30 de julho de 2006

Poemeto - Qualquer


"Numa noite nua
qualquer
grito de bondade
será punido
se não pela impaciência
que é trem
pela discordância
de verbos no imperativo
A primeira pessoa foi abolida
no singular
pelos edifícios em cinza
no plural,
pelo tecnológico avanço do não-ser.
Numa noite crua
qualquer
expressão de amor
será banida
se não pela solidão
que é muro
pela concordância
de sujeitos no singular
O primeiro não concorda com a ação
que realiza o segundo triunfante
sem dizer que eram dois.
Numa noite sua
qualquer
adeus será compreendido
se não pela incerteza do amanhã
que não bate ponto
pelapluma da perfeição
que é só palavra."
Patrícia Pirota

25 de julho de 2006

Baú do tempo (conto de memórias insanas)

Baú do Tempo (By Patrícia Pirota)

Introdução desnecessária

Essas são algumas escrivinhações sem propósito, mas que se fazem necessárias por minha alma sedenta de caminhos.Talvez aqui eu encontre algum ponto de onde eu não tenha, ainda, olhado minha alma.



Num dia como esse, onde o ar parece pouco demais para respirar a plenitude dos olhos, me sinto só. Sarcástica e ironicamente só...
Não quero que esse comentário renda olhares de compaixão de sua parte, leitor, pois essa solidão que me toma conta é produto meu, preciosamente meu.
Nos últimos tempos, que não julgo necessário datar, a solidão, que antes era refúgio de minha agitada sociedade, passou a ser cotidiana.E como todo cotidianismo, passou a incomodar minhas veias.Cada hora que passa sinto que sorrateiramente o tédio vai se apoderando de meus poucos suspiros.Ah, o tédio! Só ele é capaz de produzir devassidões e intolerâncias, visto que não há nada mais a fazer diante do tédio que praticar maldades insanas.
Olho para a janela (suja por todos os pensamentos vãos que tive) e tento entender o motivo de ainda não ter levantado.Vão-se lá umas três horas de luta com a preguiça, até conseguir atinar-me a levantar da cama.
Todos os pensamentos que me ocorrem nesse tempo de ócio me são preciosos, deles eu recorto minhas ilusões, que quase nunca chegam a tornarem-se fatos, mas sempre ficam arquivadas no subsolo de meus desejos.
O dia se mostra tão receptivo a pessoas cujos olhos são alegres, que acabo por ficar com náuseas.Arrasto meus pés até um destino que, durante os últimos seis anos, tem sido o mesmo.Sempre as mesmas pessoas, o mesmo banco... embora tenha mudado a cor recentemente, o verde das paredes acaba por me deixar inquieta, a busca de esperanças que não estão ao meu alcance de meu querer...
O mesmo café, o mesmo olhar vazio, os mesmos "tudo bem?" sem propósito. A única que nunca parece sempre a mesma é minha mudança, praticamente previsível de três em três meses.
Há que se perguntar o porquê de minha religiosa ida a um lugar que já não me apraz...E em busca de alguma explicação me perco nos caminhos de minha memória...
