24 de dezembro de 2006

Terra do Talvez

Era uma vez...
O que que era uma vez mesmo?!
Ah!Na verdade não era.Foi mesmo.Ou será que será?
Ou é.
Ah...

Você está convidadíssimo para participar do nosso café com bolinhos.Ou cerveja com pastel.Ou Coca com...Enfim...Você entendeu!

Apenas tome cuidado para não se perder no caminho.
Ou encontrar algum ser maluco com um maldito relógio na mão.
Afinal, nunca é tarde pra começar a fantasia.

*BREVE EM UM BLOG PERTINHO DE VOCÊ!*

19 de dezembro de 2006

Poemeto - Cabelos de Vênus

Ele tinha peixes nos olhos
E toda vez que de sua boca
jorravam verbos
minha boca sugava as estrelas
de seus mares
Coisas de impressão de céu!
Mas minhas lágrimas
não entendem seu cansaço
de ser apenas flor
nos cabelos de Vênus.

Patrícia Pirota set/03

24 de novembro de 2006

Poemeto - Mel e desilusões

Mel e desilusões

Todos estes séculos de silêncio
engolem meus dizeres
com mel e desilusões.
Minhas mãos tentam compôr
inúmeras canções
sobre meus arranha-céus,
que durante sua cinzenta existência,
brincam de tapar meu sol.
No processo de brincamento
de borboletas,
aprendi a fazer
bolinhas de sorriso,
enquanto pezinhos descalços
tentam a sorte
com paralelepipedos coloridos
num vermelho estacionado.
Então o verde ressurge
e os transeuntes ignoram as idéias
sentadas na calçada
pedindo um mínimo
de suspiro.
Patrícia Pirota jul/03

9 de novembro de 2006

Poemeto - Sentidos

Enquanto caminho na chuva
Penso nos olhos vazios
nos ombros cansados
na correria do mundo
Vejo o sorriso amarelo
a calçada suja
o vidro quebrado
Sinto o nó na garganta
o soco no estômago
a queda da ilusão
Ouço a voz da angústia
o lamúrio do tempo
o tilintar da tristeza
Toco a poeira da solidão
a cicatriz da cultura
as mãos do poder
Tudo no embalo dos sonhos
que não mais carrego
mas que me levam nas asas.

Patrícia Pirota nov./2006

3 de novembro de 2006

Sétima Arte (Estrelando:De olhos bem fechados)

DE OLHOS BEM FECHADOS (Direção e roteiro de Mr. Stanley Kubrick)

Seria redundante dizer que o nome de Kubrick já é o suficiente para que você se levante da cadeira e vá locar "De olhos bem fechados", afinal, responsável pelos históricos "Laranja Mecânica" e "2001.Uma odisséia no espaço", Kubrick é um dos diretores mais elogiados tanto pela crítica(que é uma feroz planta carnívora) quanto pelo público.

Mas há quem diga que não gosta de Kubrick.Há cidadãos que têm a infâmia de dizer que DORMEM em filmes do Kubrick! Tudo bem, relevemos, pois se há pessoas neste mundo capazes de achar que "O Chamado" tem um ótimo roteiro, não há como duvidar de muitas coisas nesta vida.

De olhos bem fechados é o mais recente filme de Kubrick, que ficou por muito tempo longe do mundo cinematográfico. O filme levou 3 anos entre produção e filmagens.Um período de "fermentação" das idéias.

Bill Harford (Tom Cruise) é casado Alice (Nicole Kidman). Ambos formam um casal perfeito.Lindos.Bem resolvidos.Inteligentes.Enfim,um típico "sonho americano".
Numa noite em que ambos estão divagando sobre suas vidas, após voltarem de uma festa em que, por muitas vezes não conseguimos identificar completamente o que é imaginação do que é fato, Alice conta a Bill que já sentira desejo por outro homem, um desejo tão forte que a teria feito deixar toda sua vida para trás.Como uma confissão.Mas não para expurgar-lhe a alma, pois ela não sentia culpa.Apenas uma confissão.Bill, que então demonstra a tão velada "moral" humana fica atordoado.

Aqui abro um parênteses para falar da atuação de Nicole Kidman.Todos sabemos o quanto sua beleza enche a tela. Mas no corpo de Alice ela se torna dionisiacamente irresistível.Seus gestos, sua voz, seus olhos.Tudo induz a um mundo de sonhos dentro de uma realidade multicolor.

Tom Cruise também está ótimo.Talvez não seja seu melhor papel.Mas suas expressões são exatamente as que eu esperava de Bill.Um homem frio e passional.Duo.Ambíguo.

O roteiro do filme peca um pouco por seus excessos.Talvez seja por este ponto que muitos tenham criticado "De olhos bem fechados".Muitas cenas são longas, quase que criando uma desconexão.Enquanto outras são tão rápidas quanto um piscar de olhos.

A fotografia é fabulosa.Reflete fielmente todas as transformações de sentimentos vividas pelo personagem. Vão desde o cinza característico de Londres, até os tons quentes vindos como um sopro do oriente.

Uma das cenas mais surpreendentes e belas do filme é a cena em que Bill entra em uma festa "restrita" de uma determinada ordem secreta(aqui uma alegoria aos ritos pagãos é reproduzida). Muitos diriam que é apenas sexo.Corpos nus.Desejo carnal.Mas o que realmente importa nesse contexto é a falsa transgressão de valores.
Bill, através da participação em um culto transgressor, quer se "vingar" dos seus sentimentos bobos.Da sua rotina.Do café da manhã e dos jornais jogados no quintal.
Em muitos momentos do filme pode-se cogitar a idéia de teorias psicológicas disfarçadas.Mas esse não é o melhor caminho para se sentir a trajetória dos desejos.

Uma tênue linha entre a realidade e a fantasia é substanciada no filme.E nessa linha nos perdemos.Tanto quanto em nossas vidas normais.Há dias em que precisamos olhar bem fundo nos olhos do espelho para sabermos que estamos de fato acordados.E há dias em que ao acordar, pedimos ao deus do sono que nos devolva nossos sonhos.

Um filme surreal.Talvez essa seja uma boa classificação.
Onde sonhos, desejos, irreal, abstrato, carne dilacerada, suspiros, coexistam igualmente sem necessariamente se excluirem.

Assista.Mas não vá com os olhos fechados de preconceitos ou expectativas demais.Deixe para fechá-los na volta, enquanto ainda tenta reproduzir as cenas de insanidade que foram projetadas em sua mente ao saborear o filme.

Informações técnicas e fotos:
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/de-olhos-bem-fechados/de-olhos-bem-fechados.htm

2 de novembro de 2006

Sétima Arte (Estrelando: V de Vingança)

V DE VINGANÇA

"O povo não deve temer seu governo, o governo deve temer seu povo" (V)

Baseado no HQ homônimo escrito por Alan Moore e ilustrado por David Lloyd, V de Vingança conta com o roteiro dos irmãos Wachowski e a direção de James McTeigue.
Talvez o nome dos irmãos Wachowski seria suficiente para alguns alternativos não cogitarem a idéia de ver o filme.Ou então o fato de entre os atores estarem as estrelas Natalie Portman e Hugo Weving. Ou mesmo pelo orçamento do filme ter girado em torno dos 50 milhões de dólares.Ou por ser um filme classificado como ficção científica.
Eu digo que isso seria um verdadeiro sacrilégio!

Apesar de ser um filme aparentemente hollywoodiano, V de Vingança é um belo sopro de (in)sanidade ideológica neste nosso cinema tão "mulherbonitasombraeáguafresca".

Seu enredo é situado em um passado futurista, onde o governo fascista conquistou o poder da Inglaterra após o fim de uma guerra nuclear. O filme se inicia com V(Hugo Weaving) salvando Evey Hammond (Natalie Portman) do ataque dos policiais responsáveis pela ronda noturna da cidade, que vive então um regime totalitarista. A partir daí Evey acaba por se tornar cúmplice de V, que a vê como uma possível comparsa para o seu grande plano contra o governo e em nome da liberdade.

