10 de agosto de 2006

""Era uma vez...uma professora e seus trinta alunos"

Nossa...Esse artigo é da época da faculdade...Mas eu tava fuçando umas coisas aqui e achei interessante...Enfim...Pode ser tão inútil qt os outros...Ou não...Decida vc...

Era uma vez...uma professora e seus trinta alunos

Você que está passando seus olhos por estas letras, mesmo que por mero acaso, está praticando um ato de liberdade essencial ao ser humano: o ato da leitura.
Muitos de nós(pessoas normais que acordam com bafo e mau humor) acreditam que leitura e literatura sejam cognatas (ah! quantos crimes foram cometidos em seu nome, cognatos...). A essas pessoas, dedico minha incompreensão.
Literatura é um objeto de muitas leituras, assim como os esboços de Dali e o cimento de Nyemaier. Já a leitura é um sujeito, não objeto, capaz de abrir todas as portas.
É costumeiro em nossas casas educacionais a cena:
-Aluno: Odeio ler!
-Professora: Por quê?
-Aluno: Porque é chato!
-Professora: Mas...(muitas e muitas reticências)
A próxima cena já podemos prever: a professora senta em sua mesa e folheia o livro (não) didático e o aluno continua a rabiscar a mesa.
A leitura é um processo endógeno e exógeno simultâneo. O mundo nos presenteia com os signos e nós modelamos a linguagem.
A maioria de nossas brancas de neve reclamam que seus anões não lêem. Pudera!Elas não metamorfoseiam-se em livros para narrar aos anões as estorinhas do mundo (não) encantado.
Nossos alunos querem ouvir, para depois aprender a falar. Ora, não são assim nossos sentidos?
Chato mesmo é não ler a vida, com todas as suas cores!
Que nossos anões leiam as instruções de seus games para depois tropeçarem no caminho de Drummond. Que olhem suas revistaas de cunho aborrecente, para depois sentirem a ressaca oblíqua de Machado. Que respondam seus caderninhos com perguntas, para depois relatarem suas férias, mas sem adjuntos e subordinações, mas com suas bicicletas criando rodinhas nas páginas.
Nossas brancas de neve devem acordar, sem esperar o beijo do príncipe. E então, ler a história que o olhar de seus anões conta, pois são tantas as leituras que eles fazem!
Clarice profetizou que a vida ultrapassa todos os entendimentos, certa de que as leituras seriam tantas quanto fossem os olhos.
"Decifra-me ou devoro-te". Todas as brancas de neve devem decifrar seus anões, ou estes as engolirão, num ato antropófago, com ou sem final feliz.

Patrícia Pirota junho/2004

Um comentário:

Samira disse...

Muito bom! Mesmo!
A citação do Wilde é ótima e oportuna!
Dia desses minha mãe falava sobre você, de como você é dedicada e talentosa. Concordo com ela, não sei se já havia dito isso, se não, foi apenas egoísmo (aquele que cega para o mundo além do umbigo).
Brilhe, querida, brilhe!
Teu lugar não é na sarjeta é no firmamento.