No início eu era apenas uma incógnita volante, que não pertencia a uma matriz, mas transitava por todas. As palavras jorravam de minhas artérias, e eu as colocava para fora para que não me afogassem... Eram tantas e de irracionalidade desmedida, que por muito tempo me vi num mundo surreal. Tudo me parecia normal, até mesmo minha loucura anunciada.
Já deves estar bocejando, crendo que esta é apenas mais um narrativa fantástica, da qual muitas já entreteram tua ignorância. Mas não, caro estranho. Por mais infeliz que seja a realidade, esta não é uma narrativa poeana e maravilhosa.
Com o ir dos tempos, também se foram minhas palavras, meus companheiros de então e minha insanidade. Tornei-me então uma incógnita fixa, sempre a espreitar e recusar qualquer manifestação de proximidade. Tudo continuou o mesmo... Ao contrário de quando era apenas uma moldura na parede descascada, passei a ser uma tela colorida. Sempre notada como um animal de circo... Incomodava-me a posição de ser um mito, um objeto de estudo e admiração (ou repudia).
Formou-se aqui, uma personagem que acabou por fugir do meu alcance. Todos os meus medos, minhas angústias, minhas maldades mais obscuras, moldaram esta persona. Tão diferente de tudo e todos. Tão segura do alto de suas inseguranças. Tão paradoxal que chegava a encantar.
Elogios lhe eram cotidianos, e mais uma vez a representação do todo dia lhe incomodava deveras.
Processou todos os seus conhecimentos em retóricas que lhe permitissem afugentar as pessoas. Destilava sabedoria com a mesma normalidade de quem pede pão de manhã. Sorria com desdém a todos que não preenchessem seus caprichos infundados (realmente todos). Trocou a bebida, mas o conteúdo era o mesmo: insatisfação...
Pois bem...Esse resumo mostra o quanto minhas faces se fragmentaram por esse período. Hoje me encontro no mesmo lugar, sem devaneios a busca de explicações. Apenas procurando paixões em cada olhar incompreensível, inatingível.
Em meu subsolo (recentemente descoberto) continuo escondendo minhas verdades. Talvez tão minuciosamente guardadas, que me é árduo escavá-las e levá-las ao topo.
Apesar de não lhe indagar, ou colocá-lo na parede a busca de opiniões, gostaria de lhe pedir que olhasse suas paredes, caro estranho. Olhe-as e veja se não há nenhuma passagem secreta para o seu subsolo. Caso o encontres, verás que maldades e utopias nos são semelhantes, e já não acharás enfadonho passar os olhos por estas linhas que escrevi em ato de desespero. Desespero em busca de uma identidade, que talvez tenha deixado seus estilhaços em tuas entranhas.
Se "eu é, realmente, um outro", somos todos o mesmo.O mesmo desejo de ser o infinito, que não busca tempos ou respostas, mas que apenas encerra-se em seu baú, contemplando o fim.
Patrícia Pirota 2005