V é um homem escondido por trás da máscara de Guy Fawkes(soldado inglês executado na forca por traição devido a sua participação na Conspiração da Pólvora de 1606) que se proclama anarquista.É um personagem carismático, que usa frases de Shakespeare e demasiadas aliterações para compôr suas falas.Mas acima de tudo, V é a personificação de um ideal.
Quando é perguntada sobre quem é V, Evey diz: "Ele era Edmond Dante. Era meu pai, minha mãe, meu irmão, meu amigo.Era você... e era eu. E era cada um de nós."
V não pode ser encarado apenas como um terrorista. Tampouco como um mero ator a busca de uma grande platéia. V é a proclamação viva da liberdade.

Natalie Portman está irreconhecível no papel de Evey. Ela consegue incorporar todos os sentimentos, todas as expressões, toda a mudança da personagem. E mesmo com o cabelo raspado continua linda.Não com a beleza da Princesa Léa, mas com a beleza que Evey tem na alma.A beleza de uma mulher que encontra seu próprio caminho. Que consegue fazer com que o passado doloroso seja responsável pelo presente de luta, força e altruísmo.

Não há como não dizer que é um filme dos irmãos Wachowski. As cenas de luta,embora poucas, são tal qual Matrix.Coreografadas.Pontuais.Belas.Assim como parte do cenário, que reflete o cinza da alma dos moradores londrinos.

Ao conseguir se enfiltrar na emissora de tv, V espalha por Londres todo o sentimento de, ao mesmo tempo, revolta e ânsia de liberdade. As pessoas passam a encará-lo como um ídolo, tanto pelo seu carisma, como por ele conseguir representar todo o desejo de expresssão que lhes fora tomado pelo governo.

A trilha sonora do filme cai como uma luva, assim como as cores usadas na composição dos personagens e das cenas, tão vermelhas como as rosas da vingança.

"Os artistas mentem para falar a verdade.Os politicos para encobrí-la."(V)
V lembra ao povo de que eles não precisam ficar calados,reclusos em sua casa enquanto o governo toma conta de suas vidas.Relembra-os de quantos morreram para que os homens que estão no poder apenas dissessem a "verdade" que lhes conviesse.

Nesses nossos tempos, em que, veladamente, a política mundial apenas "dá o peixe ao invés de ensinar a pescar", no intuito de continuar impondo ao povo suas falsas promessas e premissas, V seria muito bem vindo.
Em uma das cenas do filme há uma ótima alusão ao ataque de 11 de setembro.Há quem diga que isso apenas incite e dê aprovação ao terrorismo deliberado, mas não posso acreditar que alguém que realmente tenha sorvido o propósito do filme acredite que ele faz apologia à violência.

Podemos considerar V de Vingança como uma bela alegoria aos nossos desejos mais secretos de guerra.Não apenas a guerra entre homens, em que as armas são substitutas de cérebros.Mas a guerra que travamos todos os dias contra a falta de vontade.Contra a falta de amor.Contra a falta de consciência.Contra a falta de voz.Contra a vontade de abandonar o barco.Contra a miséria.Contra a hipocrisia.Contra a ignorância.Contra o contra.

"Idéias são a prova de balas".(V)
Sendo assim, não há armamento no mundo capaz de derrotar uma idéia.Desde a idéia insana de se tornar astronauta até a, considerada tão impossível, de construir uma mundo melhor.

Assista, e sinta-se à vontade para retirar suas máscaras e despir-se de seus medos, para então, por fim a "vendetta" contra o mundo não-ficctício que insiste em lhe mostrar a língua todos os dias de manhã.


Cada pedaco de mim...

Cada pedaço de mim
sabe o inferno que é
ser sol em noites de chuva
ser cor nos cinzas dos edifícios
ser luz na escuridão das manhãs
Cada todo de ti
sabe a delícia que é
ser flor nas asas do vento
ser cristal nos olhos das fadas
ser azul no fundo do mar
Cada suspiro de nós
sabe a angústia que é
ser só na multidão dos dias
ser muito na pobreza da esquina
ser ninguém na roda da vida
Enquanto isso
os relógios se vão e vêem
aqueles que sabem o que é
apenas ser na ausência do nada.
Patrícia Pirota nov./2006

31 de outubro de 2006

Poemeto - Desilusões frias

"Foi naquele banquinho de jardim
que te imaginei meu
E voou como as vassouras
de minhas ascenstrais
O vento te trouxe como pluma
para sublimar meus toques vazios
Todos os meus sonhos em céu
foram parar no teu olhar
Teus braços lembram-me
as orquídeas cultivadas
entre as lágrimas que plantei
no jardim de minhas
estrelas tortas
Beija eu
com os olhos da saudade
guardada na sombra
que tua alma oferta a minha
No fim da noite calma
que se ia
teus cristais selaram em mim
a noite negra de desilusões frias
mas minhas."
Patrícia Pirota

30 de outubro de 2006

Sétima Arte (Estrelando: Feira das Vaidades)

Feira das vaidades (Direção de Mira Nair)

"Feira das Vaidades" pode ser considerado um filme de opostos. De um lado, a nova queridinha de Hollywood, Reese Whinterspon, que deliciosamente conseguiu incorporar uma das grandes personagens da literatura britânica Rebbeca (Becky) Sharp. De outro, a diretora Mira Nair, bastante elogiada pela crítica cult por seus filmes anteriores.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de William Makepeace Thackeray, escrito no século XIX.
O livro já teve outras 6 adaptações para o cinema, e até o genial Kubrick já cogitou trabalhar com ele.
No enredo, Rebbeca (Becky) Sharp é uma mulher a frente de seu tempo. Filha de artistas(pai pintor e mãe cantora), Becky não teve uma vida muito confortável.E em busca de seus sonhos sociais, a personagem é capaz de lançar mão de todo seu charme, inteligência e poder de conquista.

A maioria das críticas existentes sobre o filme ressaltam o fato de a adaptação não ter sido fiel aos princípios utilizados por Thackeray no livro.Pudera!O livro tem mais de 900 páginas, e tranformá-lo em uma película de 140 minutos é um ato honroso de coragem.

Mira Nair utilizou a cultura indiana como pano de fundo colorido para o filme. Por se passar na velha europa, em que a hipocrisia era prato principal, e a frieza e o ambiente cinza europeu eram a sobremesa, "Feira das Vaidades", nos olhos de Nair ganharam um colorido oriental que faz com que o filme fique estonteante.

Ao conseguir se libertar da casa em que vivia(aqui há alguns traços da conhecida gata borralheira), Becky começa sua luta por um lugar colorido na cinzenta sociedade britânica. Consegue então, um emprego como governanta na casa da família Crawley, que tem como chefe o estabanado Sir Pitt Crawley (Bob Hoskins).

O roteiro do filme por vezes se mostra apressado, deixando de explorar algumas minúcias que seriam muito bem vindas.
Mas a produção é compensadora. O cenário, os costumes, a fotografia, fazem com que "Feira das Vaidades" seja uma pintura cinematográfica.

Becky Sharp não é apenas uma heroína pobretona que quer fazer parte da alta sociedade. Ela é uma mulher autosuficiente. Tanto quando precisa conseguir dinheiro para sustentar o marido Rawdon (James Purefoy), jogador inveterado, tanto quando precisa conquistar os olhares das enfadonhas e insalúbres senhoras da nobreza.

Embora sintamos falta de determinadas continuações no filme, principalmente aqueles que já leram o livro, há que se reconhecer que Nair fez um bom trabalho.
A "Becky" de Nair não é uma simples vilãzinha que passa por tudo e por todos para alcançar seus anseios. Mas sim um exemplo de mulher que desafinava da sociedade daquela época, e que pode facilmente ser comparada com as mulheres da nossa. Fortes, inteligentes e sempre a busca de seus desejos.

