30 de outubro de 2006

Sétima Arte (Estrelando: Feira das Vaidades)

Feira das vaidades (Direção de Mira Nair)

"Feira das Vaidades" pode ser considerado um filme de opostos. De um lado, a nova queridinha de Hollywood, Reese Whinterspon, que deliciosamente conseguiu incorporar uma das grandes personagens da literatura britânica Rebbeca (Becky) Sharp. De outro, a diretora Mira Nair, bastante elogiada pela crítica cult por seus filmes anteriores.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de William Makepeace Thackeray, escrito no século XIX.
O livro já teve outras 6 adaptações para o cinema, e até o genial Kubrick já cogitou trabalhar com ele.
No enredo, Rebbeca (Becky) Sharp é uma mulher a frente de seu tempo. Filha de artistas(pai pintor e mãe cantora), Becky não teve uma vida muito confortável.E em busca de seus sonhos sociais, a personagem é capaz de lançar mão de todo seu charme, inteligência e poder de conquista.

A maioria das críticas existentes sobre o filme ressaltam o fato de a adaptação não ter sido fiel aos princípios utilizados por Thackeray no livro.Pudera!O livro tem mais de 900 páginas, e tranformá-lo em uma película de 140 minutos é um ato honroso de coragem.

Mira Nair utilizou a cultura indiana como pano de fundo colorido para o filme. Por se passar na velha europa, em que a hipocrisia era prato principal, e a frieza e o ambiente cinza europeu eram a sobremesa, "Feira das Vaidades", nos olhos de Nair ganharam um colorido oriental que faz com que o filme fique estonteante.

Ao conseguir se libertar da casa em que vivia(aqui há alguns traços da conhecida gata borralheira), Becky começa sua luta por um lugar colorido na cinzenta sociedade britânica. Consegue então, um emprego como governanta na casa da família Crawley, que tem como chefe o estabanado Sir Pitt Crawley (Bob Hoskins).

O roteiro do filme por vezes se mostra apressado, deixando de explorar algumas minúcias que seriam muito bem vindas.
Mas a produção é compensadora. O cenário, os costumes, a fotografia, fazem com que "Feira das Vaidades" seja uma pintura cinematográfica.

Becky Sharp não é apenas uma heroína pobretona que quer fazer parte da alta sociedade. Ela é uma mulher autosuficiente. Tanto quando precisa conseguir dinheiro para sustentar o marido Rawdon (James Purefoy), jogador inveterado, tanto quando precisa conquistar os olhares das enfadonhas e insalúbres senhoras da nobreza.

Embora sintamos falta de determinadas continuações no filme, principalmente aqueles que já leram o livro, há que se reconhecer que Nair fez um bom trabalho.
A "Becky" de Nair não é uma simples vilãzinha que passa por tudo e por todos para alcançar seus anseios. Mas sim um exemplo de mulher que desafinava da sociedade daquela época, e que pode facilmente ser comparada com as mulheres da nossa. Fortes, inteligentes e sempre a busca de seus desejos.

Assista.Ao menos para ficar embasbacado com a beleza que só a vaidade é capaz de produzir em nossas mentes.

Informações técnicas:
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/vanity-fair/vanity-fair.asp

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