22 de julho de 2006

"Acalento à solidão"


"Construi todas as imagens
com restos de palavras
respingadas em café.
Subordinei todos os desejos
à existência de irregulares particípios.
Acho que sei o que quero...
mas dias como esse
sopram minhas cinzas
escondidas nos cantos do mundo.
Conjuguei todas as possibilidades
em meus tempos infinitos
Tudo para tentar compor vozes
que pudessem renovar minhas almas
e acalentar minhas solidões."
Patrícia Pirota

Artigo Inútil - Hexa uma vez

Artigo escrito no dia do jogo Brasil x França.Quartas-de-final da Copa do Mundo 2006.



Hexa uma vez...
(Ps:NÃO leia ouvindo a trilha de Amelie Poulain!)

Pois então...O tal do quadrado trágico não funcionou... Mais uma vez o Lobo Mau francês comeu a Vovozinha brasileira... E a Madrasta européia fez a Branca de neve brasileira dormir...
Mas o que realmente não funcionou foi o pé de uva! Se você é entusiasta defensor do pé de uva (conhecido também como técnico de museu. Afinal, um cara que escala jogador por "história" deveria trabalhar no museu da CBF! Quem sabe na próxima Copa ele não escale o Pelé, o Tostão, e desenterre, literalmente, o Garrincha!), acho melhor parar de ler esse inútil artigo (ops!acho que falei tarde demais!).
Algumas horas já se passaram depois do jogo, e eu acho (assim como muito torcedor) que ainda haverá prorrogação. Ou que foi uma alucinação coletiva.
Mas sou obrigada a aceitar que não foi...
Depois de o jogador da França (que por uma terrível coincidência também jogou em 98) ter dito em bom francês (que aqui traduzirei para o bom português) que os brasileiros se preocupam mais com o futebol do que com o estudo (ou que são ignorantes), somos obrigados a engolir o orgulho do "melhor futebol do mundo" e suportar o falatório do resto do mundo (até porque em se tratando de Brasil, só se fala no futebol, no tráfico e na corrupção) (ah!esqueci do samba, da cachaça e da mulher pelada).
Vivemos num país que pára tudo o que está fazendo para assistir os jogos do Brasil na Copa. O mesmo país que tem como maior renda a exportação de jogadores de futebol. Jogadores esses que ganham um salário que eu não ganharia em pelo menos 3 encarnações(isso se eu ganhasse na mega sena em todas elas!).
Um país que chorou! Os futebolistas fanáticos pelo jogo medíocre. Os "oba-oba" pela falta da cerveja pós-jogo(ps:com certeza os comerciantes choraram muito mais pelo mesmo motivo!). Os vendedores ambulantes pela anunciada não- venda das camisas e acessórios do Brasil. Os brasileiros de coração pelo sonho perdido. E os brasileiros de certidão e senso crítico (onde eu me encaixo) pela vergonha.
Vergonha de reconhecer que a seleção de futebol é um reflexo do país. País esse que sempre foi visto como um dos mais ricos em recursos naturais e humanos do mundo, mas que nunca soube aproveitá-los, vendendo a preço de banana para o exterior (ps:a maioria dos jogadores da seleção joga em times europeus, e seus salários chegam a cifras inimagináveis para uma grande parcela da população do país. Diga a alguém que mora nas favelas o salário do Ronaldinho Gaúcho e ele vai perguntar se é de comer!).
País que tem uma das culturas nacionais mais ricas do planeta, mas que sempre abaixa a cabeça para a velha europa (ps:nossos jogadores sempre foram conhecidos pela alegria e jogo bonito, mas quem deu show em campo foi a seleção da França!)(afinal, "o show é ganhar" não é mesmo Pé de uva?!).
País que elege um governante por "orgulho operário", e que, mesmo depois de ter provas absurdas da má fé e má organização de seus líderes políticos, pretendem elegê-los novamente(você já viu quem está liderando as pesquisas?!) (ps: no quesito má liderança não haveria melhor exemplo que o nosso pé de uva [Parreira, para os não iniciados em Rock Gol], que mesmo com um time improdutivo, prefere acomodar-se e fingir que não sabe de nada).
Um país triste!
Ao contrário de muitos ufanistas que preferem defender, dizendo que "os outros também têm que ganhar", eu prefiro a verdade de que o país gosta de perder. Afinal, um povo que prefere gerar violência gratuita, seja num jogo de futebol ou no congresso; que prefere assistir as novelinhas do México a ler um livro; que prefere ser conhecido pelo futebol que pela cultura, só tem a perder.
Eu só espero que depois desse fato, o país tome uma "atitude" (palavra, aliás, que o tal do narrador pedante usou muito durante a transmissão). Se todas as pessoas que assistiram o jogo, perceberem que o país também anda apático, e efetivamente fizerem alguma coisa pra mudar, não conquistaremos apenas a "sexta estrela", mas sim o orgulho de viver num país descente, em que os contos de fadas são feitos por pessoas que pensam e lutam, e não só de princesas que esperam pela taça encantada (ops!é príncipe).

( Ps2:desocupado leitor, me desculpe pela escassez de bom humor, mas hj parece que meu ano foi sempre uma segunda-feira...)

Patrícia Pirota junho/2006

18 de julho de 2006

Artigo Inútil - Caído da Mudança

Caído da mudança
(Ps: leia ouvindo I will survive na versão do Cake)
(Ps2:pode até não ter nada a ver com o artigo, mas essa música é muito boa!)
(Ps3:Você não gosta da música?Ouve o que você quiser então, uai...)