Assista.Ao menos para ficar embasbacado com a beleza que só a vaidade é capaz de produzir em nossas mentes.

Informações técnicas:
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/vanity-fair/vanity-fair.asp

18 de outubro de 2006

Sétima Arte (Estrelando: Brilho eterno de uma mente sem lembranças)


Brilho eterno de uma mente sem lembranças

"Muitos caras acham que eu sou um conceito, ou que eu os completo, ou que vou dar vida a eles. Mas sou só uma garota ferrada procurando pela minha paz de espírito". (Clementine em diálogo com Joel)

Premiado com o oscar de melhor roteiro original, Charlie Kaufman já seria um ótimo e singular motivo para assistir o filme. Responsável pelos roteiros de filmes inteligentes e controversos como "Adaptação" e "Quero ser John Malcovick", Kaufman é um roterista fora dos padrões.Muitos diriam insano. Outros(aqueles que sempre preferem ver finais felizes e a sequência nascer-crescer-morrer) exclamariam o velho e trágico "sem pé nem cabeça". Eu prefiro deixar como opinião as retiscências que ele sempre deixa em minha mente.
Um dos melhores roteiristas da última geração, poderíamos dizer que seu maior e melhor parque de diversão é a mente humana. Em "Quero ser John Malcovick", Charlie brincou com a teoria de "eu é um outro", há muito profetizada por Rimbaud. Em "Brilho Eterno" ele joga com o poder que nossas lembranças têm de comandar e transformar nossa vida.

Em um enredo não-linear, Clementine(Kate Winslet) e Joel (Jim Carrey)são um casal típico. A já conhecida lenda dos "opostos que se atraem".
Mas em seu atrair, o casal acabou por distanciar-se a tal ponto que apenas uma limpeza geral no cérebro seria capaz de apagar "as pedras no caminho" que ambos deixaram um para o outro.
E é exatamente isso que a impulsiva Clementine resolve fazer. Ela procura o Dr. Howard Mierzwiak(Tom Wilkinson), cuja clínica é responsável por "apagar" as lembranças que já não são mais agradáveis e queridas.
Preciso abrir aqui um espaço para falar da atuação de Kate Winslet. Não é só o fato de ela ter sido indicada ao prêmio de melhor atriz que faz com que seja necessário abrir um parênteses para ela. Mas o fato de ela ter superado todos os meus preconceitos. Sim!Eu não gosto dela enquanto atriz, mas em "Brilho eterno" fui obrigada a aceitar que não haveria outra pessoa tão boa quanto para o papel. Winslet, de fato, assumiu a personalidade de Clementine. Uma garota tão cheia de vida, tão cheia de cor (afinal a personagem muda a cor do cabelo 4 vezes!), tão cheia de promessas, mas que no fundo é apenas mais uma alma querendo encontrar outra que a complete sem a excluir.
O brilho nos olhos de Winslet é o mesmo que podemos ver em tantas outras mulheres a busca de todo mundo e de si mesmas ao mesmo tempo.Uma lembrança nas multidões.

Por falar em surpresas, Jim Carrey está irreconhecível!
Sou fadada a admitir que ele também varreu meu preconceito com relação a ele pra debaixo do tapete. Nunca imaginei que ele pudesse fazer um papel tão sóbrio. Tão real. Tão...pouco exagerado!
Joel é um cara normal, até demais. Tão sem surpresas, sem arroubos de emoções, que é difícil imaginar que Carrey conseguiria fazer com que isso fosse realmente real. Mas é.Tão insanamente como apenas um roteiro de Kaufman poderia conceber.

Depois de descobrir que Clementine o havia "deletado" de suas memórias, Joel decidi que fará o mesmo, afinal, porque diabos apenas ela teria o prazer da consciência tranquila ao dormir?!
E nesse mundo de ilusões, Stan(Mark Ruffalo), Mary (Kirsten Dunst) e Patrick (Elijah Wood), assistentes do Dr. Howard Mierzwiak na empresa "Lacuna Inc.", passam a noite com Joel para "passar uma borracha" em Clementine.

E é nesse momento que as relações humanas são discutidas. Ao ver que tudo aquilo que viveu seria apagado, Joel já não tem mais certeza de que é isso que realmente quer. Tanto que começa uma divertida e surreal "caça" a suas lembranças. Um jogo de esconde-esconde entre ele e o Dr. Mierzwiak.
Mas, não seríamos assim mesmo todos nós, seres humanos que acordam com bafo e mau humor?Se brigamos com nosso "bem-amado", logo passamos a ser mal-amados querendo jogar todas as fotos no lixo (os mais dramáticos, as rasgariam). Mas se respirarmos, no segundo seguinte vamos nos lembrar de tantas risadas dadas ao pôr-do-sol, tantos suspiros e caras de bobos ao menor sinal de lembrança, e acabamos por guardar as fotos novamente, e sorrir, pensando que estamos vivos o bastante para sermos capazes de nos importar,de nos decepcionar e de recobrar as esperanças.
Joel entende que apesar de toda a desilusão, Clementine já fazia parte dele, e que se ele a apagasse, estaria apagando uma parte de si mesmo.Afinal, o que é o ser humano senão um reflexo e baú daquilo que viveu?!Daquilo a que foi, por vontade ou não, submetido?!Talvez pó e máquina.

Esse não é uma comédia-romântica de final feliz.
É um suspiro da criatividade que ainda nos é ofertada no cinema atual, entre tantas mocinhas, vilãs e seus pares de sapatos e namorados.É uma dádiva aos cérebros que ainda se alegram em praticar o exercício de pensar.

Talvez, quando acabar o filme, você fique como eu, olhando para os créditos, com a sensação de que alguma coisa na sua mente foi alterada.Ou então você vai desligar a tv e concluir que precisa de pelo menos mais uma ou duas vezes para entender o filme. Mas de uma coisa você pode ter certeza, sua mente nunca mais será a mesma depois do passeio dado em uma montanha russa kaufmaniana.


Informações técnicas:
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/brilho-eterno/brilho-eterno.asp

6 de outubro de 2006

Desilusões (Poemeto da época de meus 15 anos)

"A hora teima em não passar enquanto ainda estou juntando as migalhas que você me deixou.
Parece que todo o colorido dos meus dias está se esvaindo em palavras e cinza e pó.
Juro que não sei mais tentar entender, até porque isso não faria diferença pra você.
Posso até buscar nas árvores aquele coração que um dia a gente desenhou.
Posso até sentar num banquinho e esperar seu amor voltar.
Mas não quero insistir em tantos sonhos.
Prefiro andar pelas calçadas, sujas de tristeza e desassossego.
Resolvo correr pela chuva que lava meus ódios esquecidos.
Enquanto isso você deve estar sentindo que não faço falta.
Pensando que talvez tenha sido melhor, que seu delete tenha caído sobre minha lembrança.
Não quero mais ouvir sua voz doce,seu cheiro terno e suas mãos sobre meus cabelos.
Vou buscar a paz que talvez eu tenha esquecido num canto de mim.
Entre notas de silêncio e dor, num lugar estranho deixado por alguém que eu era.
Antes de você chegar.
E destruir todos os castelos, e sequestrar todas as princesas.
E me deixar continuar a dormir."

