22 de julho de 2006

Artigo Inútil - Hexa uma vez

Artigo escrito no dia do jogo Brasil x França.Quartas-de-final da Copa do Mundo 2006.



Hexa uma vez...
(Ps:NÃO leia ouvindo a trilha de Amelie Poulain!)

Pois então...O tal do quadrado trágico não funcionou... Mais uma vez o Lobo Mau francês comeu a Vovozinha brasileira... E a Madrasta européia fez a Branca de neve brasileira dormir...
Mas o que realmente não funcionou foi o pé de uva! Se você é entusiasta defensor do pé de uva (conhecido também como técnico de museu. Afinal, um cara que escala jogador por "história" deveria trabalhar no museu da CBF! Quem sabe na próxima Copa ele não escale o Pelé, o Tostão, e desenterre, literalmente, o Garrincha!), acho melhor parar de ler esse inútil artigo (ops!acho que falei tarde demais!).
Algumas horas já se passaram depois do jogo, e eu acho (assim como muito torcedor) que ainda haverá prorrogação. Ou que foi uma alucinação coletiva.
Mas sou obrigada a aceitar que não foi...
Depois de o jogador da França (que por uma terrível coincidência também jogou em 98) ter dito em bom francês (que aqui traduzirei para o bom português) que os brasileiros se preocupam mais com o futebol do que com o estudo (ou que são ignorantes), somos obrigados a engolir o orgulho do "melhor futebol do mundo" e suportar o falatório do resto do mundo (até porque em se tratando de Brasil, só se fala no futebol, no tráfico e na corrupção) (ah!esqueci do samba, da cachaça e da mulher pelada).
Vivemos num país que pára tudo o que está fazendo para assistir os jogos do Brasil na Copa. O mesmo país que tem como maior renda a exportação de jogadores de futebol. Jogadores esses que ganham um salário que eu não ganharia em pelo menos 3 encarnações(isso se eu ganhasse na mega sena em todas elas!).
Um país que chorou! Os futebolistas fanáticos pelo jogo medíocre. Os "oba-oba" pela falta da cerveja pós-jogo(ps:com certeza os comerciantes choraram muito mais pelo mesmo motivo!). Os vendedores ambulantes pela anunciada não- venda das camisas e acessórios do Brasil. Os brasileiros de coração pelo sonho perdido. E os brasileiros de certidão e senso crítico (onde eu me encaixo) pela vergonha.
Vergonha de reconhecer que a seleção de futebol é um reflexo do país. País esse que sempre foi visto como um dos mais ricos em recursos naturais e humanos do mundo, mas que nunca soube aproveitá-los, vendendo a preço de banana para o exterior (ps:a maioria dos jogadores da seleção joga em times europeus, e seus salários chegam a cifras inimagináveis para uma grande parcela da população do país. Diga a alguém que mora nas favelas o salário do Ronaldinho Gaúcho e ele vai perguntar se é de comer!).
País que tem uma das culturas nacionais mais ricas do planeta, mas que sempre abaixa a cabeça para a velha europa (ps:nossos jogadores sempre foram conhecidos pela alegria e jogo bonito, mas quem deu show em campo foi a seleção da França!)(afinal, "o show é ganhar" não é mesmo Pé de uva?!).
País que elege um governante por "orgulho operário", e que, mesmo depois de ter provas absurdas da má fé e má organização de seus líderes políticos, pretendem elegê-los novamente(você já viu quem está liderando as pesquisas?!) (ps: no quesito má liderança não haveria melhor exemplo que o nosso pé de uva [Parreira, para os não iniciados em Rock Gol], que mesmo com um time improdutivo, prefere acomodar-se e fingir que não sabe de nada).
Um país triste!
Ao contrário de muitos ufanistas que preferem defender, dizendo que "os outros também têm que ganhar", eu prefiro a verdade de que o país gosta de perder. Afinal, um povo que prefere gerar violência gratuita, seja num jogo de futebol ou no congresso; que prefere assistir as novelinhas do México a ler um livro; que prefere ser conhecido pelo futebol que pela cultura, só tem a perder.
Eu só espero que depois desse fato, o país tome uma "atitude" (palavra, aliás, que o tal do narrador pedante usou muito durante a transmissão). Se todas as pessoas que assistiram o jogo, perceberem que o país também anda apático, e efetivamente fizerem alguma coisa pra mudar, não conquistaremos apenas a "sexta estrela", mas sim o orgulho de viver num país descente, em que os contos de fadas são feitos por pessoas que pensam e lutam, e não só de princesas que esperam pela taça encantada (ops!é príncipe).

( Ps2:desocupado leitor, me desculpe pela escassez de bom humor, mas hj parece que meu ano foi sempre uma segunda-feira...)

Patrícia Pirota junho/2006

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