Sabe aquela velha expressão "como um cachorro que caiu da mudança" (ou alguma coisa assim.Geralmente as expressões mudam conforme o estado né.Se você for de Minas provavelmente vai falar "como um trem que caiu da coisa", mas enfim...)?
Pois eu sou a dita cuja que caiu. Sabe-se lá de que mudança, mas caiu.
Ando meio perdidinha (e se você acha que o "certo" é "meiA perdida" pode parar de ler meu artigo!!! ou então jure em nome da santa mãe língua portuguesa que nunca mais vai cometer esse pecado! jurou?! jura?! então pode continuar...). Dizem por aí que uma pessoa tem algumas fases de "crise" na personalidade durante sua estada nesse inferno de Dante. Na verdade eu não tenho problema nenhum com a minha personalidade, acho ela bem bacana. Divertida até. O único problema são os caminhos da tal.
Tem algum grande filósofo de buteco que disse por aí que os olhos são o espelho da alma(se não foi nenhum filósofo de buteco, sorry senhor filósofo de tumba!), mas o que realmente tem sido o espelho da alma é a roupa e a palavra(excluí-se aqui os "outdoors de tendências fashion vazios de plantão").
A roupa, porque ela diz tudo o que você quer(a não ser que você não tenha mais nenhuma roupa limpa e seja obrigado a vestir o que sobrou né). Olha só, se você está com vontade de apanhar e ser massacrado vá a um show de heavy metal com uma camiseta branca dizendo "100 por cento pagodeiro" (nossa!agora que visualizei a cena fiquei até com medo!); ou se você quer sexo(no caso feminino) vá a um jogo de futebol de mini cinto(ops!é saia), (ops2!também fiquei com medo depois de visualizar!). Bom, já deu pra entender né(melhor parar de visualizações porque hoje minha mente anda muito insana).
A palavra, porque ela literalmente diz tudo (a não ser que você esteja tentando falar como um membro da academia de letras, num bar, às 3 da manhã). Você é aquilo que você diz, ou aquilo que você cala.
Ah sim...Nesses tempos de internet não podemos excluir o "web space", mas será que dá pra deixar essa discussão pra um outro artigo? Porque já quase me perdi do que comecei a falar...
Voltando a tal da minha personalidade...Ou da sua...Whatever...
Tem dias em que a área do meu cérebro onde está hospedada minha personalidade vira um labirinto. Não sei se visto roxo ou branco, se falo como uma "mina" ou como uma executiva, se respiro ou penso (decisão extremamente dif´cil essa última rapaz...).
Pois então...Acho que essas tais crises de personalidade têm mais a ver com aquilo que o exterior produz em você, e com o que você processa e reproduz, do que com aquilo que você realmente é.Afinal, o tal do Darwin não dizia que somos um produto do meio? (sim!ele também falava da lei do mais forte, mas isso não tem nada a ver com meu artigo!) (tá...eu sei que meus artigos não têm muita coisa a ver com nada, mas posso continuar?!Depois discutimos teorias evolucionistas oká?!).
Freud(lê-se "Fróidi" viu!) dizia que até os sete anos uma pessoa já tinha sua personalidade formada. Mas e depois?! Depois nossa personalidade brinca de mímica?! "Ah!Esse ator é bacana então vou imitá-lo". Não, pra mim não(embora eu adore brincar de mímica).
Somos formados a cada dia. A cada frustração, a cada realização, e não só até entrarmos na escola.
Se fosse assim até hoje eu seria muda!Porque até os sete anos eu só falava quando era obrigada. E olha só no monstro que me tornei...Uma tempestade de palavras ambulante!
Mas voltando ao fato de eu ter caído de uma mudança qualquer, quase posso apostar que você também já se sentiu assim. Não vale época de vestibular, porque aquilo é tortura! Escolher aos 17 anos o que você vai ser quando crescer é sacanagem! Não há persona que resista. Lembra daquele monte de bolinhas pra preencher, e os nomes dos cursos dançando um samba na sua frente, até que você optou por um só pra acabar com a pressão psicológica? Ah não?!Você jura que é daqueles que já sabia o que ia ser quando crescesse desde pequeno? Lálálá pra você!
Hoje acordei com uma vontade desconhecida de ser séria(sim!me deu medo também!). Não que eu não seja, quando tento até que engano. Mas uma vontade de ter os mesmos propósitos das pessoas que acham que sonhos são apenas aqueles que estão na vitrine da padaria. Que o certo é trabalho-casa-trabalho. Aí, você que já leu alguma coisa minha, ou que me conhece, vai achar que enlouqueci! Calma,calma! Já voltei ao normal e ainda quero atuar na Malhação(risos tremendos! como se isso fosse normal!). Quero dizer que já desisti dessa tal personalidade. Há quem goste, mas não é pra mim.
Prefiro a tarde que não é azul de Drummond, ao quadro de natureza morta no lugar da janela do escritório.
Mas...E a sua personalidade, como vai? Tá bem trancadinha aí dentro de você? Ou anda como a minha que quer se jogar das mudanças da vida?