Patrícia Pirota - "Antiguidades"

2 de outubro de 2006

Poemeto - A ponto

"Não lembro do dia
em que você me disse que já não era mais
Insano a ponto de acompanhar meus erros.
Escravo a ponto de seguir meus passos.
Amante a ponto de beijar meus sonhos.
Senhor a ponto de mandar em meus desejos.
Amigo a ponto de me levar pra brincar.
Você não mais se lembra do dia que eu disse que era
Sorrisos a ponto de fazer-te sonhar.
Menina a ponto de fazer-te crer.
Senhora a ponto de mudar teus caminhos.
Demente a ponto de molhar teus jardins.
Cruel a ponto de dizer-te adeus.
Não mais nos lembramos do quanto fomos
Sozinhos a ponto de não termos sombras.
Tristes a ponto de chorar no escuro.
Infames a ponto de despedaçar nossas palavras.
Vivos o bastante para abrirmos os olhos.
Apenas vivemos o que nos restou
Uma não lembrança daquilo que era
mas que apenas se guarda no espaço das esquecidões."
Patrícia Pirota out/2006

19 de setembro de 2006

Vá ler um livro: Ovelhas Negras - Caio Fernando Abreu

Ovelhas Negras - Caio Fernando Abreu

"Remexendo, e com alergia ao pó, de dezenas em pastas em frangalhos, nunca tive tão clara certeza de que criar é literalmente arrancar com esforço bruto algo informe do Kaos. Confesso que ambos me seduzem, o Kaos e o in ou disforme. Afinal, como Rita Lee, sempre dediquei um carinho todo especial pelas mais negras das ovelhas".

Assim Caio termina a introdução de seu livro "Ovelhas Negras", compilado em 1995, com contos que vão desde 1962 até 1995, um ano antes da morte do escritor.
Segundo Caio, o livro é uma espécie de "(...) autobiografia ficcional, uma seleta de textos que acabaram ficando de fora de livros individuais. Alguns, proibidos pela censura militarista; outros, por mim mesmo, que os condenei por obscenos, cruéis, jovens, herméticos, etc. Eram e são textos marginais, bastardos, deserdados. Ervas daninhas, talvez(...)".

Caio Fernando Abreu é, sem dúvida, um dos escritores mais contundentes e apaixonantes da sua geração.
Seus contos são poesia cotidiana, recheada do fel que é sorvido pela ironia humana.

Os contos de Caio são pequenos pedaços de uma colcha de retalhos. Juntos têm uma força inimaginável.
Os deste livro em especial são viscerais. Um verdadeiro tiro no peito. Daqueles que te fazem morrer bem devagarinho, lembrando de todos os momentos em que você queria ter vivido, mas se escondeu em sua máscara de cordeirinho.

"Parece incrível se estar vivo quando não se acredita em mais nada".O sentimento de perda nos livros desse autor sempre são profundos e doidamente presentes, e em "Ovelhas Negras" eles ganham um reforço especial. São esboços, de pensamentos talvez vãos, sujos pelas impurezas do não-branco das cidades.

Esses textos tiveram que ser deixados na gaveta de Caio por alguns bons anos, para que ficassem protegidos do lobo mau da crítica e incompreensão daqueles que não se bastam com um sorriso ao pôr-do-sol.

Embora seja deveras significativo, Caio ainda é desconhecido pela maioria. Apenas alguns relegados estão acostumados com suas palavras de aço e pluma.
Os textos de "Ovelhas Negras" são o contrasenso, o marginalismo, o nonsense da literatura de Caio.

Esses dias em uma conversa sobre literatura, uma amiga disse que os escritores de que mais gostava eram aqueles que escreveram o que ela desejaria, com suas mais intrínsecas forças, ter escrito. E ambas concordamos que Caio é assim.

Todas as suas palavras ferem nossa alma, lembrando-nos que todos os dias são cinzentos se não olharmos pelo caleidoscópio da ilusão de ser.Vivo, lúcido, inconseqüente, imoral...humano.

Leia, e depois prepare-se para nunca mais deixar de lembrar dele em seus grandes e pequenos momentos.
Onde as negras ovelhas não são as renegadas, mas as bem-vindas.

Patrícia Pirota setembro/2006

15 de setembro de 2006

Sétima Arte (Estrelando: Os sonhadores)

Os sonhadores (Direção de Bernardo Bertolucci)

O nome de Bertolucci já seria o suficiente pra afirmar que este é um ótimo filme.Responsável pela obra-prima "O último tango em paris" (1972), Bernardo é um diretor fascinante.
Em "Os Sonhadores", seu amor e dedicação à sétima arte são visíveis e apaixonantes.
O tema central do filme é o próprio cinema, uma metalinguagem digna de admiração. O filme se passa no ano de 1968, na França. Uma época em que a revolução estudantil atingia seu auge, e onde os valores sociais estavam sendo postos à prova e revigorados.
Mas não é só do cinema, respirado a cada fotograma, que se compõe o filme. A paixão humana, a política e as discussões intelectuais também fazem parte desse jogo de advinhações.
Há quem diga que o filme é apenas um "tango" jovem e despreparado. Outros afirmam ser "Os sonhadores" pornografia juvenil.
Eu me deleito com a forma passional com que Bertolucci conseguiu mostrar os desejos e as aspirações humanas.

Matthew (Michael Pitt) poderia ser visto como apenas mais um garoto americano que vai ter suas bases intelectuais na acalamada Paris. Um tanto quanto ingênuo e apolítico, Matthew é apaixonado por cinema, e frequenta com bastante fervor a Cinemateca Francesa. E é lá, numa das cenas mais lasticamente belas do filme, que ele conhece Isabelle(Eva Green). (Tenho que abrir um grande parenteses para falar da atuação dessa menina. Eva Green é dona de uma beleza grega. Diante das câmeras, suas expressões assumem dimensões inimagináveis. Seu olhar é tão sensual quanto sua paixão pelo cinema.Com certeza, uma das novas boas promessas para o cinema atual.)
Em meio a toda a polvorosa em que se encontrava a Cinemateca, afinal, o filme tem início durante os protestos pela expulsão de Henri Langlois do comando da Cinemateca Francesa que este mesmo fundou, pelo recém-instituido Ministro da Cultura do governo De Gaulle, Andre Malraux, Matthew, Isabelle e Theo(Louis Garrel) se encontram uns nos outros.
Isabelle e Theo são irmãos, que alimentam uma incestuosidade abstrata. Por muitos, a forma com que Bertolucci pintou o relacionamento dos irmãos foi chocante, mas, no filme eles são como Apolo e Diana: metades complementares.
Convidado a passar uma temporada na casa dos irmãos, Matthew é introduzido num mundo a parte, uma ilha dos desejos. Lá, eles têm conversas acaloradas sobre literatura, artes e política e compartilham seus desejos tanto do corpo quanto da alma.

Uma das grandes alusões de Bertolucci a seu amor pelo cinema é a brincadeira feita pelas personagens, "qual é o filme?". Um deles "encena" uma pequena cena e o outro tem que advinhar de qual filme ela faz parte. Nesses momentos, podemos ver cenas de clássicos, sendo rememoradas por Bernardo.

É incrível como Bertolucci consegue poetizar o sexo. Mesmo sendo não-convencional o propósito, a maneira como foi retratado é passional e bela. Quando nos deparamos com cenas que, na mão de outros diretores poderiam ser apenas sexo animal, também encontramos identificaão com nossos próprios desejos. Não só os desejos da carne, mas, os mais bem tratados por Bertolucci, os desejos da alma.

Assista. Mas não vá para a frente da tv com a alma suja de pensamentos vãos. Nem com a idéia de que é um filme sobre sexo barato.
Dispa-se de seus preconceitos tolos, afinal,mais dia ou todo dia, todos somos "vouyeres" da vida.

