9 de agosto de 2006

Artigo Inútil: Castelo de Areia

Castelo de Areia(artigo inútil)

(Leia ouvindo "Apesar de você" do Chico Buarque)
(Ps1: se você não gosta de MPB, ouça "Ticket to ride" dos Beatles)
(Ps2: se você não gosta nem de MPB nem de Beatles não leia! Porque boa gente você não deve ser...)

Hoje é sábado(pra mim né...porque pra você...vai saber...). Depois de ter dormido o dia todo (afinal, "o sono é o domingo do pensamento"), fui arrumar meu quarto(porque estar acordado é a segunda-feira da vida). No meio de livros, cds, roupas, provas pra corrigir, All Stars sujos e contas do cartão de crédito(maldito seja quem inventou esse treco!mentira...) encontrei um guardanapinho daqueles de cafeteria(pois então...eu tenho o hábito de, toda vez que vou a uma cafeteria, pegar um guardanapo e escrever a "frase da hora".Bobice minha...).
Era uma frase bem doída, do Caio F. Abreu(ah é!esqueci de dizer qual é..."Não que se sentisse triste, apenas não sentia mais nada.").Lembrei desse dia e parece que a vida me deu um puta soco no estômago.Era um fim de semana deveras nublado, pelo menos pros meus olhos, que ficaram um pouquinho umedecidos quando reli(tá bom!tá bom! eu assumo!chorei mesmo!!!).
Logo depois, peguei outro guardanapinho, com uma frase do Tom Zé, que amo("Na vida, quem perde o telhado ganha em troca as estrelas"), e lembrei o quanto eu estava feliz nesse dia. E olha que nem fazia muito tempo de diferença do outro...
Aí parei pra pensar (medo!sim...) em quanto nossa vida é efêmera(gosto mais dessa palavra que de "passageira"!passageira me lembra uma música do Capital que eu detesto!).
O ser humano tem uma capacidade absurda de esquecimento.Se hoje estamos tristes, como se fôssemos um castelo de areia a ser derrubado por uma onda, depois de uns goles de cerveja(ou de chocolate quente para os não cachaceiros), uma musiquinha, um cheirinho de incenso e uma presença amiga(mesmo que seja no msn ou no fone) já estamos sorrindo novamente.
Não que aquela tristeza tenha ido embora, mas ela se metamorfoseou.
Kafka, em seu livro "A metamorfose", transformou um cara comum em um inseto trash. Segundo ele, para representar "a própria humanidade: aflita, frágil, infeliz". O livro foi escrito em 1912, mas a idéia de Kafka ainda está presente nas nossas cacholinhas do século XXI.
Somos tão frágeis, que nossa opinião pode mudar a qualquer anúncio bem feito. Tão aflitos, que precisamos fazer milhares de coisas ao mesmo tempo agora, com o medo de nos esquecermos perdidos num canto da casa, ou de não termos sido tão bons quanto nossos sonhos de criança merecem. Basta perceber que, ao mesmo tempo, postamos em fóruns, conversamos no msn com,pelo menos, umas cinco pessoas, baixamos músicas, assistimos vídeos e falamos ao telefone. Aah!E ainda conseguimos respirar!Só pra mostrar o quanto a gente é foda!
Mas aí, depois que desligamos tudo o que nos conecta ao mundo exterior, e nos voltamos só pra essa maquininha que tem um bombeador de sangue que também nunca pára, vêm a tristeza.
Já dizia o poetinha, "tristeza não tem fim, felicidade sim...". Mas sempre há que se dar um jeito...
Uia!Acabei de achar outro gurdanapinho.Nele está uma das minhas frases-retrato, "Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz!".
É assim que eu vou levando...Brincando de pintar o nariz, sempre que trombo com uma coisa ruim. Sempre que meu castelo de areia é derrubado por uma onda, lembro que amanhã vai ser outro dia...E que apesar das pedras no caminho, o mundo é vasto demais, e a lua deveras comovente, pra que eu deixe de "palhaçar" com a vida.
Patrícia Pirota agosto/2006

Um comentário:

ebloggir disse...

acho dificil passar a ideia p/ o papel assim como vc faz. essa eh a primeira marca d um escritor.
e olha q essas ideias por si soh ñ sao faceis nem d falar.
esse modo d transmitir a mensagem juntamente c seu teor eh como q a fusao da mecanica c a natureza, formando um sistema exato na estruturação, como as máquinas e incerto no seu destino, como os homens.