Patrícia Pirota julho/2006

17 de julho de 2006

Artigo Inútil - Medo do escuro

Medo do escuro
(Ps:leia ouvindo Fake plastic trees do Radiohead, mas mantenha os objetos cortantes beeem longe)

Sabe quando você acorda(ou continua acordado...enfim...você entendeu né!) com aquela angústia absurda, e com o passado teimando em ficar assoprando no seu ouvido? Pois é...Estou assim...
Nem posso dizer que acordei assim, até porque já são três da manhã. E nem que vou dormir assim, porque definitivamente não vou dormir...
Mas estou assim...Fuçando meus subsolos, tentando achar alguma coisa que olhe pra mim e diga "Não esquenta não! Você tem muitas coisas boas do que se orgulhar!". Tá...Ahã...
Não quero que essa escrivinhação tome um rumo depressivo(ps: até porque se isso acontecer, danou-se!Acabaram meus valiuns...), mas quero compartilhar com você sobre nosso passado.
"Mas eu não tenho nada a ver com o SEU passado!", você pode estar gritando e quase fechando a tela, mas peraí! Você também viu a Xuxa (por si só um bom motivo pra anos de terapia), usou cabelo Xororó(terapia até a próxima encarnação!) e comeu Lolo e Chiclets(ufa!por esse não vamos a terapia...mas pela quantidade que eu comi, dá-lhe dentista!).
"Tá!E o que que tudo isso tem a ver com o título?". Bom...Um bom artista sempre coloca os títulos diametralmente opostos a sua obra (ps:caso você não tenha entendido, significa nada a ver com o que foi criado tá)... Mas na verdade, eu acho que eu tava falando sobre o passado né? Ou era sobre a angústia?
Ah!Enfim... O que na verdade tomou conta de mim hoje foi o medo do escuro (arrá!pra ninguém dizer que não tem nada a ver com o título!Vai que você tá lendo isso numa segunda...Aí já viu né...Mau humor na certa!) (ps:hoje é segunda!!!argh!). O medo de mecher no escuro do meu passado...
Tantas coisas que foram deixadas pra trás(e que eu jurava que ficassem todas embaixo da cama, pra sempre...), e que parecem que perderam o valor. Aqui eu não falo só dos discos do Menudo, dos gibis da Disney, e dos Legos (ps:quem nunca perdeu uma peça de Lego que atire o primeiro Playmobil!). Falo também de um pouco de nós...Sim, eu sei que isso faz parte da formação da personalidade e blábláblá...Mas, onde diabos foi parar aquele sorriso bobo quando eu via uma borboleta amarela? (ps:por falar nisso, se alguém encontrar uma borboleta amarela, diz que estou com saudades!Elas nunca mais apareceram...). Ou então aquelas bochechas vermelhas quando alguém me elogiava? E os príncipes encantados então?! (lálálá...tudo bem, nessa admito que forcei...mas se até a trouxa da Cinderela tinha um, porque eu não podia querer também?!).
Pois é...Acho que minha memória anda super lotada, e que acabei por deletar alguns arquivos sem querer, ou nem prestar atenção...
Mas...O que me faz parar pra pensar nisso, é que o tal do Seu Tempo sem-vergonha tá andando muito apressadinho ultimamente... Ainda lembro de quando o chato do Galvão gritou "é tetra!", e esse mês o Brasil já tá tentando o Hexa!(ps:pra você que é nerd anti-social, tetra e hexa são apenas prefixos de derivados de carbonos cíclicos; afinal, se você ainda não sabe o que raios é o tal "hexa", deve viver dentro de um laboratório pesquisando benzenos),(ps2: pra você que é social, não tente entender o que eu disse aos anti...isso não é coisa de gente normal tá...).
Hoje um aluno me perguntou o que significava "nostalgia". Dei a definição clássica de dicionário (afinal de contas sou uma professora de português né!), mas agora acho que deveria dizer outra coisa. Deveria ter dito que nostalgia é você fechar os olhos e lembrar do seu bambolê, e jurar que ele está agora na sua cintura. Ou então lembrar daqueles arranhões de subir na árvore pra pegar goiaba(embora eu nunca tenha subido em árvore pra pegar goiaba!pois é...primeiro porque nunca gostei de goiaba.segundo porque eu era gordinha demais pra subir em árvores...). Ou lembrar com saudade da farinha e da tinta que jogaram na sua cabeça no dia da matrícula na faculdade(malditos veteranos!).
Taí...A palavra certa é saudade...Talvez hoje eu esteja com saudade. Dizem que saudade dói. Mas em mim ela reverbera.
E quando ela cai em mim, lembro do escuro do meu futuro. Que, assim como o passado, tá escondido em algum canto. Mais um retrato em branco e preto da minha vida.
Estou com medo de sonhar acordada, mas até que ia ser bom acordar com um ursinho carinhoso nos braços, aquele cheirinho de novo inundando meus pulmôes (que naquela época não tinham nenhum pinguinho de monóxido de carbono, pobrezinhos) e todas as páginas do meu diário branquinhas, prontas pra guardarem minhas recordações.
Por falar nisso, onde raios será que eu enfiei meus diários?!