Informações Técnicas: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/dreamers/dreamers.htm

Patrícia Pirota

12 de setembro de 2006

"Poemeto para uma noite de saudade"

Poemeto para uma noite de saudade
Olho para o céu que vem baixinho
com seus olhos cor-de-rosa
me lembrar do meu amor...
Lembro do sorriso doce,
da risada calma
e de todo o bem que um dia me fez.
Uma nuvem de tristeza passa agora
enquanto lembro do seu "nunca mais".
Quantos dias vou ter que esperar
pra você entender quem eu sou
Quantas vezes vou ter que pedir
pra você estar onde estou
Ontem ouvi aquela música
que você dizia ser a minha cara
E que eu nunca entendia o porquê.
Agora eu sei,
vejo que talvez errei
em acreditar no eu,
que você fazia pra mim.
Quantos dias vou ter que esperar
pra você entender quem eu sou
Quantas vezes vou ter que pedir
pra você estar onde estou.
Não vou mais sentar naquele banco,
lendo Dostoiévski pra esperar
que você venha e me diga
o que eu não quero ver,
que eu não fui feita pra você...
Quantos dias vou ter que esperar
pra você entender quem eu sou
Quantas vezes vou ter que pedir
pra você estar onde estou.

Patrícia Pirota 2006

4 de setembro de 2006

Sétima Arte (Estrelando: Meninos não choram)


Meninos não choram (Direção: Kimberly Peirce)
Leia ouvindo :Boys don't cry(The Cure)

Transgressor.Doído.Magicamente doído.
Para muitos, o que há de melhor no filme é a atuação de Hillary Swank, que aliás, lhe rendeu o oscar de melhor atriz no ano de lançamento do filme(1999).
Para outros, o que há de mais admirável é a forma como foi abordada a temática da insólita indecisão da personagem.
Para mim o que mais merece atenção é a combinação de uma atuação magistral de Hillary com um roteiro aparentemente ignoto, mas, que assim como um vento frio de outono, desperta o frio naqueles que o sabem existente.

O filme se passa em uma cidadezinha dos Estados Unidos, onde a cultura rural é predominante. Por esse fato podemos concluir que a mentalidade das pessoas que lá moram não é das mais abertas a sugestões.
Teena Brandon não é apenas uma garota com curiosidade sobre sua sexualidade.Mas também uma personalidade ambígua e dilacerada.
Convenhamos.Não deve ser muito confortável uma garota acordar um dia e dizer para o espelho: "Hey!Eu quero ter um pênis e beijar mulheres!".
E o que mais me encanta na personagem é que ela não é um esteriótipo, mas sim uma montagem singular. Tão singular a ponto de me fazer chorar ao ver que suas ilusões não residiam apenas em não ter seios ou dormir com Lana. Mas em conhecer a si mesma.Em aceitar um desejo que lhe era estranho, mas deliciosamente difícil de desistir.

A violência expressa no filme por muitas vezes delicia.
Sim!O ser humano gosta de violência.Não a violência plasticamente grotesca.Mas a violência que expurga seus defeitos, tal qual o teatro grego.

Brendon não é um "travesti", tampouco uma "sapatão".
É apenas a personificação da resistência humana aos valores que lhe são impostos.

Você pode assistir o filme pela ótica do "é uma história sobre uma lésbica como outra qualquer", e sair da sala dizendo que não entendeu, porque é tudo sem pé nem cabeça.O que acredito ser uma deplorável perda de tempo.
Ou você pode assisti-lo pela ótica do "é uma história em que as pessoas não sabem aceitar o que não entendem". E continuar na sala enquanto as letrinhas do final estão passando.Pensando naquele dia que você queria ter dito sim, mas ficou com medo de se olhar no espelho depois.

"Meninos não choram" não é um filme sobre sexo e violência gratuita.
É um filme sobre valores. Que podem ou não serem quebrados. Mas onde o que realmente importa é a consciência de que eles existem.E que ficarão te incomodando, até o dia em que você decidir jogá-los na parede, colocar-lhes o dedo na cara e dizer, com lágrimas nos olhos, que você não é parte deles.
Depois, então, sentar num boteco qualquer, e lembrar dos dias em que o espelho lhe sorria quando você dizia que não sabia o que iria ser quando crescesse.

30 de agosto de 2006

Vá ler um livro: Noites Brancas - Dostoiévski


Do guia: DESLIGUE A NET E VÁ LER UM LIVRO!
NOITES BRANCAS - Fiodór Dostoiévski

Já falei por aqui sobre Dostoiévski...
E a maioria das pessoas que me conhecem sabe da minha enorme admiração por esse escritor...
Talvez maior que a admiração por ele, seja a alquimia que suas obras causam em mim...
Na primeira vez que li "Noites Brancas", fiquei por algum tempo tentando ver onde estava o gênio que eu conheci em "Memórias do subsolo"...
Porque o que mais me encanta,ou aprisiona em Dostoiévski é seu tato para desvendar a alma humana.Ou seria desnudar?A tal ponto que até aquelas cicatrizes que você jurou que não mais olharia fiquem abertas, esperando o dedo que virá cutucar a ferida.
Em "Noites Brancas", Fiodór retrata a solidão.Uma solidão tão doída que não acompanha nem o próprio "sentidor"...
O personagem não se sente bem em sua própria sombra.
Paira um ar de tédio, mas o que mais incomoda é o conhecer apenas pela "terceira pessoa", e não pelo privilégio do onipresente...
Quando terminei de ler, ficou uma lágrima amarga no canto dos sonhos.
Talvez pela vontade de ter tido coragem tanta quanto a da personagem, de entregar-se com todas as veias a uma ilusão...

O título do livro se deve ao fenômeno de que, em S. Petersburgo(cidade onde está situada a história, atual Leningrado), no verão, o sol se põe às 9 da noite e volta a surgir à meia-noite.

E é assim o enredo...
Que começa numa noite em que o sol já havia se posto, "tinha a impressão de que eu, já tão só, havia de ver-me abandonado de toda a gente, que todos se afastaram de mim"...
E termina com a volta da luz, "Havia um céu tão profundo e tão claro que, ao vê-lo, só se podia indagar, quase sem querer, se era verdade que existissem, sob um céu semelhante, criaturas más e tétricas"...

Segundo o próprio autor, esse é o romance de um sonhador.
Mas em Fiodór,todos os sonhos nascem da escuridão, e se vão esconder em algum canto amargo da alma humana.

29 de agosto de 2006

Poemeto - Não-ser

"Em minha mente
plena de insanidades
reza um pedido de pôr-do-sol
como um dragão
que procura proteções
Tento não discutir com minhas asas
mas minha vontade de luar
invade meus desejos insólitos
Quero o desacostumar das sombras
e brincar com os botões dos sonhos do mundo
Apenas para permitir-me
o último suspiro
antes da vinda do não-ser."
Patrícia Pirota

15 de agosto de 2006

Poemeto - Modernidades

"Jacarés apenas mofam girassóis.
Tucanos apenas encerram carvalhos.
Quero o abrigo cinza da fumaça,
o estridente tráfego da evolução.
Não quero saudar extinções,
ou cantar raridades.
Prefiro a Coke, Warhol, Monroe...
Não quero o regionalismo inútil
que enterra meu eu,
não o lírico,
mas aquele, cosmopolita,
que me dá o mundo
segurado nas mãos pelo signo
que revira na tumba
cada vez que um peixe pantaneiro
se esfrega em sua língua."
Patrícia Pirota

10 de agosto de 2006

""Era uma vez...uma professora e seus trinta alunos"

Nossa...Esse artigo é da época da faculdade...Mas eu tava fuçando umas coisas aqui e achei interessante...Enfim...Pode ser tão inútil qt os outros...Ou não...Decida vc...

