não, alma sensível, não sou cínico, eu fui homem; meu cérebro foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas, a comédia louçã, a desgrenhada farsa, a bufoneria, um pandemônio, alma sensível, uma barafunda de coisas e pessoas, em que podias ver tudo, desde a rosa de Esmina até a arruda do teu quintal, desde o magnífico leito de Cleópatra até o recanto da praia em que o mendigo tirita o seu sono.(...)Retira ,pois, a expressão, alma sensível, castiga os nervos, limpa os óculos - que isso às vezes é coisa de óculos - e acabemos de uma vez com esta flor da moita."
(In: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Cap. XXXIV)

15 de janeiro de 2007

It's all folks (Desestrelando: Diamante de sangue)

Hey!Hj fui ao cinema.Com o amigo querido Aris.
A fila estava infernal.Aliás, pq demônios trocaram a fila de lugar,alguém sabe?!

So...Fomos assistir Diamante de Sangue.É...Graças àqueles ótimos ingressos q ganho da revista MTV.
O q?Vc não sabia disso?Mininu!É uma beleza assinar a MTV.Além de ser uma revista realmente mt boa em conteúdo e layout, todo santo mês vc ganha ingressos pro cinema.Td bem q são apenas filmes da Warner, e q alguns quase sempre são sensacionalistas,mas...de graça né meu bem.
(ps:não!eu não estou sendo paga pra fazer propaganda da revista.mas o q é bom a gente compartilha né!)

Qt ao filme.Cheguei a uma conclusão nesta minha vida: quero namorar o Leonardo Di Caprio.
(huahauahuahuah sim!eu sei q, ou vc está rachando de rir, ou querendo jogar uma pedra na minha cachola,mas vamos a tal da explicação).Esse é o segundo filme do cara q assisto direto.O outro foi Os Infiltrdos, filmaço!Quero assistir d novo!Mt,mt,mt.Tb né.Scorcese,santo Scorcese.
Leonardo realmente conseguiu provar q é um puta ator.Depois de uns deslizes(tá!uns tombos mesmo!) o cara anda fazendo um ótimo serviço.(parênteses de cunho feminino xD: e q q é aquela cara de semvergonhacínicogostoso daquele homem hein?!minha gente!aquilo nãoédedeus não!).O sotaque inglês dele está perfeito(embora eu não seja a maior fã do sotaque britânico, comecei a vê-lo com outros olhos=]).

Qt à temática.Não gosto mt d filmes com temática de denúncia.Daqueles q lutam por uma causa social sabe.
Pq?Pq eles são irremediavelmente clichê!E tirando uma produção bem feita, e um cuidado maior do diretor de arte, é a mesma coisa q assistir o jornal.Afinal, gente morrendo em carnificinas,miséria,fome e guerras por ouro,petróleo ou qq bem natural q seja estão desestrelando todos os dias nos jornais meus caros.
Não é necessário pagar o preço abusivo dos cinemas pra ver isso.
Lálálá se vc estiver me excomungando pela minha falta de compaixão.Q se foda a compaixão!Não é com um filme q gastou milhões d dólares pra ser feito q a situação calamitosa do mundo vai mudar.
E se alguém chegar pra vc e disser: "Hey!Se vc parar de tomar sua cervejinha diária vc vai conseguir mudar o mundo!", vc vai parar?!Uma ova!Eu pelo menos não paro!E pode me chamar do q quiser.No meu mundo mando eu!

Ah!A senhorita q faz "par romântico" com o Leonardo(q agora eu não lembro o nome, e to com preguiça de procurar no google) é lindíssima.Pra mim, aqueles quase q são a personificação dos olhos de ressaca oblíqua do querido Machado.Com o adicional de serem verdes.

Resumo da ópera.Assista qd quiser ver as matanças um pouco mais produzidas.Ou os belos olhos do casalzinho de belezuras.
Ou qd ganhar os ingressos da MTV =].Ou se vc gostar de filmes humanitários(isso é se eu posso chamar filmes q mostram pessoas sendo cruelmente mortas d humanitários).

So...It's all folks meus queridos...