Patrícia Pirota julho/2006

14 de julho de 2006

Artigo Inútil - No sense

No sense(artigo (in)útil)
(Ps: leia ouvindo "Se ela dança, eu danço" do Mc Léozinho)
(Ps2:hauahauhau tava brincando!!!Ouça o que você quiser vai...)

Já ouviu a expressão "sem noção"? (ps:caso não tenha ouvido tenho uma perguntinha a fazer:em que raio de mundo você vive?)
Pois então...Essa é a expressão que eu coloquei pra me definir num daqueles "abouts" do yorkut...
Veja bem (apesar de...risos...eu não podia deixar de lembrar do Caninha ao falar de sem noção né...) o que o senhor Aurélio nos diz: "no.ção sf. 1.conhecimento, idéia 2.informação, notícia 3. conceito".
Se fôssemos levar ao "pé da letra" a expressão "sem noção", ela seria apenas mais um codinome de calouro(nem adianta reclamar que é verdade!), ou do senhor presidente(será que eu posso ser presa por isso?!) (lálálá, não posso! lembrei da tal liberdade de expressão!). Mas devemos considerar acima de tudo a criatividade brasileira, e sua capacidade de subverter significados (olha só a tal da independência, depois de uns bons anos virou dívida externa).
Sem noção tem muito mais identificação com diversão do que com falta de conhecimento. Talvez esse tal de conhecimento seja o grande xis da questão! É tanta informação, que às vezes o cérebro processa tudo de uma vez, e acaba virando o samba do criolo doido.
Na verdade, o que me levou a escrever esse artigo (inútil, pra variar) foi meu comportamento "sem noção" de hoje(tudo bem!se algum amigo meu estiver lendo isso aqui[e tem que estar lendo!quem mais iria se aventurar?!] vai dizer que eu sou sem noção todo dia, mas esse é SÓ um exemplo tá...).
Estávamos numa reunião da web agência, quando a insana aqui resolveu fazer duas xuxinhas no cabelo(iguais ao da Chiquinha, lembra? mas na verdade era pra ficar parecendo a menininha do Monstros S.A.) e começou a ficar falando "booo" (exatamente igual a menininha do Monstros) esporadicamente(tá bom Thon! ficar falando o tempo todo).
Lálálá...Talvez você não esteja achando nexo ou graça nisso. Mas é exatamente por isso que escolhi o exemplo.
Lembra que eu falei que sem noção tinha a ver com diversão? Pois então! Sair dos parâmetros aceitáveis para uma pessoa normal (ou se comportar como louco, como queira), pode ser divertido. Juro! Você já foi a um show do Wando e jogou uma calcinha da sua vó pra ele beijar? (o quê? você detesta Wando?Acha brega?Eu também!Mas já joguei a calcinha!). Já brincou de Bomberman nos quadradinhos do corredor da faculdade(lero lero!eu já!)? Já dançou pagode sem saber dançar(e o pior! detestando esse tipo de "som" [porque chamar de música seria apelação né])?
Se a resposta a tudo isso foi não, ou você está morrendo de vontade de ir a um show do Wando, ou esse artigo é REALMENTE inútil pra você.
O non sense é uma das artes da vida. Lembrar que talvez estejamos numa Matrix, e brincar de Mortal Combat no meio da rua, é mais divertido do que lembrar que a Bovespa está em baixa.
Sejamos sérios quando estivermos em frente ao nosso patrão pedindo aumento. Sejamos sóbrios pra ganhar a cachaça de cada dia (ops!é o pão né).
Mas também sejamos sem noção ao lado daqueles que escolhemos para ser nossa família:nossos amigos. Ou em frente ao nosso arquiinimigo:o espelho(eu não sei o seu, mas o meu maldito me mostra a língua toda manhã!).
Seja falando "booo" nos momentos mais impróprios, ou apenas dando risada, enquanto lê um artigo inútil.