Era uma vez...uma professora e seus trinta alunos

Você que está passando seus olhos por estas letras, mesmo que por mero acaso, está praticando um ato de liberdade essencial ao ser humano: o ato da leitura.
Muitos de nós(pessoas normais que acordam com bafo e mau humor) acreditam que leitura e literatura sejam cognatas (ah! quantos crimes foram cometidos em seu nome, cognatos...). A essas pessoas, dedico minha incompreensão.
Literatura é um objeto de muitas leituras, assim como os esboços de Dali e o cimento de Nyemaier. Já a leitura é um sujeito, não objeto, capaz de abrir todas as portas.
É costumeiro em nossas casas educacionais a cena:
-Aluno: Odeio ler!
-Professora: Por quê?
-Aluno: Porque é chato!
-Professora: Mas...(muitas e muitas reticências)
A próxima cena já podemos prever: a professora senta em sua mesa e folheia o livro (não) didático e o aluno continua a rabiscar a mesa.
A leitura é um processo endógeno e exógeno simultâneo. O mundo nos presenteia com os signos e nós modelamos a linguagem.
A maioria de nossas brancas de neve reclamam que seus anões não lêem. Pudera!Elas não metamorfoseiam-se em livros para narrar aos anões as estorinhas do mundo (não) encantado.
Nossos alunos querem ouvir, para depois aprender a falar. Ora, não são assim nossos sentidos?
Chato mesmo é não ler a vida, com todas as suas cores!
Que nossos anões leiam as instruções de seus games para depois tropeçarem no caminho de Drummond. Que olhem suas revistaas de cunho aborrecente, para depois sentirem a ressaca oblíqua de Machado. Que respondam seus caderninhos com perguntas, para depois relatarem suas férias, mas sem adjuntos e subordinações, mas com suas bicicletas criando rodinhas nas páginas.
Nossas brancas de neve devem acordar, sem esperar o beijo do príncipe. E então, ler a história que o olhar de seus anões conta, pois são tantas as leituras que eles fazem!
Clarice profetizou que a vida ultrapassa todos os entendimentos, certa de que as leituras seriam tantas quanto fossem os olhos.
"Decifra-me ou devoro-te". Todas as brancas de neve devem decifrar seus anões, ou estes as engolirão, num ato antropófago, com ou sem final feliz.

Patrícia Pirota junho/2004

9 de agosto de 2006

Artigo Inútil: Castelo de Areia

Castelo de Areia(artigo inútil)

(Leia ouvindo "Apesar de você" do Chico Buarque)
(Ps1: se você não gosta de MPB, ouça "Ticket to ride" dos Beatles)
(Ps2: se você não gosta nem de MPB nem de Beatles não leia! Porque boa gente você não deve ser...)

Hoje é sábado(pra mim né...porque pra você...vai saber...). Depois de ter dormido o dia todo (afinal, "o sono é o domingo do pensamento"), fui arrumar meu quarto(porque estar acordado é a segunda-feira da vida). No meio de livros, cds, roupas, provas pra corrigir, All Stars sujos e contas do cartão de crédito(maldito seja quem inventou esse treco!mentira...) encontrei um guardanapinho daqueles de cafeteria(pois então...eu tenho o hábito de, toda vez que vou a uma cafeteria, pegar um guardanapo e escrever a "frase da hora".Bobice minha...).
Era uma frase bem doída, do Caio F. Abreu(ah é!esqueci de dizer qual é..."Não que se sentisse triste, apenas não sentia mais nada.").Lembrei desse dia e parece que a vida me deu um puta soco no estômago.Era um fim de semana deveras nublado, pelo menos pros meus olhos, que ficaram um pouquinho umedecidos quando reli(tá bom!tá bom! eu assumo!chorei mesmo!!!).
Logo depois, peguei outro guardanapinho, com uma frase do Tom Zé, que amo("Na vida, quem perde o telhado ganha em troca as estrelas"), e lembrei o quanto eu estava feliz nesse dia. E olha que nem fazia muito tempo de diferença do outro...
Aí parei pra pensar (medo!sim...) em quanto nossa vida é efêmera(gosto mais dessa palavra que de "passageira"!passageira me lembra uma música do Capital que eu detesto!).
O ser humano tem uma capacidade absurda de esquecimento.Se hoje estamos tristes, como se fôssemos um castelo de areia a ser derrubado por uma onda, depois de uns goles de cerveja(ou de chocolate quente para os não cachaceiros), uma musiquinha, um cheirinho de incenso e uma presença amiga(mesmo que seja no msn ou no fone) já estamos sorrindo novamente.
Não que aquela tristeza tenha ido embora, mas ela se metamorfoseou.
Kafka, em seu livro "A metamorfose", transformou um cara comum em um inseto trash. Segundo ele, para representar "a própria humanidade: aflita, frágil, infeliz". O livro foi escrito em 1912, mas a idéia de Kafka ainda está presente nas nossas cacholinhas do século XXI.
Somos tão frágeis, que nossa opinião pode mudar a qualquer anúncio bem feito. Tão aflitos, que precisamos fazer milhares de coisas ao mesmo tempo agora, com o medo de nos esquecermos perdidos num canto da casa, ou de não termos sido tão bons quanto nossos sonhos de criança merecem. Basta perceber que, ao mesmo tempo, postamos em fóruns, conversamos no msn com,pelo menos, umas cinco pessoas, baixamos músicas, assistimos vídeos e falamos ao telefone. Aah!E ainda conseguimos respirar!Só pra mostrar o quanto a gente é foda!
Mas aí, depois que desligamos tudo o que nos conecta ao mundo exterior, e nos voltamos só pra essa maquininha que tem um bombeador de sangue que também nunca pára, vêm a tristeza.
Já dizia o poetinha, "tristeza não tem fim, felicidade sim...". Mas sempre há que se dar um jeito...
Uia!Acabei de achar outro gurdanapinho.Nele está uma das minhas frases-retrato, "Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz!".
É assim que eu vou levando...Brincando de pintar o nariz, sempre que trombo com uma coisa ruim. Sempre que meu castelo de areia é derrubado por uma onda, lembro que amanhã vai ser outro dia...E que apesar das pedras no caminho, o mundo é vasto demais, e a lua deveras comovente, pra que eu deixe de "palhaçar" com a vida.
Patrícia Pirota agosto/2006

6 de agosto de 2006

Como diria... (Drummond)

Poema de sete faces (Carlos Drummond de Andrade)

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

De Alguma poesia (1930)

4 de agosto de 2006

Poemeto - Presente para as cinzas

"Quantos verões passei
buscando a eternidade...
mas minhas asas
não voaram além do sol.
Procurei em cada brilho
de lágrimas dispersas
a cor de vidas quem não são minhas
...do mundo.
Quantos cadáveres
foram esquecidos
nas gavetas da desilusão,
e quantas notas caídas
entre a escuridão de luzes nuas...
Sou poeta
que guarda o amor para si
presenteando as cinzas."
Patrícia Pirota

3 de agosto de 2006

Poemeto - (In)Verdades

"Felicidade é o amor
quando cultivado entre as estrelas
Doce é o beijo
dado com os olhos
Sublime é a sinfonia
tocada com a alma
Claro é o céu
pintado em borboletas
Calma é a paz
guardada em cristais
Eterno é o tempo
onde residem minhas solidões."
Patrícia Pirota

2 de agosto de 2006

Poemeto - Desangústia

"Me escondo
no teu riso amarelo
Brinco
de matar tuas ilusões
Caço borboletas-amor
no escuro de tua íris
Quero um copo de desangústia
e um prato de coragem
para criar cores
que acabem com a palidez
de tuas palavras."
Patrícia Pirota

30 de julho de 2006

Poemeto - Qualquer


"Numa noite nua
qualquer
grito de bondade
será punido
se não pela impaciência
que é trem
pela discordância
de verbos no imperativo
A primeira pessoa foi abolida
no singular
pelos edifícios em cinza
no plural,
pelo tecnológico avanço do não-ser.
Numa noite crua
qualquer
expressão de amor
será banida
se não pela solidão
que é muro
pela concordância
de sujeitos no singular
O primeiro não concorda com a ação
que realiza o segundo triunfante
sem dizer que eram dois.
Numa noite sua
qualquer
adeus será compreendido
se não pela incerteza do amanhã
que não bate ponto
pelapluma da perfeição
que é só palavra."
Patrícia Pirota

25 de julho de 2006

Baú do tempo (conto de memórias insanas)

Baú do Tempo (By Patrícia Pirota)

Introdução desnecessária

Essas são algumas escrivinhações sem propósito, mas que se fazem necessárias por minha alma sedenta de caminhos.Talvez aqui eu encontre algum ponto de onde eu não tenha, ainda, olhado minha alma.



