2 de outubro de 2006

Poemeto - A ponto

"Não lembro do dia
em que você me disse que já não era mais
Insano a ponto de acompanhar meus erros.
Escravo a ponto de seguir meus passos.
Amante a ponto de beijar meus sonhos.
Senhor a ponto de mandar em meus desejos.
Amigo a ponto de me levar pra brincar.
Você não mais se lembra do dia que eu disse que era
Sorrisos a ponto de fazer-te sonhar.
Menina a ponto de fazer-te crer.
Senhora a ponto de mudar teus caminhos.
Demente a ponto de molhar teus jardins.
Cruel a ponto de dizer-te adeus.
Não mais nos lembramos do quanto fomos
Sozinhos a ponto de não termos sombras.
Tristes a ponto de chorar no escuro.
Infames a ponto de despedaçar nossas palavras.
Vivos o bastante para abrirmos os olhos.
Apenas vivemos o que nos restou
Uma não lembrança daquilo que era
mas que apenas se guarda no espaço das esquecidões."
Patrícia Pirota out/2006

Um comentário:

AB disse...

Uau! Gostei!
As coisas são assim mesmo, o tempo passa e a gente não faz mais o que faria por outrem. Pode parecer triste, mas li, em algum lugar, algo do tipo: uma das virtudes do ser humano é poder mudar de opinião. ^_^ Então, não deve ser algo tão ruim... hehehe.
Beijo-te.