By Patrícia Pirota junho/2006

13 de julho de 2006

Artigo Inútil - O bicho papão da criação


O bicho papão da criação
Pois então...Cá estou eu, na frente do meu micro, lutando contra a vontade imensa de jogar paciência(que só surgiu quando lembrei do maldito trabalho que tenho pra terminar).
Quantas milhares de vezes eu(e a grande maioria dos brasileiros de alma) já me vi nessa mesma situação?!
"Olha, você pode me entregar isso pronto daqui a 15 dias". Pronto! Senha pra encerrar o processo criativo. Dê-me um prazo que lhe darei um ser desesperado na madrugada da entrega brigando com os últimos lâmpejos de idéia que um dia passaram pela sua cabeça.
Já jurei milhões de vezes que não ia deixar mais nada pra última hora. Já fiz promessa pra tudo quanto é santo pra ver se conseguia terminar antes. E posso até apostar que você está lendo isso aqui só pra fugir de alguma obrigação criativa também.
Se eu fosse pesquisadora iria tentar encontrar o gene maldito responsável por essa procrastinação típica da maioria de nós (ps:você não sabe o que é procrastinação? Taí uma coisa que sempre se deixa pra depois: o conhecimento. Aposto que ao invés de ir procurar no dicionário, você vai se contentar em saber o "sentido global" da frase...Psiu!Cadê você? Foi buscar um Aurélio ou tá se escondendo de vergonha?Ou os dois?). Mas voltando a tal da síndrome do deixar pra última hora e aos pesquisadores, acho que seria útil descobrir se existe esse tal desse gene e destruí-lo.
"Como assim destruir um gene?". Sim...Pense em quantas tragédias esse tal gene já causou. Lembra daquele trabalho da faculdade que tinha um tema super bacana e que podia ter ficado perfeito? Pois é...Foi feito na última hora e ficou um lixo. E aquele relatório que você tinha que fazer pra uma empresa, e que foi pedido a pelo menos um mês?Apenas um amontoado de dados achados no desespero numa pasta perdida, e lá se vai um cliente. Até o tal do "todo poderoso", que criou tudo por aqui, deixou o homem pra fazer no último dia, e olha só no que que deu...
Álas...Acabei de lembrar de uma coisa...Amanhã tenho um trabalho pra entregar. E advinha o que vou fazer?! Jogar paciência...
Mentira.Vou terminar logo o bendito. Mas no próximo eu prometo que faço diferente. (Ps:essa história de prometer parece que também é um gene corrompedor do sistema humano hein! Mas esse assunto eu deixo pra um outro dia, quando eu tiver um outro trabalho pra terminar...)

By Patrícia Pirota junho/2006