Num dia como esse, onde o ar parece pouco demais para respirar a plenitude dos olhos, me sinto só. Sarcástica e ironicamente só...
Não quero que esse comentário renda olhares de compaixão de sua parte, leitor, pois essa solidão que me toma conta é produto meu, preciosamente meu.
Nos últimos tempos, que não julgo necessário datar, a solidão, que antes era refúgio de minha agitada sociedade, passou a ser cotidiana.E como todo cotidianismo, passou a incomodar minhas veias.Cada hora que passa sinto que sorrateiramente o tédio vai se apoderando de meus poucos suspiros.Ah, o tédio! Só ele é capaz de produzir devassidões e intolerâncias, visto que não há nada mais a fazer diante do tédio que praticar maldades insanas.
Olho para a janela (suja por todos os pensamentos vãos que tive) e tento entender o motivo de ainda não ter levantado.Vão-se lá umas três horas de luta com a preguiça, até conseguir atinar-me a levantar da cama.
Todos os pensamentos que me ocorrem nesse tempo de ócio me são preciosos, deles eu recorto minhas ilusões, que quase nunca chegam a tornarem-se fatos, mas sempre ficam arquivadas no subsolo de meus desejos.
O dia se mostra tão receptivo a pessoas cujos olhos são alegres, que acabo por ficar com náuseas.Arrasto meus pés até um destino que, durante os últimos seis anos, tem sido o mesmo.Sempre as mesmas pessoas, o mesmo banco... embora tenha mudado a cor recentemente, o verde das paredes acaba por me deixar inquieta, a busca de esperanças que não estão ao meu alcance de meu querer...
O mesmo café, o mesmo olhar vazio, os mesmos "tudo bem?" sem propósito. A única que nunca parece sempre a mesma é minha mudança, praticamente previsível de três em três meses.
Há que se perguntar o porquê de minha religiosa ida a um lugar que já não me apraz...E em busca de alguma explicação me perco nos caminhos de minha memória...
No início eu era apenas uma incógnita volante, que não pertencia a uma matriz, mas transitava por todas. As palavras jorravam de minhas artérias, e eu as colocava para fora para que não me afogassem... Eram tantas e de irracionalidade desmedida, que por muito tempo me vi num mundo surreal. Tudo me parecia normal, até mesmo minha loucura anunciada.
Já deves estar bocejando, crendo que esta é apenas mais um narrativa fantástica, da qual muitas já entreteram tua ignorância. Mas não, caro estranho. Por mais infeliz que seja a realidade, esta não é uma narrativa poeana e maravilhosa.
Com o ir dos tempos, também se foram minhas palavras, meus companheiros de então e minha insanidade. Tornei-me então uma incógnita fixa, sempre a espreitar e recusar qualquer manifestação de proximidade. Tudo continuou o mesmo... Ao contrário de quando era apenas uma moldura na parede descascada, passei a ser uma tela colorida. Sempre notada como um animal de circo... Incomodava-me a posição de ser um mito, um objeto de estudo e admiração (ou repudia).
Formou-se aqui, uma personagem que acabou por fugir do meu alcance. Todos os meus medos, minhas angústias, minhas maldades mais obscuras, moldaram esta persona. Tão diferente de tudo e todos. Tão segura do alto de suas inseguranças. Tão paradoxal que chegava a encantar.
Elogios lhe eram cotidianos, e mais uma vez a representação do todo dia lhe incomodava deveras.
Processou todos os seus conhecimentos em retóricas que lhe permitissem afugentar as pessoas. Destilava sabedoria com a mesma normalidade de quem pede pão de manhã. Sorria com desdém a todos que não preenchessem seus caprichos infundados (realmente todos). Trocou a bebida, mas o conteúdo era o mesmo: insatisfação...
Pois bem...Esse resumo mostra o quanto minhas faces se fragmentaram por esse período. Hoje me encontro no mesmo lugar, sem devaneios a busca de explicações. Apenas procurando paixões em cada olhar incompreensível, inatingível.
Em meu subsolo (recentemente descoberto) continuo escondendo minhas verdades. Talvez tão minuciosamente guardadas, que me é árduo escavá-las e levá-las ao topo.
Apesar de não lhe indagar, ou colocá-lo na parede a busca de opiniões, gostaria de lhe pedir que olhasse suas paredes, caro estranho. Olhe-as e veja se não há nenhuma passagem secreta para o seu subsolo. Caso o encontres, verás que maldades e utopias nos são semelhantes, e já não acharás enfadonho passar os olhos por estas linhas que escrevi em ato de desespero. Desespero em busca de uma identidade, que talvez tenha deixado seus estilhaços em tuas entranhas.
Se "eu é, realmente, um outro", somos todos o mesmo.O mesmo desejo de ser o infinito, que não busca tempos ou respostas, mas que apenas encerra-se em seu baú, contemplando o fim.
Patrícia Pirota 2005

22 de julho de 2006

"Acalento à solidão"


"Construi todas as imagens
com restos de palavras
respingadas em café.
Subordinei todos os desejos
à existência de irregulares particípios.
Acho que sei o que quero...
mas dias como esse
sopram minhas cinzas
escondidas nos cantos do mundo.
Conjuguei todas as possibilidades
em meus tempos infinitos
Tudo para tentar compor vozes
que pudessem renovar minhas almas
e acalentar minhas solidões."
Patrícia Pirota

Artigo Inútil - Hexa uma vez

Artigo escrito no dia do jogo Brasil x França.Quartas-de-final da Copa do Mundo 2006.



Hexa uma vez...
(Ps:NÃO leia ouvindo a trilha de Amelie Poulain!)

Pois então...O tal do quadrado trágico não funcionou... Mais uma vez o Lobo Mau francês comeu a Vovozinha brasileira... E a Madrasta européia fez a Branca de neve brasileira dormir...
Mas o que realmente não funcionou foi o pé de uva! Se você é entusiasta defensor do pé de uva (conhecido também como técnico de museu. Afinal, um cara que escala jogador por "história" deveria trabalhar no museu da CBF! Quem sabe na próxima Copa ele não escale o Pelé, o Tostão, e desenterre, literalmente, o Garrincha!), acho melhor parar de ler esse inútil artigo (ops!acho que falei tarde demais!).
Algumas horas já se passaram depois do jogo, e eu acho (assim como muito torcedor) que ainda haverá prorrogação. Ou que foi uma alucinação coletiva.
Mas sou obrigada a aceitar que não foi...
Depois de o jogador da França (que por uma terrível coincidência também jogou em 98) ter dito em bom francês (que aqui traduzirei para o bom português) que os brasileiros se preocupam mais com o futebol do que com o estudo (ou que são ignorantes), somos obrigados a engolir o orgulho do "melhor futebol do mundo" e suportar o falatório do resto do mundo (até porque em se tratando de Brasil, só se fala no futebol, no tráfico e na corrupção) (ah!esqueci do samba, da cachaça e da mulher pelada).
Vivemos num país que pára tudo o que está fazendo para assistir os jogos do Brasil na Copa. O mesmo país que tem como maior renda a exportação de jogadores de futebol. Jogadores esses que ganham um salário que eu não ganharia em pelo menos 3 encarnações(isso se eu ganhasse na mega sena em todas elas!).
Um país que chorou! Os futebolistas fanáticos pelo jogo medíocre. Os "oba-oba" pela falta da cerveja pós-jogo(ps:com certeza os comerciantes choraram muito mais pelo mesmo motivo!). Os vendedores ambulantes pela anunciada não- venda das camisas e acessórios do Brasil. Os brasileiros de coração pelo sonho perdido. E os brasileiros de certidão e senso crítico (onde eu me encaixo) pela vergonha.
Vergonha de reconhecer que a seleção de futebol é um reflexo do país. País esse que sempre foi visto como um dos mais ricos em recursos naturais e humanos do mundo, mas que nunca soube aproveitá-los, vendendo a preço de banana para o exterior (ps:a maioria dos jogadores da seleção joga em times europeus, e seus salários chegam a cifras inimagináveis para uma grande parcela da população do país. Diga a alguém que mora nas favelas o salário do Ronaldinho Gaúcho e ele vai perguntar se é de comer!).
País que tem uma das culturas nacionais mais ricas do planeta, mas que sempre abaixa a cabeça para a velha europa (ps:nossos jogadores sempre foram conhecidos pela alegria e jogo bonito, mas quem deu show em campo foi a seleção da França!)(afinal, "o show é ganhar" não é mesmo Pé de uva?!).
País que elege um governante por "orgulho operário", e que, mesmo depois de ter provas absurdas da má fé e má organização de seus líderes políticos, pretendem elegê-los novamente(você já viu quem está liderando as pesquisas?!) (ps: no quesito má liderança não haveria melhor exemplo que o nosso pé de uva [Parreira, para os não iniciados em Rock Gol], que mesmo com um time improdutivo, prefere acomodar-se e fingir que não sabe de nada).
Um país triste!
Ao contrário de muitos ufanistas que preferem defender, dizendo que "os outros também têm que ganhar", eu prefiro a verdade de que o país gosta de perder. Afinal, um povo que prefere gerar violência gratuita, seja num jogo de futebol ou no congresso; que prefere assistir as novelinhas do México a ler um livro; que prefere ser conhecido pelo futebol que pela cultura, só tem a perder.
Eu só espero que depois desse fato, o país tome uma "atitude" (palavra, aliás, que o tal do narrador pedante usou muito durante a transmissão). Se todas as pessoas que assistiram o jogo, perceberem que o país também anda apático, e efetivamente fizerem alguma coisa pra mudar, não conquistaremos apenas a "sexta estrela", mas sim o orgulho de viver num país descente, em que os contos de fadas são feitos por pessoas que pensam e lutam, e não só de princesas que esperam pela taça encantada (ops!é príncipe).

( Ps2:desocupado leitor, me desculpe pela escassez de bom humor, mas hj parece que meu ano foi sempre uma segunda-feira...)

Patrícia Pirota junho/2006

18 de julho de 2006

Artigo Inútil - Caído da Mudança

Caído da mudança
(Ps: leia ouvindo I will survive na versão do Cake)
(Ps2:pode até não ter nada a ver com o artigo, mas essa música é muito boa!)
(Ps3:Você não gosta da música?Ouve o que você quiser então, uai...)

Sabe aquela velha expressão "como um cachorro que caiu da mudança" (ou alguma coisa assim.Geralmente as expressões mudam conforme o estado né.Se você for de Minas provavelmente vai falar "como um trem que caiu da coisa", mas enfim...)?
Pois eu sou a dita cuja que caiu. Sabe-se lá de que mudança, mas caiu.
Ando meio perdidinha (e se você acha que o "certo" é "meiA perdida" pode parar de ler meu artigo!!! ou então jure em nome da santa mãe língua portuguesa que nunca mais vai cometer esse pecado! jurou?! jura?! então pode continuar...). Dizem por aí que uma pessoa tem algumas fases de "crise" na personalidade durante sua estada nesse inferno de Dante. Na verdade eu não tenho problema nenhum com a minha personalidade, acho ela bem bacana. Divertida até. O único problema são os caminhos da tal.
Tem algum grande filósofo de buteco que disse por aí que os olhos são o espelho da alma(se não foi nenhum filósofo de buteco, sorry senhor filósofo de tumba!), mas o que realmente tem sido o espelho da alma é a roupa e a palavra(excluí-se aqui os "outdoors de tendências fashion vazios de plantão").
A roupa, porque ela diz tudo o que você quer(a não ser que você não tenha mais nenhuma roupa limpa e seja obrigado a vestir o que sobrou né). Olha só, se você está com vontade de apanhar e ser massacrado vá a um show de heavy metal com uma camiseta branca dizendo "100 por cento pagodeiro" (nossa!agora que visualizei a cena fiquei até com medo!); ou se você quer sexo(no caso feminino) vá a um jogo de futebol de mini cinto(ops!é saia), (ops2!também fiquei com medo depois de visualizar!). Bom, já deu pra entender né(melhor parar de visualizações porque hoje minha mente anda muito insana).
A palavra, porque ela literalmente diz tudo (a não ser que você esteja tentando falar como um membro da academia de letras, num bar, às 3 da manhã). Você é aquilo que você diz, ou aquilo que você cala.
Ah sim...Nesses tempos de internet não podemos excluir o "web space", mas será que dá pra deixar essa discussão pra um outro artigo? Porque já quase me perdi do que comecei a falar...
Voltando a tal da minha personalidade...Ou da sua...Whatever...
Tem dias em que a área do meu cérebro onde está hospedada minha personalidade vira um labirinto. Não sei se visto roxo ou branco, se falo como uma "mina" ou como uma executiva, se respiro ou penso (decisão extremamente dif´cil essa última rapaz...).
Pois então...Acho que essas tais crises de personalidade têm mais a ver com aquilo que o exterior produz em você, e com o que você processa e reproduz, do que com aquilo que você realmente é.Afinal, o tal do Darwin não dizia que somos um produto do meio? (sim!ele também falava da lei do mais forte, mas isso não tem nada a ver com meu artigo!) (tá...eu sei que meus artigos não têm muita coisa a ver com nada, mas posso continuar?!Depois discutimos teorias evolucionistas oká?!).
Freud(lê-se "Fróidi" viu!) dizia que até os sete anos uma pessoa já tinha sua personalidade formada. Mas e depois?! Depois nossa personalidade brinca de mímica?! "Ah!Esse ator é bacana então vou imitá-lo". Não, pra mim não(embora eu adore brincar de mímica).
Somos formados a cada dia. A cada frustração, a cada realização, e não só até entrarmos na escola.
Se fosse assim até hoje eu seria muda!Porque até os sete anos eu só falava quando era obrigada. E olha só no monstro que me tornei...Uma tempestade de palavras ambulante!
Mas voltando ao fato de eu ter caído de uma mudança qualquer, quase posso apostar que você também já se sentiu assim. Não vale época de vestibular, porque aquilo é tortura! Escolher aos 17 anos o que você vai ser quando crescer é sacanagem! Não há persona que resista. Lembra daquele monte de bolinhas pra preencher, e os nomes dos cursos dançando um samba na sua frente, até que você optou por um só pra acabar com a pressão psicológica? Ah não?!Você jura que é daqueles que já sabia o que ia ser quando crescesse desde pequeno? Lálálá pra você!
Hoje acordei com uma vontade desconhecida de ser séria(sim!me deu medo também!). Não que eu não seja, quando tento até que engano. Mas uma vontade de ter os mesmos propósitos das pessoas que acham que sonhos são apenas aqueles que estão na vitrine da padaria. Que o certo é trabalho-casa-trabalho. Aí, você que já leu alguma coisa minha, ou que me conhece, vai achar que enlouqueci! Calma,calma! Já voltei ao normal e ainda quero atuar na Malhação(risos tremendos! como se isso fosse normal!). Quero dizer que já desisti dessa tal personalidade. Há quem goste, mas não é pra mim.
Prefiro a tarde que não é azul de Drummond, ao quadro de natureza morta no lugar da janela do escritório.
Mas...E a sua personalidade, como vai? Tá bem trancadinha aí dentro de você? Ou anda como a minha que quer se jogar das mudanças da vida?

Patrícia Pirota julho/2006